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Neymar não é, não deve e nem pode ser anjo

São Paulo (SP)

Amigos, em primeiro lugar, gostaria de dizer que gostei muito da performance coletiva da nossa Seleção. Um time mais solto, menos carrancudo e com um futebol mais rápido e vistoso. O gol do Messi foi sensacional e o Douglas, sem dúvida, não o esquecerá tão cedo. Aliás, o meio gremista estava visivelmente desligado da partida quando foi surpreendido pelo argentino ainda no meio de campo. O final da jogada todos já sabem.

No entanto, um fato me chamou a atenção (aliás, há algum tempo tem despertado minha análise): Neymar está virando um santo na tentativa de modificar seu comportamento. O problema é que seu futebol está se beatificando também. Ora, não é porque o René Simões comentou que "está se criando um monstro" no futebol que o garoto tem de virar uma alma santificada e caridosa.

Falar de futebol é - obviamente, incluir a malícia, malandragem, molecagem e alegria. Tudo feito com bom senso e inteligência. Neymar anda calado, amuado, quietinho no canto dele e, de vez em quando, tenta arrancadas e dribles que, ultimamente, tem sido brecados facilmente pelos zagueiros e marcadores adversários.

A questão em foco é adaptação. A energia emocional e psicológica de ativação do garoto precisa ser lapidada e não aniquilada como desejam muitos. O garoto está com a cabeça tão cheia que resolveu se calar e apenas correr em campo. Adequar seu comportamento, ensinar normas, regras, condutas positivas e ética é uma coisa. A outra é pedir apenas para que ele jogue em silêncio e não crie problemas. Muito bem: ele não tem criado problemas nem demonstrado mais aquele talento que - precocemente - o consagrou.

Sua parte física também precisa ser treinada e revista. Neymar está muito fraco para trombar com zagueiros e volantes adversários. Alguns insistem em achar que o atleta é "cai-cai". De fato, o atleta ainda procura forçar algumas faltas. Por outro lado, sua fragilidade física é gritante e um trabalho de fortalecimento mais bem dirigido se faz necessário para que o jogador encare os desafios europeus que certamente estarão por vir.

Alerta aos dirigentes do Santos, presidente Luis Álvaro, diretor, superintendente de futebol e psiquiatra (?!) que está no clube: se querem o bem do garoto, não tentem transformar radicalmente o comportamento de Neymar. Ele precisa (e muito) de uma energia que possivelmente os senhores desconheçam a importância. É o combustível que faz o menino arrancar suspiros da torcida e deixar os adversários desnorteados em campo. Para isso, é imprescindível considerar o processo de adaptação comportamental com todas suas nuances e prioridades. Do contrário, um anjo exterminador dificilmente será visto nos ares da Vila e nos campos do mundo.

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