Medo, profissionalismo, guerra urbana, futebol empresa, mala branca e ameaças. Dentro deste cenário, o futebol brasileiro chega (mais uma vez) nas últimas semanas cercado por incertezas.
Equipes que não tem mais motivos para dar o sangue dentro de campo jogam desmotivadas e ainda com os olhos desconfiados de suas torcidas. Resultados que possam ajudar os rivais são compreendidos como uma afronta aos apaixonados e fiéis seguidores.
Grafite é lembrado negativamente pela torcida do São Paulo por ter marcado dois gols que salvaram o Corinthians da queda para a segunda divisão do Campeonato Paulista em 2005. Já Gerson Caçapa (ex-Palmeiras), fez o que ficou conhecido como o gol maldito' em 1988. Sim, amigos, o palmeirense derrotou o São Paulo e colocou o Corinthians a uma vitória diante do Guarani para se sagrar campeão paulista(como de fato ocorreu).
João Paulo - ex-atacante do Corinthians em 1988 - assim comentou a situação atual dos nossos atletas considerando improvável nova ajuda palmeirense: "A violência urbana cria barreiras para o profissionalismo. O jogador hoje fica coagido, infelizmente. Ele fica com medo de represália. O homem em si tem que ser profissional. Mas os tempos são outros. Existem ameaças extracampo. E o jogador primeiramente vai pensar na família".
Em meio a este calendário maluco do futebol brasileiro, fica a questão: "qual o nível de motivação que o time do Palmeiras terá para derrotar o Fluminense visto que o Brasileirão já não tem o menor significado e os jogadores lutam por uma vaga na Libertadores caso conquistem a Sulamericana"?. Não precisa ser psicólogo para responder.
Em contrapartida, o time carioca entrará com força e motivação máximas para o duelo contra o Palmeiras. No cabo de guerra, o lado tricolor estará potencialmente mais forte e dedicado.
Ano passado o Corinthians perdeu para o Flamengo em Campinas e praticamente coroou o título dos cariocas deixando seus rivais paulistas sem chance de almejar o campeonato nacional. Não tenham dúvidas que se o alvinegro tivesse ganho aquele jogo, hoje, o responsável pela vitória estaria condenado pela fiel.
Interesses, pressões, cenas inusitadas e rivalidades temperam o final do Brasileirão 2010. Apenas uma coisa ainda não consegui entender: se tricolores cariocas vibram - nas arquibancadas - juntos com os paulistas e, certamente, estarão unidos a alviverdes na Arena Barueri, por que a violência não pode ser controlada? Afinal, me parece que quando há um objetivo comum (mesmo que não seja lá desportivamente muito indicado) a paz, alegria e união são possíveis nos estádios.
Doce derrota, jogo da vergonha, vilão pela vitória e forças antagônicas ao que se espera em competições esportivas ganharam espaço em todos os lugares do mundo. A criançada cresce com estes valores que, de uma forma ou de outra, servirão de exemplos para suas condutas dentro e fora do esporte. Uma pena, sem dúvida.
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