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Tite sem mágoas

São Paulo (SP)

Abriu mão da mais importante tarefa de sua carreira - o Mundial de Clubes - para encarar o desafio de mudar o rumo do Corinthians que ainda sonha em ser campeão brasileiro em seu centenário. Tite deu uma prova de amor ao Timão. É imperioso que entendamos isso.

Não tinha chance no Mundial? Verdade, mas, com um só jogo, estaria escrevendo seu nome na história do futebol mundial. Então, convenhamos, saiu do cenário internacional, do dinheiro farto dos Emirados Árabes para voltar a uma casa de onde, um dia, saiu injustiçado.

Hoje, o retorno do gauchão ao Parque São Jorge tem que ser encarado pela torcida com muito respeito. A galera, em primeiro lugar, não deve pedir resultados imediatos nem exigir transformações miraculosas no jeito de ser da equipe que anda dando cabeçadas no escuro ultimamente.

O respeitável Tite vai se dar, talvez como nunca, à tarefa de tentar reparar o avião em pleno voo, mas, ao aplicar tudo quanto sabe de futebol (e sabe muito!) em nenhum momento estará obrigado a dar o título com que sonha a Fiel. Está abraçando um feixe de dificuldades. Agir para resolvê-las, sim, isso ele fará. Se não der certo, não terá que pagar a conta deixada por outro. Ele deverá ser apoiado, ajudado no que for necessário para trabalhar de cabeça fria, sem pressões, sem protestos ou ofensas.

Afinal, um treinador que sempre primou por fazer com que bola e dignidade corram juntas em campo tem que ser, acima de tudo, respeitado. Isso, que respeitem o profissional que deixou o emprego seguro e o conforto do ambiente milionário em que se encontrava para encarar os problemas de um Corinthians efervescente e cheio de incertezas no Brasileirão.

Só por topar o desafio, Tite já tem o direito de não ser importunado; antes, aplaudido de pé pela volta sem mágoas.

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