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Futsal/Bastidores - ( - Atualizado )

Contraste de Falcão, melhor do mundo no feminino mora em uma república

Marcelo Belpiede São Paulo (SP)

Em 14 de outubro, a conquista do Brasil no Campeonato Sul-americano Feminino de futsal foi praticamente ignorada no país: faz parte do triste retrato do apoio restrito à modalidade. Então, muitos dos fãs do esporte da bola pesada também não devem conhecer a melhor jogadora do mundo da modalidade eleita por especialistas através do site Futsal Planet, uma brasileira, a ala Vanessa, que atua no Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora, de Chapecó (SC).

O futsal feminino está longe de ter a visibilidade do masculino. Sem o acompanhamento da mídia e transmissões pela televisão, os patrocínios são mais humildes. O resultado aparece no bolso dos atletas: até a melhor do mundo aceita a moradia oferecia por sua equipe em uma república para evitar gastos maiores. "Eu moro com outras sete meninas em uma casa", conta Vanessa.

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Por outro lado, o futsal feminino conseguiu dar passos importantes. No Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora, todas as jogadoras da categoria adulta são profissionais. Obviamente, os salários estão longe dos seis dígitos pagos, por exemplo, ao astro Falcão. "Uma jogadora de ponta ganha recebe, no máximo, uns R$ 3.500 ou R$ 4 mil. E algumas podem receber um salário mínino, depende do nível", explica Vanessa.

Divulgação/CBFS
Vanessa (esq) foi considerada a melhor jogadora do Campeonato Sul-americano de futsal, na Venezuela

A grande preocupação da melhor do mundo é a falta de segurança no futsal. Por isso, junto com os treinos diários - e até em dois períodos às terças e sextas -, Vanessa faz faculdade de fisioterapia no convênio com a Unochapecó. Ela chegou a desistir da experiência no futebol espanhol - no Burela - para completar os estudos.

"O futsal pode durar mais quatro ou cinco anos na minha vida, não sei. A faculdade é para a vida inteira, tenho mais um ano e meio para completar. A estabilidade não é tão grande como no masculino, não se ganha tão bem", justifica.

Apesar de todos os obstáculos e receios quanto ao futuro, Vanessa não se arrepende de buscar o sonho que moveu a sua vida. "Meu pai e minha mãe deram força desde o início, eu sempre quis ser uma jogadora de futsal", comemora a ala, que conta com o apoio de seu técnico em Chapecó, Eder Popiolski, para não desistir. "Se essa modalidade fosse reconhecida, a Vanessa seria o Falcão", completa.

Divulgação
Vanessa recebe prêmio de Marcos Sorato, técnico da Seleção masculina de futsal
Talento nato: O futsal começou cedo para a ala nascida em Patos de Minas. Aos cinco anos, Vanessa se interessou pelo esporte ao observar uma escolinha de futsal montada pelo seu pai, um ajudante de serviços gerais.

"Nós morávamos dentro de uma escola, meu pai tinha acesso às quadras. Ele nem é professor de Educação Física, fazia isso porque gostava. Ali começou o meu encanto, jogava com os meninos, já que as meninas não tinham muito interesse", diz a craque.

Aos 12 anos, Vanessa entrou para uma escolinha de verdade na região de Patos e, ao participar de competições, sua qualidade técnica floresceu. Cinco anos depois, ela foi descoberta nos Jogos Brasileiros Estudantis e passou atuar pelo time de Governador Valadares. O futsal já era algo sério na vida da atleta.

"Em 2005, joguei a Taça Brasil, fomos campeões e a equipe de Caçador (SC) me fez uma proposta. Então, desde 2006 eu jogo aqui no Sul", explica a atleta de 23 anos.

Dados da melhor do mundo no futsal
DivulgaçãoNome: Vanessa Cristina Pereira
Naturalidade: Patos de Minas (MG)
Data de Nascimento: 02/02/1988 (23 anos)
Posição: Ala
Altura: 1,57m
Peso: 51kg
Clubes: Minas/Governador Valadares, Kindermann/Caçador, Burela-ESP e Unochapecó/NTozzo/Aurora
Torneios conquistados: Campeonato Sul-americano, Torneio Mundial de Seleções e Campeonato Mundial Universitário (pela Seleção Brasileira); Campeonato Mundial Universitário, Copa das Nações, Liga Futsal, Jogos Abertos Brasileiros, Campeonato Catarinense, Mundial Interclubes, Olimpíadas Universitárias Brasileiras, Jogos Abertos de Santa Catarina (pelo Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora).

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