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Jogos Pan-americanos de 2011/Bastidores - ( - Atualizado )

Fãs de lucha libre 'dispensam' o Pan e lutadores desconhecem Anderson Silva

Bruno Ceccon (textos) e Sergio Barzaghi (imagens) Guadalajara (México)

Admiradores de nomes como Rodolfo Cavernário, Médico Assassino e Fantasma Negro, os fãs de lucha libre 'dispensam' os Jogos Pan-americanos de Guadalajara. A chance de ver de perto astros como o brasileiro César Cielo, atual campeão olímpico, não seduz alguns mexicanos, fiéis à modalidade que é tradição no país, a ponto de os lutadores desconhecerem Anderson Silva, ícone do MMA.

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Nadadora usa máscara em final

Em Guadalajara, as modernas instalações dos jogos Pan-americanos, como o Centro Aquático de Scotiabank, dividem espaço com a Arena Coliseo, um templo da lucha libre mexicana, famoso por sua calçada da fama. No mesmo dia em que Thiago Pereira nadou em uma das duas piscinas de 50 metros do complexo aquático, cerca de 1,2 mil pessoas preferiam ver os combates no surrado ginásio da década de 1950.

"A realização do Pan não nos prejudica em nada, pelo contrário. Tem gente que está na cidade para o Pan-americano, termina de assistir as provas de ciclismo, natação ou tênis e depois vem para a luta livre. Esperamos receber ainda mais gente", avisou Rubén "Pato" Soria, ex-lutador e gerente da Arena Coliseo, que abriga combates todas as terças, sextas e domingos.

Se nos Jogos Pan-americanos os atletas precisam estar no auge da forma para competir em busca do ouro, a lucha libre é mais democrática e abriga todos os tipos físicos, de anões a obesos. No entanto, a modalidade exige uma preparação intensa, já que os golpes aplicados em cima do ringue são treinados e cada vez mais elaborados, praticamente circenses.

"Quando eu lutava, os combates eram mais corpo a corpo, parecidos com a luta olímpica. Agora, é mais espetáculo, com muitos vôos", apontou Soria, que atuou de 1964 a 1974, quando teve sua carreira interrompida por um acidente de carro. Fã do futebol brasileiro, ele viu todos os jogos da Seleção no Estádio Jalisco na Copa de 1970 e batizou o filho, também lutador, de José Jair para homenagear o ex-atacante Jairzinho.

Ainda que os golpes sejam claramente orquestrados, os combatentes participam de campeonatos, com direito a cinturões em jogo. O lutador Sagrado, conhecido como o Bendito do Ringue, garante que não há simulação e sustenta que a luta livre também é uma mistura de artes marciais, apesar de assumir que determinados tipos de golpe são evitados evitados.

"Atuamos somente nos momentos de levantar os braços e pedir aplausos para o público, uma vez que os golpes são todos reais. A luta livre une o boxe, o caratê, o full contact, o kick boxing... Utilizamos diferentes artes marciais, mas em uma intensidade um pouco mais baixa. Aqui, os golpes são no peito, nas costas e nas pernas. Evitamos golpes na cara, porque pode diminuir o rendimento do nosso adversário", explicou.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O Leão Branco (à direita) desconhece Anderson Silva e, além de lutar, fabrica os trajes e máscaras dos lutadores
Boa parte dos combatentes mexicanos da atual geração iniciou a carreira influenciada pelos filmes protagonizados por Rodolgo Guzmán Huerta, mais conhecido como El Santo. O lutador que iniciou a carreira nos anos 1930 e faleceu em 1984 é uma verdadeira lenda da modalidade e contribuiu decisivamente para tornar a lucha libre parte da cultura mexicana.

Diferente do Brasil, no qual o MMA virou febre no embalo do sucesso de Anderson Silva, no México a modalidade é incipiente. A fama de Tito Ortiz e Cain Velasquez, dois méxico-americanos, no Ultimate Fighting Championship (UFC) ainda não foi suficiente para popularizar o segmento no país-sede dos Jogos Pan-americanos, talvez pelo espaço cativo da lucha libre.

Atualmente, o maior nome do MMA é Anderson Silva, detentor do título dos médios do UFC e empresariado por Ronaldo Fenômeno. Para os lutadores mexicanos, no entanto, o brasileiro passa despercebido. Questionados pela GE.net sobre o lutador, os adeptos da lucha libre até ficaram sem jeito de assumir o desconhecimento.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Os lutadores fazem caras e bocas em ação
"Já ouvi falar sobre esse Anderson Silva, mas nunca o vi lutar. Se formos do mesmo peso, por que não enfrentá-lo?", questionou Ráfaga, que herdou o nome do pai. O Leão Branco também cometeu o desatino de desafiar o brasileiro. "Podemos fazer de tudo aqui. Se não me engano, cheguei a assistir um combate dele e parece ser um bom lutador", afirmou.

Atualmente, alguns promotores de lutas mexicanos se esforçam na tentativa de popularizar o MMA no país. Pouco antes do início dos Jogos de Guadalajara, a cidade recebeu a segunda edição do recém-criado Total Fight Championship (TFC). O evento, por sinal, foi realizado no mesmo local que abrigará as lutas de boxe do Pan-americano.

Em Guadalajara, a lucha libre ainda tem um público cativo, suficiente para proporcionar um lucro mensal de aproximadamente R$ 130 mil para a Arena Coliseo, mas está em retração no cenário nacional, em parte pela fiscalização rigorosa dos órgãos públicos, que alegam falta de segurança para os lutadores. "Acho que a modalidade está diminuindo um pouco e temos que trabalhar com vontade para que isso não aconteça", reconheceu Ráfaga.

NADADORA CANADENSE USA MÁSCARA DE LUCHA LIBRE
Foto AFP
Irreverente, a canadense Gabrielle Soucisse entrou em cena mascarada para disputar a final dos 200m costas dos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, na última quinta-feira. Os torcedores mexicanos gostaram da iniciativa, mas a nadadora foi apenas a sexta colocada na prova vencida pela norte-americana Elizabeth Pelton, que estabeleceu o novo recorde do campeonato. Na mesma disputa, a brasileira Fernanda Alvarenga ficou no oitavo posto. No México, a lucha libre também é praticada por mulheres.


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