Colunistas - ( )

Congoleses pintam e bordam no nervosismo Colorado

São Paulo (SP)

Amigos, nestes últimos dez anos que escrevo para a GE.Net, confesso que não me recordo de uma derrota tão emblemática ocorrida pela falta de um preparo emocional e psicológico como esta do Inter de Porto Alegre para o circense futebol congolês.

Nestes últimos anos - o que mais disse por aqui foi: "A presença de trabalhos psicológicos não necessariamente garantem a vitória. Por outro lado, sua ausência, em alguns momentos, determina a derrota". Dito e feito!

Sisudos, tensos, desconcentrados, ansiosos, nervosos e desentrosados. Neste panorama comportamental, o time dirigido pelo treinador Celso Roth deu adeus ao título do Mundial de clubes.

Do outro lado, os congoleses do Mazembe entraram em campo alegres, leves, descontraídos e demonstrando raça, concentração e muita inteligência tática (apesar da inferioridade técnica que, desta vez, foi superada pelo equilíbrio emocional de seus atletas).

O Inter não soube jogar com o favoritismo. Aliás, foi duramente derrotado por ele. Seu adversário, no entanto, usou a total ausência de favoritismo para entrar em campo sem maiores responsabilidades. O resultado desta equação: a equipe brasileira sucumbiu diante da falta de preparação psicológica e emocional. Aliás, o Inter nunca foi lá muito adepto ao trabalho de psicólogos do esporte. Esta área do treinamento esportivo foi administrado por profissionais de outras áreas que jamais deveriam ter ingressado neste meio.

De toda forma, não adianta chorar o leite derramado. Esta derrota deveria servir de exemplo para todos os demais times brasileiros (incluindo nossa seleção) para priorizar a preparação psicológica feita de forma correta, séria e científica.

Chega de vídeos, histórias para emocionar jogadores, musiquinhas motivacionais e um monte de papo furado antes dos jogos. É preciso encarar a mente e as emoções de uma forma mais profissional e coerente. Além das incalculáveis fortunas em jogo - existe uma esfera humana que pede socorro no nosso futebol. E não é de hoje.

O Inter protagonizou uma triste página do descaso e falta de interesse dos dirigentes por esta área. Vocês leram os comentários depois do jogos? O treinador Celso Roth disse que "faltou a bola entrar". Pois é, professor.

Aliás, os ares gaúchos, pelo visto, não fizeram bem a ele que, ao final da partida, repetiu o comportamento do ex-treinador da nossa seleção, entrando rapidamente para o vestiário após a eliminação na última Copa sem, ao menos, cumprimentar o treinador adversário que o procurou no banco de reservas após o término da partida. O que dirá de seus comandados que, deitados no gramado, choravam a eliminação?

Explicar o inexplicável? Nada disso. Quando ninguém fala sobre tática, técnica e preparação física, sobra um imenso ponto de interrogação na mente dos treinadores e dirigentes.

Até quando farão vistas grossas para a estruturação de departamentos de Psicologia nos clubes?

Parabéns pela alegria, ginga, seriedade e musicalidade do futebol africano. Aos brasileiros colorados, resta juntar os cacos e tentar montar (e compreender) este quebra-cabeça tão óbvio e evidente.

O futebol, amigos, também se perde com a cabeça!

Publicidade

Últimas Notícias

Publicidade