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Freguês da França em Copas, Brasil tenta quebrar jejum de 19 anos

Bruno Ceccon e William Correia São Paulo (SP)

AFP
Técnico Mano Menezes orienta elenco do Brasil
Apesar de levar vantagem no confronto direto com a França, o Brasil é um verdadeiro freguês da seleção europeia em Copas e jogos oficiais. Superior apenas em partidas de caráter amistoso, o time canarinho tenta quebrar um jejum de 19 anos sem vencer o rival às 18 horas (de Brasília) desta quarta-feira, no Stade de France, palco do vice-campeonato mundial de 1998.

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Última vitória teve palmas e "fora Collor"

Sucessor de Dunga no comando do Brasil, Mano Menezes tenta sua primeira vitória contra um adversário expressivo, já que caiu diante da Argentina após vencer com facilidade Estados Unidos, Ucrânia e Irã. Na única derrota do atual treinador, o carrasco Zinedine Zidane estava nas tribunas em Doha como embaixador da candidatura do Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022.

Na França, Mano Menezes deve escalar a equipe com algumas novidades. Titular na Copa do Mundo da África do Sul, o goleiro Júlio César está de volta. No meio-campo, Hernanes, que deixou o São Paulo para defender a Lazio, e Renato Augusto, revelado no Flamengo e atualmente no Bayer Leverkusen, são favoritos para atuar desde o início da partida.

Nascido no dia 8 de fevereiro de 1988, Renato Augusto recebeu a chance entre os titulares como um presente de aniversário. "Eu amadureci bastante e estou num bom momento na carreira. É claro que ainda não é uma certeza que vou jogar, mas estou pronto para essa oportunidade. Se eu jogar cinco ou 90 minutos, para mim a importância será a mesma", declarou.

Empossado após o fiasco protagonizado por Raymond Domenech na África do Sul, o ex-zagueiro Laurent Blanc terá uma nova oportunidade de enfrentar o Brasil no Stade France na medida em que, suspenso, desfalcou a seleção francesa na final de 1998. O técnico iniciou sua trajetória com derrotas contra Noruega e Bielo-Rússia, mas vem de triunfos diante de Bósnia, Romênia, Luxemburgo e Inglaterra.

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Suspenso em 1998, Blanc é técnico da França
"Nós somos uma das nações que mais atormentam o Brasil. Estamos jogando contra uma das melhores equipes do mundo, mas vamos entrar com todas as nossas forças", afirmou o ex-zagueiro, de forma respeitosa. "Jogar contra o Brasil é uma honra, um privilégio. Não é sempre que isso acontece e por isso os jogadores vão se doar ao máximo", declarou.

O lembrete de Laurent Blanc na véspera do confronto faz sentido. Em Copas do Mundo, a França contabiliza duas vitórias, uma derrota e um empate seguido de triunfo nos pênaltis. Em jogos oficiais, os europeus têm apenas um tropeço em cinco encontros. A seleção brasileira leva vantagem somente nos amistosos (tem quatro vitórias, três empates e um revés).

O Brasil venceu a França pela última vez no dia 26 de agosto de 1992. Então sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira, o time canarinho bateu os donos da casa no Estádio Parque dos Príncipes por 2 a 0 com gols de Raí e Luís Henrique. Desde então, a seleção virou pentacampeã mundial ao conquistar os títulos de 1994 e 2002, mas acumulou uma série de dois empates e três derrotas contra os gauleses.

Escalado em 1992, Mauro Silva ficou surpreso ao saber que participou do triunfo mais recente contra a França. "Foi a última vitória? Nossa, faz muito tempo. O Raí estava muito bem, era o nosso capitão. O meio comigo, o Raí e o Luís Henrique jogou junto por muito tempo e tinha a confiança do Parreira, que estava começando o trabalho", disse o ex-volante à GE.Net. "Esse amistoso de agora tem uma significado enorme, porque a França sempre costuma complicar e não é desde 1998, é desde 1986. Nunca é só um amistoso, porque tudo isso aumentou a rivalidade. Temos que tentar ganhar sempre", afirmou.

Já o ex-lateral Júnior, também presente em 1992, vê semelhanças entre as escolas dos dois países. "Aquele meio-campo da França de 1986 tinha uma técnica e uma inteligência muito grande, comparáveis às do Brasil de 1982. Desde 1978, a França tem gerações acima da média. O jogo de agora tem uma conotação muito mais importante do que o de 1992, porque o Mano está formando uma nova seleção e fazendo experiências. Não espero uma repercussão negativa em caso de derrota, mas vai continuar aquela história de resultados negativos contra os franceses", analisou.

VEJA O HISTÓRICO DO CONFRONTO BRASIL x FRANÇA
Acervo/Gazeta Press
Escalado no amistoso de 1992, Júnior também enfrentou a França nas quartas de final da Copa de 1986
Placar Campeonato Data
França 1 X 0 Brasil Copa do Mundo 01/07/2006
Brasil 0 X 0 França Amistoso 20/05/2004
Brasil 1 X 2 França Copa das Confederações 07/06/2001
França 3 X 0 Brasil Copa do Mundo 12/07/1998
Brasil 1 X 1 França Torneio da França** 03/06/1997
Brasil 2 X 0 França Amistoso 26/08/1992
Brasil 1 X 1 França* Copa do Mundo 21/06/1986
Brasil 3 X 1 França Amistoso 15/05/1981
Brasil 0 X 1 França Amistoso 01/04/1978
Brasil 2 X 2 França Amistoso 30/06/1977
Brasil 3 X 2 França Amistoso 28/04/1963
Brasil 5 X 2 França Copa do Mundo 24/06/1958
Brasil 3 X 2 França Amistoso 01/08/1930
Fonte: CBF/*Nos pênaltis, a França venceu por 4 a 3/**Torneio considerado amistoso


Diante da França, o Brasil viveu algumas de suas maiores tragédias futebolísticas, e a torcida elegeu vilões que convivem com a pecha até hoje. Nas quartas de final de 1986, após Zico desperdiçar um pênalti no tempo normal, Sócrates e Júlio César fizeram o mesmo nas cobranças. No entanto, o lance mais lembrado é a infelicidade do goleiro Carlos no chute de Bruno Bellone.

Na final da Copa de 1998, o Brasil, então defensor do título, perdeu por 3 a 0 para os anfitriões após o centroavante Ronaldo sofrer uma convulsão na concentração em um episódio ainda não esclarecido. Oito anos depois, na Alemanha, o meia Zinedine Zidane voltou a fazer a diferença e deu a assistência para o atacante Henry marcar o único gol das quartas de final, enquanto o lateral Roberto Carlos arrumava suas meias.

Para completar a série de insucessos, o Brasil perdeu para a França na decisão da medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984. Os jogadores profissionais atuaram de forma inédita no torneio, desde que não tivessem participado de Copas do Mundo. O técnico Jair Picerni apostou em uma base do Internacional e perdeu a final por 2 a 0 com nomes como Dunga e Mauro Galvão em campo.

Para vencer seu único jogo oficial diante da França, o Brasil precisou de Pelé e Garrincha, que jamais foram derrotados juntos com a camisa da seleção. Na semifinal da Copa da Suécia, o time então comandado por Vicente Feola eliminou a equipe do artilheiro Just Fontaine ao vencer por 5 a 2. Na época com 17 anos, Édson Arantes do Nascimento marcou três gols.

França x Brasil - 09/09/2011

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