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O folclórico Papai Joel

São Paulo (SP)

O treinador Joel Santana é uma daquelas raras figuras do futebol brasileiro que permanecem em atividade. Joel é apaziguador, educador, orientador e tem um carisma absolutamente fora de série.

Boleiro, Joel não larga sua prancheta nem durante as partidas. Observador, tranqüilo e extremamente protetor, o técnico ganha o carinho e amizade por todos os clubes que dirige. Figura ímpar no cenário futebolístico, Joel defende e protege seus atletas como se fossem filhos adotivos.

Joel Santana faz parte daquele grupo deliciosamente brasileiro que conta com Dadá, Vicente Matheus, Zagalo e várias outras figuras emblemáticas e cinematográficas que tantos simpatizantes trouxe ao nosso futebol.

Na partida contra o Corinthians, no Pacaembu, Joel demonstrou sua experiência ao proteger a saída de campo do atacante Caio, do Botafogo, que, no último lance da partida, desperdiçou o gol da vitória por não passar a bola ao companheiro que estava mais bem colocado dentro da área adversária. Boa parte dos jogadores cariocas correu na direção de Caio para dar bronca e expressar o descontentamento diante do individualismo do atacante botafoguense.

O treinador pegou o jogador pelo cangote - no melhor estilo "Animal Planet" - e o acompanhou até o vestiário. No caminho, aos gritos, dizia  ao atleta: "não vai falar nada agora", "primeiro toma uma água", "na coletiva você fala com a cabeça fria", "nada de dizer bobagem agora".

As palavras e a atitude de Joel refletem a imagem de um tipo de treinador que, lamentavelmente, não encontramos mais nos campos brasileiros. Atualmente, é muito mais comum um técnico se levantar do banco de reservas após a partida e ir direto ao vestiário - mesmo quando se trata de uma eliminação de Copa do Mundo.


Os sensos de proteção, comando, orientação e educação andam bem distantes da conduta da maioria dos técnicos nacionais. Ser paternal não significa perder as rédeas do grupo. Muito pelo contrário. Em boa parte dos casos, esta característica pode ser utilizada como uma importante ferramenta de gerenciamento de conflitos e desenvolvimento de boas relações dentro do grupo de trabalho.


Tomara que o Joel permaneça por muitos anos no futebol e, se possível, faça escola por onde passar. Estes técnicos carrancudos e bem vestidos - que adoram falar de auto-ajuda e desfilar grifes famosas - estão ultrapassados. As raízes do futebol brasileiro andam carentes e distantes destes personagens que alegram nosso esporte e reduzem o espaço entre as arquibancadas e os campos de jogos.


Nosso querido "Papai Joel" tem todo o direito de falar seu inglês "macarrônico" da forma que melhor convier. Ele terá sempre os aplausos, simpatia e respeito que merece!

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