Um empate por 1 a 1 com o Red Bull, no dia 30 de outubro, em Campinas, sacramentou a eliminação do Juventus da Copa Paulista e marcou o encerramento das atividades do time de futebol do clube da Mooca neste ano. Mas o Moleque Travesso ferve fora dos gramados e pode mudar tudo para 2012: time, técnico, presidente e até estádio. Só não muda a necessidade de apostar no "futebol moderno".
A "Setor 2", principal torcida organizada juventina, prega "ódio eterno ao futebol moderno" e se posiciona contra a terceirização do departamento de futebol do clube. Para tristeza dos fanáticos, o time foi gerido pela empresa Planinvesti em 2011 e ainda assim não conseguiu alcançar o objetivo de subir para a Série A-2 do Paulistão.
O vínculo com a Planinvesti termina após a Copa São Paulo Júnior do ano que vem. Como o clube terá eleições presidenciais no dia 5 de dezembro, as partes adotam cautela para discutir a renovação. "Já apareceram outras empresas interessadas em nos ajudar a montar um time forte para 2012", revela Antônio Ruiz Gonsález, presidente e candidato a reeleição no Juventus.
| VIOLA QUASE ACERTOU |
Paulo Sérgio, ex-atacante do Corinthians que foi escolhido pela Planinvesti para comandar a diretoria de futebol e montar o elenco do Juventus quando a parceria começou, quase conseguiu um reforço de peso para o clube. "Tentei acertar com o Viola, era uma vontade minha. Nós conversamos, mas de última hora ele disse que encerraria a carreira e eu respeitei", conta o hoje ex-diretor, que deixou o Moleque após a Série A-3 para cuidar de negócios particulares. O cargo agora é de Laureto Lima Medrado. |
Todos os atletas que atuaram pelo Moleque durante a parceria são registrados no Clube Atlético Diadema, propriedade da Planinvesti, e têm seus direitos econômicos fatiados: 70% para a empresa, 30% para o Juventus. O clube tem o direito de ficar com os jogadores que desejar mesmo se o acordo não for renovado ou se Rodolfo Antonio Cetertick, candidato da oposição, for eleito no fim do ano.
Cetertick desaprova o atual investidor, mas sua proposta para o departamento de futebol não apresenta grandes novidades. "Outro dia ele esteve falando que não tem como negar esse tipo de ajuda", conta Armando Raucci, ex-mandatário juventino e atual presidente do Conselho Deliberativo, que aprova as ideias de Cetertick. "Eu não apoio, tenho de ser neutro. Só acho que ele é o melhor candidato por ser mais empresário e por ter sucesso em seus postos de gasolina", discursa.
Por enquanto, a única certeza é que o elenco será reformulado. O técnico Karmino Colombini foi o primeiro a abandonar o barco. "Queremos fazer uma estrutura nova. O Karmino já tinha conversas com o Ypiranga-RS e quis sair. Já estamos analisando alguns técnicos e garanto que só os melhores jogadores vão permanecer", diz o presidente do clube.
Não houve grande avanço no planejamento porque, além da disputa eleitoral, também não está definida a divisão que o clube disputará em 2012. Apesar de não ter conquistado o acesso em campo, o Juventus pode se aproveitar de uma virada de mesa da Federação Paulista e disputar a Série A-2.
Penapolense, Santacruzense, Velo Clube e São Carlos conquistaram o direito de irem à segunda divisão estadual ao garantirem as quatro primeiras posições da Série A-3 deste ano. No entanto, nenhum deles possui estádio com capacidade para 15 mil pessoas, exigência do regulamento.

As indefinições são muitas. Só é certo que o Juventus continuará contrariando sua torcida para tentar, a médio prazo, voltar a protagonizar molecagens na elite do Campeonato Paulista.
