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Contrariando torcida, Juventus mantém aposta no "futebol moderno" para 2012

Fellipe Lucena, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Um empate por 1 a 1 com o Red Bull, no dia 30 de outubro, em Campinas, sacramentou a eliminação do Juventus da Copa Paulista e marcou o encerramento das atividades do time de futebol do clube da Mooca neste ano. Mas o Moleque Travesso ferve fora dos gramados e pode mudar tudo para 2012: time, técnico, presidente e até estádio. Só não muda a necessidade de apostar no "futebol moderno".

A "Setor 2", principal torcida organizada juventina, prega "ódio eterno ao futebol moderno" e se posiciona contra a terceirização do departamento de futebol do clube. Para tristeza dos fanáticos, o time foi gerido pela empresa Planinvesti em 2011 e ainda assim não conseguiu alcançar o objetivo de subir para a Série A-2 do Paulistão.

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Antônio Gonsález (dir.), tem como trunfo nas eleições a parceria informal com o Palmeiras de Arnaldo Tirone: Juventus cede a Rua Javari, que recebeu o antigo gramado do Palestra Itália, para a equipe B do Verdão
Paulo Lofreta, presidente da investidora, considera utópico o ideal dos torcedores. "Aconteceram alguns protestos, nós entendemos. Só que dificilmente um clube consegue trabalhar sem um parceiro. Em nenhum momento interferimos de maneira agressiva no dia a dia, nós contratamos profissionais que conhecem o futebol, procuramos discutir tudo com a diretoria. A torcida cobra, exige como qualquer outra, mas esse pensamento (contra o futebol moderno) só seria bonito se pudesse ser posto em prática. Eu não acredito que você consiga manter um clube pagando salários em dia, com essa ilusão de viver só de renda ou sei lá como", disse à GE.Net.

O vínculo com a Planinvesti termina após a Copa São Paulo Júnior do ano que vem. Como o clube terá eleições presidenciais no dia 5 de dezembro, as partes adotam cautela para discutir a renovação. "Já apareceram outras empresas interessadas em nos ajudar a montar um time forte para 2012", revela Antônio Ruiz Gonsález, presidente e candidato a reeleição no Juventus.

VIOLA QUASE ACERTOU

Paulo Sérgio, ex-atacante do Corinthians que foi escolhido pela Planinvesti para comandar a diretoria de futebol e montar o elenco do Juventus quando a parceria começou, quase conseguiu um reforço de peso para o clube.

"Tentei acertar com o Viola, era uma vontade minha. Nós conversamos, mas de última hora ele disse que encerraria a carreira e eu respeitei", conta o hoje ex-diretor, que deixou o Moleque após a Série A-3 para cuidar de negócios particulares. O cargo agora é de Laureto Lima Medrado.

Todos os atletas que atuaram pelo Moleque durante a parceria são registrados no Clube Atlético Diadema, propriedade da Planinvesti, e têm seus direitos econômicos fatiados: 70% para a empresa, 30% para o Juventus. O clube tem o direito de ficar com os jogadores que desejar mesmo se o acordo não for renovado ou se Rodolfo Antonio Cetertick, candidato da oposição, for eleito no fim do ano.

Cetertick desaprova o atual investidor, mas sua proposta para o departamento de futebol não apresenta grandes novidades. "Outro dia ele esteve falando que não tem como negar esse tipo de ajuda", conta Armando Raucci, ex-mandatário juventino e atual presidente do Conselho Deliberativo, que aprova as ideias de Cetertick. "Eu não apoio, tenho de ser neutro. Só acho que ele é o melhor candidato por ser mais empresário e por ter sucesso em seus postos de gasolina", discursa.

Por enquanto, a única certeza é que o elenco será reformulado. O técnico Karmino Colombini foi o primeiro a abandonar o barco. "Queremos fazer uma estrutura nova. O Karmino já tinha conversas com o Ypiranga-RS e quis sair. Já estamos analisando alguns técnicos e garanto que só os melhores jogadores vão permanecer", diz o presidente do clube.

Não houve grande avanço no planejamento porque, além da disputa eleitoral, também não está definida a divisão que o clube disputará em 2012. Apesar de não ter conquistado o acesso em campo, o Juventus pode se aproveitar de uma virada de mesa da Federação Paulista e disputar a Série A-2.

Penapolense, Santacruzense, Velo Clube e São Carlos conquistaram o direito de irem à segunda divisão estadual ao garantirem as quatro primeiras posições da Série A-3 deste ano. No entanto, nenhum deles possui estádio com capacidade para 15 mil pessoas, exigência do regulamento.

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Torcida do Juventus defende o ódio ao futebol moderno, mas clube não tem outra saída
Além do Juventus, que jogaria no Pacaembu, Taubaté, XV de Jaú e Inter de Limeira podem ser beneficiados. Para isso, no entanto, será preciso que os clubes classificados deixem de apresentar laudos que comprovem as boas condições de suas arenas, emitidos pelo Contru (Departamento de Controle do Uso do Imóvel) e pelo Corpo de Bombeiros, até o dia 28 de novembro.

As indefinições são muitas. Só é certo que o Juventus continuará contrariando sua torcida para tentar, a médio prazo, voltar a protagonizar molecagens na elite do Campeonato Paulista.

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