Futebol/Campeonato Paulista - ( - Atualizado )

Amoroso ignora dívida em retorno ao Morumbi e até brinca com rival

Helder Júnior São Paulo (SP)

Amoroso pisará no Morumbi dois dias seguidos. Primeiro no domingo, para torcer pelo seu Guarani contra o Santos na final do Campeonato Paulista – a contragosto, já que preferia o Brinco de Ouro da Princesa como palco da decisão. Depois, na noite de segunda-feira, partilhará uma dívida de gratidão com o São Paulo e distribuirá autógrafos para torcedores que forem à loja São Paulo Mania do estádio.

Foi no Morumbi que Amoroso conquistou um dos seus principais títulos como jogador, a Copa Libertadores da América de 2005, contra o Atlético-PR. Apesar de se sentir em “sintonia” com o São Paulo desde então, ele ainda cobra judicialmente o pagamento da premiação pelo título do Mundial de Clubes do mesmo ano. O que não foi capaz de afetar o seu relacionamento com os são-paulinos.

Nesta entrevista exclusiva, concedida após o ex-atacante ir ao Brinco de Ouro para apoiar jogadores do Guarani, Amoroso mostrou que seu vínculo com o São Paulo continua forte a ponto de permitir uma pequena provocação ao Corinthians, clube que defendeu entre 2006 e 2007. O hoje empresário do ramo de construção civil declarou que não sabe se estará vivo para ver o rival repetir o seu feito pessoal e também ganhar uma Copa Libertadores.

Gazeta Press
Amoroso ressaltou o seu vínculo com o São Paulo, mas lembrou que o Guarani é a verdadeira "segunda pele"
Amoroso: Opa! Desculpa não ter te atendido antes. Precisei dar uma passada no Guarani, a pedido do pessoal.
Gazeta Esportiva.Net: Sem problemas. E esse pessoal está otimista para a final contra o Santos?
Amoroso: Cara... Para falar a verdade, gostaríamos de jogar a decisão na nossa casa. Depois de 24 anos, voltamos a disputar uma final de Campeonato Paulista. Deveríamos ter o privilégio de usar o Brinco de Ouro. Não é justo tirar isso da nossa torcida. Com certeza, ninguém digeriu muito bem a decisão da Federação. Não fui o único a não gostar, você sabe. Toda a cidade de Campinas ficou insatisfeita. A força do Guarani está no seu estádio. Dos 13 jogos que disputamos lá nesta temporada, ganhamos 12 e só perdemos um [justamente para o Santos, por 2 a 0, em 29 de fevereiro].

GE.Net: Dá para ganhar no Morumbi?
Amoroso: Tenho certeza que dá. Confio nos atletas, que entrarão com tudo em um jogo importante, uma final, que serve como vitrine. Só lamento pelos torcedores bugrinos. A viagem para São Paulo tem seus custos. Se a Federação arcar com isso para a nossa torcida, eu agradeço.

GE.Net: Vai pedir para a Federação pagar as passagens de ônibus para a torcida?
Amoroso: Poderia pedir [risos]. Mas acho meio difícil que aconteça, né?

GE.Net: E você? Pretende ir ao Morumbi para torcer?
Amoroso: Chegarei já no domingo de manhã, com a diretoria do Guarani. Estou confiante. O nosso time tem o costume de jogar no Brinco, diante da torcida, mas continua com todas as chances de colocar o adversário em dificuldades em outro lugar. Se é para o bem da Federação que os jogos aconteçam no Morumbi, a gente precisa ir até lá e fazer o melhor.

Divulgação
Amoroso voltará ao Morumbi: após torcer pelo Guarani, ele participará deste evento da loja oficial do São Paulo
GE.Net: O Morumbi te traz boas recordações como jogador, não é?
Amoroso: Sem dúvida! Fui muito feliz jogando lá, pelo São Paulo.

GE.Net: Tanto é que você estará lá na noite de segunda-feira, para uma sessão de autógrafos na loja São Paulo Mania.
Amoroso: É verdade. Fiquei pouco tempo no São Paulo, mas tive uma passagem marcante. Fui campeão da Libertadores e do Mundial em 2005. A loja reconheceu o meu histórico e me convidou para conceder autógrafos. Isso só demonstra o carinho que o São Paulo tem pelo Amoroso.

GE.Net: Será uma boa oportunidade para matar as saudades da torcida?
Amoroso: Jogo showbol pelo São Paulo e sempre tenho chances de encontrar o torcedor, que é muito agradecido ao Amoroso. A recíproca é verdadeira. Desde que vesti aquela camisa, senti uma emoção enorme. Conquistei dois títulos importantíssimos pelo clube. Dei o meu máximo sempre. Passei por muitos times, mas a sintonia com o São Paulo foi diferente.

GE.Net: Diferente da sintonia com o Guarani?
Amoroso: Ah, não. O Guarani é a segunda pele. Foi o clube em que comecei. Cresci dentro do Brinco de Ouro e retornei para lá no final da carreira. Quando estava fora do Brasil, sempre procurei saber como estava o time, em que posição se encontrava nos campeonatos, e pensava em voltar. Mas o São Paulo também me marcou por ter me acolhido muito bem. Fui recebido em um ambiente maravilhoso lá, de equipe grande, com estrutura e suporte para conseguir fazer grandes partidas. Então, sou muito grato ao São Paulo.

GE.Net: Esse discurso e o fato de fazer a aparição na loja do clube na segunda-feira significam que o São Paulo não te deve mais nada?
Amoroso: Deve, sim. A dívida é referente à premiação do Mundial de Clubes e ainda está na Justiça, a cuidado dos advogados. Mas parece que o São Paulo começou a entender que foi um erro da diretoria que já saiu, do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que infelizmente faleceu. Estive com o Juvenal Juvêncio recentemente, e ele me abraçou, pediu a minha presença no São Paulo, dizendo que eu passasse lá para tomar um café. Não me pagar foi um equívoco da diretoria. Aconteceu.

GE.Net: Mas, do jeito que você fala, parece que o problema está próximo de ser solucionado.
Amoroso: Os dirigentes conhecem a minha índole, o que representei para o clube. Brigo pelo São Paulo até hoje, assim como faço com o Guarani. Sei que existe a dívida, como ocorre com muitos outros atletas, mas isso não vai acabar com o que conquistei. Quero receber porque sempre lutei para ter o pão de cada dia. Eu contava muito com aquele prêmio do Mundial. Na época, disse que transformaria o Morumbi em Moruntri. Consegui. Tudo o que prometi fazer pelo São Paulo se concretizou. O São Paulo ganhou o tricampeonato mundial também por minha causa.

GE.Net: Quando você espera receber o seu dinheiro?
Amoroso: Não dá para saber. O processo ainda está correndo. É coisa de advogados. Espero que eles façam o melhor para todo mundo, que o São Paulo ceda. O mais certo seria que todos se conscientizassem. Quem errou comigo deveria colocar as mãos na cabeça e reconhecer. Ganhei títulos importantes pelo São Paulo. Muitos tentam levar a Libertadores, mas poucos conseguem.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Jogador de showbol do São Paulo, Amoroso lembra que se chocou com clube do Morumbi só na Justiça
GE.Net: Por que você conseguiu?
Amoroso: Por causa do ambiente. Vim para o São Paulo para reeditar a dupla com o Luizão, eternizada no Guarani. Na época, estava saindo do Málaga e tinha uma proposta para acertar com o Alavés, mas não pensei duas vezes quando me chamaram para disputar a Libertadores no lugar do Grafite, que tinha se lesionado. Cheguei com a experiência de já ter atuado com outros atletas do elenco, como Rogério, Luizão, Júnior, o goleiro reserva Roger... Também conhecia o auxiliar Milton Cruz de muitos anos atrás. Quando fui para o Verdy Kawasaki como atleta mais jovem da J-League, o Milton já jogava lá e me ajudou bastante. Ele foi importante para a minha vinda ao São Paulo. Agradeço ao Milton e às pessoas que me levaram para o clube, como o Oscar Bernardi [ex-zagueiro de Ponte Preta e São Paulo] e o meu empresário Nivaldo Baldo, o Marco Aurélio Cunha... Isso sem falar no Paulo Autuori, um cara sensacional, de caráter, um baita treinador. Graças a todos eles que eu me senti em casa em tão pouco tempo de São Paulo.

GE.Net: Consegue traçar um paralelo com a sua Libertadores pelo São Paulo com aquela que o Liedson disputa atualmente pelo Corinthians? Faço o contraponto porque você também já era experiente naquela época e conseguiu superar problemas físicos para ser fundamental para a conquista, enquanto ele...
Amoroso: Fase, né? O Liedson é um jogador experiente, rodado, que sabe da sua qualidade. Ele não necessita de conselho, e sim de sorte. Atacante vive de gols, e os torcedores não admitem um longo período sem marcar. Isso é normal. Não somos robôs. Todo mundo sabe da pressão que é jogar uma Libertadores pelo Corinthians. O Liedson deve encarar isso. Acho que o Corinthians necessita ganhar logo essa competição para corar a sua história.

GE.Net: Quer dizer que você está torcendo para o Corinthians ganhar a Libertadores?
Amoroso: É estranho falar em torcer. Joguei lá e dei a minha contribuição. Quando fui contratado, sabia que não faria história no Corinthians. O objetivo era não deixar o clube ser rebaixado. E não caiu comigo. Quanto à Libertadores, todo mundo quer ver o Corinthians campeão um dia. Pretendo estar vivo para esperar por isso.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
O ex-atacante vai esperar para ver se o Corinthians também consegue ser campeão da América
GE.Net: Vivo? Corre o risco de você morrer sem o Corinthians ter sido campeão da Libertadores?
Amoroso: Vamos ver [risos]. Não dá para saber quando sairá o título. Neste ano, depende de como o time chegar ao mata-mata. Para ganhar a Libertadores, você precisa ter tradição jogadores acostumados à pressão.

GE.Net: E o São Paulo, vai conquistar a primeira Copa do Brasil nesta temporada?
Amoroso: O time vem em uma crescente desde a chegada do Leão. Conheço bem o professor, que é um baita treinador e melhorou o time. Trabalhei com ele no Corinthians. É uma pessoa correta, disciplinadora, de quem não tenho o que falar mal. O São Paulo de hoje tem o dedo dele. Mas, no mata-mata da Copa do Brasil, tudo pode acontecer. A conquista vai depender do estado psicológico de cada atleta, ainda mais porque o futebol brasileiro está muito nivelado. Só o Santos se sobressai por ter o Neymar, que vale por metade do time. Ou estou mentindo?

GE.Net: Não, o Neymar realmente tem se destacado. Mas o jogo dele será contra o Guarani. Já o São Paulo enfrentará a sua rival de Campinas, a Ponte Preta, pela Copa do Brasil.
Amoroso: Contra a Ponte Preta, tenho mais um motivo ainda para torcer pelo São Paulo [risos]. Vai ser 3 a 1 para a gente no jogo de volta.

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