Amigos, achei que já tivesse visto de tudo em termos de trabalho motivacional no esporte. Depois que o Cuca chamou um padre para motivar o Botafogo na época em que dirigia o time carioca, tive a certeza que a banalização dos aspectos motivacionais estava irremediável e irreversivelmente concretizada.
Como nesta vida, não há nada de ruim que não possa piorar e o modismo sempre fala mais alto, o Atlético Mineiro, dirigido pelo treinador Dorival Junior - à beira do rebaixamento e eliminado da Copa Sul Americana - convocou um comandante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) para ministrar algumas palestras aos atletas. Prefiro não comentar o resultado desta super operação, uma vez que palestras motivacionais isoladas e organizadas por outros profissionais que não sejam formados em Psicologia do Esporte costumam ser desastrosas.
Confesso que fico impressionado com a criatividade ímpar de boa parte dos dirigentes de futebol. Quando escutei o Samuel Rosa do grupo Skank comentando o fato, achei que se tratava de uma piada. Até porque, Samuel é torcedor fanático do Cruzeiro e não perderia a chance de tirar uma casquinha do rival.
Depois de assistir à entrevista do cantor, fui verificar a notícia e fiquei perplexo ao constatar que realmente o Galo mineiro está apelando para este tipo de ação. Para os amigos que estão com a lista em dia - segue alguns novos profissionais que se valem da crise das equipes para promover trabalhos isolados, sem base científica e totalmente desvinculado da Psicologia Esportiva: padres, engenheiros, comandantes de polícia, animadores culturais, motivadores de plantão, programadores mentais, pais de santo, ex-atletas de sucesso e vou parando a lista por aqui para não rasgar o meu diploma.
O Atlético Mineiro - com o futebol que tem demonstrado - pode até escapar da zona da degola. E se isso ocorrer (anotem), será muito mais pela ineficiência de Guarani, Avaí e Vitória e menos por conta dos trabalhos motivacionais apelativos que vem realizando.
A Psicologia do Esporte aplicada ao futebol ainda está muito presa aos livros. Enquanto não mudar a mentalidade de muita gente por aí, podem preparar novas listas de motivadores e animadores de auditório. Enquanto isso, os ares da segunda divisão ficam ouriçados com a possibilidade da (nova) visita de um grande clube do cenário brasileiro.
O que a torcida do Galo tem a ver com isso?
Nada. Rigorosamente nada.
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