Há quase 12 anos à frente da Federação Paulista de Atletismo (FPA), José Antônio Martins Fernandes, o Toninho, assumirá a presidência da Confederação Brasileira da modalidade (Cbat) a partir de 2013 e permanecerá, pelo menos, até 2016. Ele foi eleito nesta sexta-feira, durante Assembleia em Manaus, após receber 40 dos 41 votos possíveis.
O fato de grandes nomes do atletismo - como a campeã olímpica de salto em distância Maurren Maggi, além de Fabiana Murer, ouro no Mundial de Daegu no salto com vara, e o maratonista Marilson do Santos - treinarem na capital paulista evidencia o planejamento de mais de uma década e serve, mesmo involuntariamente, de palanque para Toninho.
"O atletismo é uma modalidade que vem se desenvolvendo muito. Com o apoio do governo, a levamos para todos os lugares e então, além de reconhecimento, criou-se uma expectativa a nível nacional", declarou o ainda presidente da FPA, lisonjeado pela votação expressiva na Assembleia de Manaus. A primeira em que, além das Federações estaduais, representantes de clubes, treinadores, árbitros e medalhistas olímpicos formaram o colégio eleitoral.
"Isto foi uma novidade em nível de sistema brasileiro esportivo e, sem dúvida, só aumenta minha responsabilidade. Houve um consenso, praticamente. Então aumenta a expectativa, o peso de alcançar os objetivos, os anseios", admitiu.
E entre os objetivos traçados por Toninho está, ironicamente, diminuir o protagonismo de São Paulo. À frente da Cbat, o dirigente quer alavancar o esporte também em outras regiões do País. "Eu vou conversar com todos os presidentes de federações para traçar um plano preciso para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. Um plano nacional, que englobe o Brasil todo. A grande meta é descentralizar o atletismo", avisou o futuro presidente.
O período de transição, aliás, foi algo bastante criticado pela oposição, que justificava o adiamento da posse como forma de desvincular as eleições de uma possível decepção nos Jogos Olímpicos de Londres, marcados para julho de 2012. Além de refutar a tese, Toninho avisa que inicia o planejamento de seu mandato já neste final de semana. O dirigente sabe que o Brasil será incansavelmente cobrado por seu desempenho na Olimpíada do Rio de Janeiro. E a 'pressa' de agora é para evitar o fracasso no futuro.
"Começo a todo vapor. Vou fazer um diagnóstico para avaliar qual o nível de exigência. Ao lado das entidades, vou trabalhar muito porque a cobrança que teremos em 2016 será enorme. Este é o principal trabalho e tudo vai girar em torno da Olimpíada. Não é toda vez que temos a oportunidade de sediar um evento deste tamanho e não queremos fazer feio", discursou Toninho.