Amigos, quando penso que já vi de tudo neste mundo maluco do futebol, sempre aparece uma surpresa disfarçada de zebra. Desta vez foi o rebaixado Goiás, que eliminou o Palmeiras da final da Copa Sul-americana.
Jogando com o time titular (reserva para o Felipão), a equipe de Palestra Itália demonstrou apatia, fragilidade defensiva, desconcentração, falta de comunicação e um nervosismo inexplicável durante o jogo.
O Palmeiras não assimilou bem o gol de empate do Goiás ainda no final do primeiro tempo e, na etapa final, praticamente não entrou em campo e foi completa e totalmente dominado pelo time adversário. Méritos, aplausos e todo merecimento aos goianos!
Em meio a uma turbulência política no clube e contando com um elenco dos piores nos últimos tempos, o Palmeiras se despediu de 2010 em clima melancólico. Todos ali sabem que a única jogada técnica e efetiva do grupo está nos pés de Marcos Assunção. Com o Valdívia fora por conta de lesão, o time ficou órfão na criação e em todo o setor de armação.
Ainda assim, quem - em sã consciência - poderia imaginar que o Palmeiras seria eliminado da tão sonhada final sul-americana após uma década de espera? A verdade é que este resultado derrubou meio mundo que já colocava o alviverde paulista na final. Inclusive este colunista.
Os primeiros dez anos deste milênio não deixarão saudades no coração do torcedor palestrino. Felipão demonstra um desgaste visível à frente do clube que paga um salário astronômico ao treinador. O psicológico do grupo - quando foi realmente testado - ruiu diante das armadilhas da ansiedade e ausência de concentração.
O clima no Palmeiras estará ainda mais complicado nos próximos dias. Felipão comentou que "vencendo ou perdendo a partida contra o Goiás, o time que entrará em campo no domingo será o mesmo que o dos jogos anteriores e recentes" - portanto, ironias do técnico à parte, ele virá com o grupo reserva diante do Fluminense.
O fato, amigos, é que o treinador do Palmeiras deitou, rolou e se divertiu com as notícias da imprensa nos últimos dias - como se sua equipe já estivesse na final da Sul-americana e o Brasileirão fosse coisa do passado (sem valor algum).
A torcida do Palmeiras está inconformada. E não é para menos. Como explicar o inexplicável para aqueles garotos chorando após a partida?
Nesta hora, de fato, a garganta trava e o peito chora. Não se pode brincar com o futebol. Ele é implacável e imprevisível. Todo cuidado é pouco. Mais uma lição para cartolas, treinadores e aplicadores de testes psicológicos no futebol brasileiro.
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