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Futebol feminino e a logística pobre

São Paulo (SP)

Torneio internacional merece organização de primeiro mundo, certo? Então... Eu esperava exatamente isso ao comparecer, domingo, à partida Brasil x Holanda, mais que uma partida oficial, parte de um evento importante do futebol feminino mundial.

Bem, chegando lá, primeira coisa estranha: no alto das numeradas, o largo corredor de acesso às cabines de rádio e TV, onde normalmente se colocam dezenas de banheiros químicos, havia diversos deles como sempre, sim, só que "de costas". Quer dizer, a face frontal voltada para a parede. Portanto, inacessíveis. Liberados, apenas dois (femininos) entre uma dezena. Custava deixá-los todos na posição normal?

Ao buscar (como de hábito faço) as escalações oficiais, na cabine do placar eletrônico, quebrei a cara. Disseram-me que não iriam exibir porque não estavam autorizados (!!!!!!!!!). Por que não? Ninguém sabia. Faltavam uns trinta minutos para a partida começar. Como eu já conhecia o time brasileiro, teria de me "virar" para saber os nomes das garotas holandesas.

Passo por uma lanchonete e a vejo sem nada e sem ninguém. Caminho uns tantos metros, mesma coisa. Consulto um funcionário e sou informado de que conseguiria comprar um lanche se descesse os degraus das cadeiras cobertas e "garimpar" um ambulante. Menos mal, fiz o que ele aconselhou e deu certo. Na caminhada, ainda fui abordado por um cidadão que subia e descia, desorientado na busca do lugar indicado no ingresso.

Tive pena, tentei ajudar, mas acabei tão perdido quanto ele.

Bem, tudo quanto estranhei seriam coisas rotineiras só que não adotadas pelos organizadores. Falha de quem, nem interessa. O importante é que não podem faltar providências tão elementares num evento, um evento internacional, um campeonato em que o Pacaembu acolhe seleções (além da brasileira) que vêm de longe - Canadá, México e Holanda.

Logística - esse o nome daquele rol de soluções de apoio aos frequentadores de um estádio.

Brasil: raça, vitória e emoção

Bem, tudo que falei acima foi compensado pelo mais importante: o jogo. Uma partida incrível, de primeiro tempo aparentemente fácil para a seleção, mas que, depois, se complicou barbaridade porque elas conseguiram o empate que perdurou até o fim da fase. Isso levou as duas equipes a um segundo período disputadíssimo.

Seleção verde-amarela atirada ao ataque constante, maciço, obsessivo e holandesas atentas, de olho nas chances de contra-ataque. E foi numa dessas que elas fizeram seu surpreendente segundo gol, provocando ainda maior reação das brasileiras. Não teve como impedir: a temperatura subiu. Sem deixar de lado sua qualidade no trato da bola, as companheiras da grande Marta aumentaram a potência de sua garra e foram buscar em frenética ocupação do território adversário, uma vitória emocionante. Várias vezes os lances na área da goleira visitante chegaram às raias do dramático. Em todas elas, no bate-rebate, Quarenta e nove do segundo tempo, faltando dois para o fim dos acréscimos, explode o Pacaembu. Terceiro gol brasileiro obtido no fervor das craques (sim, craques) que não admitiam obter só um ponto. Impunham-se a obrigação de alcançar os três para confirmar sua categoria espetacular.

Quem não viu perdeu um registro de futebol que entra para a história, um belíssimo show de bola marcado por um componente que é, mais do que nunca, indispensável nas competições por equipes - a garra.

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