O desempenho dos lutadores em cima do ringue da Arena Coliseo é apenas um detalhe do espetáculo, e não apenas porque frequentemente eles saem do espaço delimitado para continuar a briga do lado de fora. Ao som de uma versão mexicana da música "Eye of the Tiger", trilha sonora dos filmes de Rocky Balboa, o evento conta com musas e 'insultos amistosos' dos torcedores.
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O ingresso mais barato para a Arena Coliseo custa 60 pesos mexicanos (R$ 7,00) e o mais caro, 140 (R$ 18,00). No setor popular, afastado do ringue e delimitado por uma grade, os fãs ficam de pé, atrás da área nobre, na qual os espectadores acompanham as lutas sentados e em meio a vendedores ambulantes. Mais do que oferecer uma visão diferente do combate, os dois lugares opõem torcedores rivais, porém amistosos.
Enquanto os lutadores se estapeiam em cima do ringue, os integrantes dos diferentes setores fazem provocações mútuas e chegam a desviar o olhar do combate para focar os rivais. Na área popular, eles gritam: "os de baixo são putos". Na área vip, todos respondem: "vão perder o busão". O detalhe é que os xingamentos são proferidos pelos espectadores com sorrisos nos rostos.

De acordo com Rubén "Pato" Soria, a lucha libre tem propriedades terapêuticas para os torcedores que, ao final, saem todos juntos, independente dos setores. "É uma coisa medicinal. Se o cara apanha da mulher em casa, aqui ele grita para os outros pensando na mulher. Mas, na realidade, somos uma grande família", afirmou o gerente da Arena Coliseo.
Diante de um público predominantemente masculino, as musas contratadas para participar do espetáculo fazem sucesso. Antes de cada luta, um grupo de garotas em trajes insinuantes se posiciona dos dois lados da passarela através da qual entram os lutadores. Após o final do evento, já do lado de fora da arena, foram distribuídos prospectos do Krystal Men's Club, com o slogan "ilumina tu noche".
Com trajes espalhafatosos e máscaras, em um visual que mistura o melhor do figurino de Jaspion com um toque de Jiraya, os lutadores começam a brigar antes mesmo de chegarem ao ringue. O juiz, que também atua e toma enquadro dos combatentes, é uma mera formalidade. Os golpes são, evidentemente, ensaiados, mas aqueles que os recebem caem de forma teatral e ficam longos segundos se contorcendo no chão, enquanto os algozes sobem nas cordas e são ovacionados pelos torcedores.
Em uma das disputas acompanhadas pela reportagem, com um total de seis combatentes divididos em dois times, houve uma paralisação para que os lutadores se provocassem através do microfone da arena. Mais do que interagir com o público, alguns se atiram para fora do ringue, continuam a briga do lado de fora e caem em cima da plateia, às vezes quase derrubando ambulantes pelo caminho.
No final do último combate, os combatentes descem do ringue e atendem os fãs. As crianças, empolgadas, aproveitam para tirar fotos com os ídolos. Já algumas senhoras não perdem a chance de apalpar os musculosos brigões. Uma delas, mais assanhada, tentou arrancar a sunga de um lutador. Tudo isso em meio a disputa dos Jogos Pan-americanos de Guadalajara...
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