Amigos, desde que me conheço por gente, os políticos sempre tentaram se prevalecer das conquistas de nossos atletas para aparecer lindos e formosos nas fotos. Iniciativas e apoio, de fato, são raridades neste mar de descaso e falta de interesse na evolução esportiva do país.
Foi assim nas Copas de 58, 62 e 70 (esta última, inclusive, com a saída forçada do treinador João Saldanha por conta das divergências políticas com o governo da época). O que me dá náuseas, de fato, é que estes senhores engravatados não ajudam em nada e, na hora da comemoração, aparecem sorrindo nas revistas e nos jornais ao lado dos campeões.
Ninguém aguenta mais ver o time do Bernardinho no palácio do Planalto todos os anos para levar a medalha ao presidente que nada fez em prol dos atletas vencedores. É a velha história de sempre: "Uma boa ceia é deliciosa quando não se tem de preparar os pratos e comprar os ingredientes para cozinhar".
O governo continua com o foco errado nos esportes de alto rendimento. Com medidas do tipo "tapa buraco" nossas equipes e atletas precisam matar vários leões por dia para sobreviver. Como não lembrar das dificuldades que a ginasta Jade Barbosa viveu após se contundir e não ter respaldo algum da confederação, clube e governo?
César Cielo em diversos jornais e revistas detonou o governo com total razão. Está mais que na hora de suprimir esta palhaçada de "parada obrigatória" em Brasília para tirar foto com o presidente após a conquista de torneios importantes. Até porque, no dia a dia, suor a suor, dificuldade a dificuldade, este senhor não aparece e também não faz muita questão de saber o que está acontecendo. Especialmente nestes últimos meses quando literalmente deixou o país de lado para apoiar sua candidata.
Após tantas conquistas dentro e fora das piscinas, César disse com todas as letras "que não teve ajuda da confederação e muito menos do governo. Sua vitória se deve à ajuda de seu pai e de patrocinadores." Para tanto estava treinando nos Estados Unidos.O presidente da Confederação (CBDA) queria que ele voltasse para o Brasil e fosse ao Palácio do Planalto para fazer o cartaz do presidente. Coisas que ele rejeitou (o estômago também sofre com este tipo de imposição).Daí para frente foi ameaçado de ficar sem o pouco de facilidades que a Confederação lhe dava.
"Minha vitória tem muito pouco a ver com eles", disse o nadador quando participou do Troféu José Finkel, nas piscinas do Corinthians. "Querendo eles ou não, sou campeão olímpico, e isso eles terão que engolir. Desde que me tornei profissional, em março, paguei tudo: alimentação, hospedagem e até meu técnico (o australiano Brett Hawke)." Cielo ficou assustado, quando lhe perguntaram se a CBDA havia ajudado em alguma despesa. Sua resposta foi essa: "Sério que vocês estão me perguntando isso? Pensei que vocês estivessem brincando.''César Cielo contou que além de não receber auxílio da CBDA, teve problemas com o presidente Lula. "Entre outras ameaças, ele ameaçou suspender os pagamentos que eu vinha recebendo dos Correios, quando disse a ele que não viria para uma cerimônia no Palácio do Planalto. Ele vivia telefonando para meus pais, e não os deixava trabalhar sossegados. "Fiquei nervoso e treinei mal por uns dias. Esse é o governo que temos", completou César Cielo.
Pelo que se vê, o dedo do governo está em tudo. Atletas são obrigados a ir a Brasília para pedir a benção e fazer propaganda do presidente. O sorriso dos políticos brasileiros é apenas amarelo. Verde ficamos nós de raiva diante deste teatro dispensável, cheio de falsidades e ações malfadadas.
Por falar nelas, onde anda o tal departamento de Psicologia Esportiva que o presidente Nuzman promete há quase três mil anos? Vamos esperar a casa cair nas próximas Olimpíadas para que algo seja feito? Vale lembrar que seis anos passam voando. Logo os Jogos Olímpicos desembarcam no Brasil e a vergonha, pelo visto, ganhará várias medalhas de ouro.
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