Amigos, desejo um dia (breve) vir aqui e dizer que os clubes, treinadores e atletas finalmente se renderam aos benefícios e necessidades do trabalho psicológico no esporte. Até lá, infelizmente, algumas constatações que este caminho - ao menos no futebol - ainda nos exige uma boa dose de paciência e perseverança. Dois exemplos (aliás, é a média por rodada no Brasileirão) para elucidar esta dificuldade no reconhecimento das inúmeras contribuições que a Psicologia do Esporte pode oferecer aos atletas e treinadores.
Cuca: "o time precisa manter o equilíbrio após as duas derrotas"
Perfeito, Cuca. Sua constatação é digna dos maiores elogios. Por outro lado, ela se encerra aí. Nada é feito para ajudar nesta árdua tarefa que muitos técnicos assumem para si. O discurso - vazio em sua forma - oferece uma explicação estática e sem iniciativas. É como se informar ao torcedor que a equipe precisa manter a calma já fosse a ação para mudar o quadro. O Cuca nunca foi lá muito chegado a trabalhos psicológicos. Em sua época de Botafogo, preferia convocar padres para palestras motivacionais a contratar psicólogos esportivos com o objetivo de acompanhar o elenco e fortalecer o mental, motivacional e emocional do grupo de jogadores.
O técnico sempre demonstrou ser um grande driblador na hora em que as questões relacionadas com a falta de equilíbrio psicológico surgem à frente de seu comando. O Cruzeiro pode até ser o campeão brasileiro - mas saber conquistar um torneio desta importância e magnitude exige um condicionamento diferente daquele demonstrado pelo grupo nos últimos jogos. Fica a constatação (e só).
Neymar: "dei uma pedalada no psicólogo"
Com o peito cheio de orgulho, um futebol opaco e robotizado, Neymar declarou que "deu uma pedalada no psicólogo". Como se isso fosse, de fato, uma grande vitória em seu currículo. Marcado em cima pelos adversários e após sofrer severas críticas por seu comportamento nada recomendável para um astro futebolístico, Neymar adotou a política do silêncio (apanha e levanta) e da passividade.
Dirigentes santistas: cuidado para não transformar um garoto talentoso num anjo sem virtudes e ousadia. A palavra chave é adaptação'. De nada adianta sufocar o moleque de broncas, castigos, limites, resenhas e conselhos se a possibilidade dele utilizar sua energia de ativação interna for aniquilada em prol da sobrevivência dentro de campo.
O Santos está perdendo dinheiro com este garoto e o futebol está prestes a perder um de seus grandes talentos do ano. Neymar foi pedalar em cima do psicólogo e acabou levando um tombo feio na primeira curva.
E tem gente que não enxerga isso. Que tristeza!
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