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Mente e corpo formam uma Unidade

São Paulo (SP)

Muitos ainda pensam que a atual psicologia esportiva é a mesma utilizada pelo professor João Carvalhaes no final da década de 1950, início da década de 1960. Há um grande erro nesta constatação. A psicologia enquanto ciência humana tem apenas 100 anos de vida e aplicada ao esporte é ainda mais recente: não conta com mais de 30 ou 40 anos de estudos e aplicações. Na época em que o professor Carvalhaes foi convidado para ser o psicólogo da Seleção Brasileira, não havia ferramentas científicas (testes e pesquisas) que pudessem auxiliar em sua intervenção. Ele contava apenas com o tal teste psicotécnico que, até hoje em dia, é adotado pelas auto-escolas no exame para tirar carteira de motorista.

Ora, amigos, o tempo passou. Garrincha foi reprovado nos exames de Carvalhaes? Sim. Com os resultados obtidos nos testes, o jogador apresentava uma frágil condição psicológica. Tecnicamente, Mané dispensa comentários. Com a ginga e todo aquele jeito folclórico de ser, Garrincha morreu de cirrose hepática, por não conseguir se livrar do vício que acabou deixando as tardes de domingo no Maracanã mais tristes.

Novo panorama

Será que os resultados dos testes aplicados outrora já não apontavam para esta fragilidade de personalidade do nosso astro maior? Creio que sim. Atualmente, sem a menor sombra de dúvidas, os testes estão mais modernos (ainda insuficientes, é bom que se frise) e capazes de traçar um diagnóstico mais completo e esmiuçado da esfera mental e emocional do atleta. Já é hora de parar de comparar o Fuscão 1968 (com o merecido respeito) com a última Mercedes que desfila na Europa.

Gerenciamento da concentração, controle da ansiedade pré-competitiva, motivação, equilíbrio mental e emocional são apenas alguns dos pilares fundamentais que garantirão o complemento de um adequado treinamento esportivo. Especialmente aos corredores e maratonistas que buscam, a todo preço, fugir da tal "fratura psicológica" que, em algumas situações, os paralisam no meio de uma prova.

As novas demandas dos atletas de alto rendimento devem ser mais bem compreendidas, pesquisadas e trabalhadas. É fundamental o contato do psicólogo esportivo com os demais profissionais que administram a preparação atlética desportiva. Por conta do preconceito e desinformação de boa parte dos envolvidos no esporte, a esfera mental ainda é concebida com lentes antigas e difusas.

Está na hora de virar a página do calendário e estimular as pesquisas que contribuem com o alto rendimento dos atletas, priorizam os esportes de lazer e recreação, além de promover e prevenir a saúde por meio de práticas esportivas. No Brasil, a cultura da valorização mental ainda sofre preconceitos por conta da desinformação da maioria dos dirigentes, atletas e treinadores. Para piorar, a medicina (suposta aliada) insiste em resolver sozinha as enfermidades que, na maioria dos casos, é de origem emocional.

Psicologia do Esporte: acesse http://www.ceppe.com.br/

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