De passagem reconheci, dias atrás, a tarefa que vem sendo apresentada pelo técnico do Santos no Brasileirão. No entanto, a diretoria do Peixe não vê assim o trabalho que Marcelo Martelotte está desenvolvendo. Tanto que não faz segredo de suas tentativas para trazer outro nome para o cargo.
Abel Braga não aceita. Adilson confirma sondagem mas garante que nada foi conversado oficialmente. E, com o choque da derrota, na Vila, para o Grêmio Prudente, a turbulência volta a sacudir a Vila Belmiro.Turbulência que leva o interino (que já deu provas de capacidade para ser efetivado) a ter seu sono ameaçado.
O que o clube espera de um treinador famoso? Uma baita coleção de vitórias para melhorar tudo na classificação? Reviravolta na atuação coletiva ou superação individual de seus contratados? Em qualquer das opções, óbvio que não pode existir a certeza de sucesso. Até porque, na média, os rapazes estão rendendo normalmente, cada um no seu estilo e no seu limite. Uma derrota ou outra é inevitável, é coisa normal na vida de qualquer time.
Estaria o Santos procurando um milagreiro? Impossível, porque campo de futebol não é terreiro de milagres.
Será que os senhores que mandam no clube já pararam para pensar que, notícia após notícia de um possível novo nome, o técnico atual pode ir perdendo, aos poucos, na contramão das entrevistas e declarações, o equilíbrio interior de que precisa para trabalhar?
Nunca diria que o rapaz possa, deliberadamente, abandonar o senso de responsabilidade que o move nestes dias. Não imagino que alguém seja capaz de um gesto assim. Mas o certo é que, como qualquer outro profissional de qualquer ramo, ele precisa de segurança para fazer bem o seu serviço.
É dureza você, toda noite, botar a cabeça no travesseiro pensando que, talvez no dia seguinte, possa receber ordem de desocupar o banco porque outro vai tomar posse do lugar. Ninguém merece trabalhar atormentado por fantasmas da incerteza bailando em torno de sua cabeça.