Futebol/Eurocopa 2012 - ( - Atualizado )

Desconhecido no Brasil, Douglas quer disputar Euro pela Holanda

Adriano Garrett, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

A vontade de atuar no futebol europeu e a grande concorrência para obter uma vaga na Seleção Brasileira são fatores que levam muitos atletas do País a abandonar o desejo de vestir a camisa canarinho. Deco e Pepe (Portugal), Eduardo da Silva (Croácia), Thiago Motta e Amauri (Itália) e Roger Guerreiro (Polônia) são exemplos de jogadores que não chegaram a se destacar no futebol tupiniquim e preferiram se naturalizar para defender seleções do Velho Continente. O próximo nome nessa lista pode ser Douglas, que defende o Twente, da Holanda, desde 2007, e espera atuar pela Laranja Mecânica na próxima Eurocopa, que terá início em junho de 2012 na Polônia e na Ucrânia.

Natural de São Paulo, Douglas Franco Teixeira começou a carreira no Joinville em 2004, quando ainda fazia parte das divisões de base. Dois anos mais tarde, ele atuou pela primeira vez no time profissional do JEC, único clube que defendeu no futebol brasileiro. Seu desempenho na equipe catarinense foi elogiado por um olheiro do Twente, que o chamou para realizar testes na equipe em 2007. Após ser aprovado pelos holandeses, o jogador iniciou uma bem-sucedida trajetória no futebol europeu.

Depois de uma temporada de adaptação, Douglas se consolidou como titular do Twente justamente quando a equipe iniciou sua fase mais vitoriosa. Fundado em 1965, o clube conquistou seu primeiro e único troféu do Campeonato Holandês na temporada 2009/2010, no terceiro ano do zagueiro brasileiro na Europa. Além da liga nacional, o time também conquistou uma Copa da Holanda (2010/2011) e duas Supercopas (2010 e 2011).

Nesta entrevista por e-mail à GE.Net, Douglas lembra com carinho do início de carreira no Joinville e comemora o acesso da equipe catarinense à Série B do Campeonato Brasileiro. Após obter a cidadania holandesa no início do mês de novembro, o jogador analisa a sua evolução no país europeu e deixa claro o desejo de fazer parte o mais rapidamente possível da equipe vice-campeã na última Copa do Mundo.

GE.Net: Conte sobre a sua passagem pelo Joinville? Que recordações você guarda do clube catarinense?
Douglas: Foi onde praticamente tudo começou, né? Tenho boas recordações, apesar das dificuldades, uma estrutura muito distante da que disponho hoje, enfim, coisas normais de quem está começando uma carreira. Mas, de modo geral, guardo boas recordações daquele momento, até porque tudo aquilo teve muita importância para o que aconteceu e continua acontecendo na minha carreira.

GE.Net: Quais as dificuldades que você enfrentou no início da carreira?
Douglas: Dificuldades normais de quem está começando. Ficar longe da família e dos amigos para lutar pelo sucesso. Cheguei muito novo no Joinville, mas o nosso grupo era forte e unido e cada um ia se ajudando.

Divulgação/Site Oficial
Douglas comemora título do Campeonato Holandês na temporada 2009/2010
GE.Net: Você acompanhou a campanha do Joinville neste Campeonato Brasileiro da Série C? Ainda torce para o JEC?
Douglas: Eu sempre torço, mas é difícil acompanhar na televisão. Aí tem que ser pela internet mesmo....Torço para que o JEC volte à elite do futebol brasileiro.

GE.Net: Como surgiu o interesse do Twente no seu futebol, mesmo vindo de um clube sem grandes conquistas no futebol brasileiro?
Douglas: Através de um olheiro e do contato com meu procurador. As primeiras conversas surgiram e foram avançando sem muita dificuldade para chegarmos a um acordo. Foi tudo muito tranquilo e fluiu muito bem.

GE.Net: Como você analisa a sua evolução como jogador, desde a época do Joinville até a titularidade no Twente?
Douglas: A evolução foi monstruosa, no campo profissional e pessoal. Conquistei muitas coisas de lá para cá, amadureci muito, aprendi muito taticamente, melhorei minha parte física, meus atributos como jogador. Cheguei num nível físico e técnico que julgo muito bom, tanto é que há a possibilidade de defender a seleção holandesa, o que é uma satisfação muito grande para mim e motivo de muita felicidade.

GE.Net: Você recebeu recentemente a cidadania holandesa. Pretende defender a seleção do país europeu ou ainda tem esperanças de ser chamado para a Seleção Brasileira?
Douglas: Hoje eu estou muito determinado a jogar pela Holanda, tanto pelo fato de estar muito mais ao meu alcance aqui, como pela identificação que criei com este país, até por ligações familiares, já que minha mulher e filhas são holandesas.

GE.Net: O técnico Bert van Marwijk já conversou com você sobre uma possível convocação?
Douglas: Sim, já conversamos. Inclusive, no dia em que tirei minha cidadania ele me ligou para parabenizar e desejar sucesso. Espero continuar trabalhando bem e receber uma oportunidade.

GE.Net: Você já pensou na possibilidade de disputar a Eurocopa-2012 pelo time holandês?
Douglas: Sim, é um dos meus objetivos neste momento. Quero ser convocado, e estou trabalhando por isso, e garantir minha vaga dentro da seleção holandesa para a Euro, que é uma competição importantíssima.

Divulgação/Site Oficial
Douglas usa bandeira do Brasil em comemoração, mas pretende atuar na seleção holandesa a partir de 2012
GE.Net: Quanto tempo demorou a sua adaptação ao futebol holandês?
Douglas: Até que não demorou muito. As coisas fluíram bem. Tirando o idioma, que é um pouco mais complicado, dentro de campo eu fui bem, me adaptei rápido, sem muitas dificuldades. Tanto que nos últimos três anos eu sou eleito o melhor zagueiro do Campeonato Holandês (pela imprensa local).

GE.Net: Quais são as diferenças do futebol praticado no Brasil e na Holanda?
Douglas: Acho que a grande diferença do futebol brasileiro para o Europeu é a velocidade. Aqui os gramados são mais baixos, geralmente jogamos com ele úmido, e a bola corre muito mais, o que dá um dinamismo e velocidade muito maior para o jogo. Porém, em estilo, acho parecido com o holandês. É um futebol ofensivo, as equipes jogam para cima e isso é muito legal.

GE.Net: Você acredita que o Campeonato Holandês se iguala em nível técnico aos grandes torneios europeus, como os Campeonatos Inglês, Espanhol e Alemão?
Douglas: Eu acho que o futebol holandês tem um ótimo nível, assim como o futebol no Brasil e em alguns outros países da Europa. É um pouco difícil comparar com estes mercados citados, pois eles têm clubes mais ricos, mais verba para contratar estrelas e concentram boa parte dos principais jogadores do mundo lá. Este é um diferencial deles, porém, não tira o bom nível que temos aqui na Holanda. Não se esqueça que a escola de futebol holandesa é muito boa e a seleção é a atual vice mundial e tem jogadores nos grandes times do mundo.

GE.Net: Após mais de cinco anos no Twente, você pretende se transferir para um clube de maior expressão na Europa? Já recebeu propostas para sair?
Douglas: Alguns contatos já aconteceram, mas não avanaçamos nas conversas. Sobre uma saída, a gente nunca sabe o dia de amanhã, mas estou vivendo um momento tão legal no Twente e tenho mais um ano e meio de contrato.

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