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Bruguera rejeita zebra ao estilo Guga: "Nadal é sempre o favorito"

Marcelo Belpiede São Paulo (SP)

O saibro foi o piso em que Sergi Bruguera se tornou um dos melhores dos anos 90 no tênis profissional. Na contabilidade da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), o espanhol disputou 60% dos jogos oficiais na terra batida. Por isso, o Aberto da França virou o Grand Slam preferido do ex-número 3 do mundo, que se consagrou campeão em duas oportunidades (1993 e 1994) no solo sagrado de Paris. Agora, ele observa um novo astro de seu país como o rei do tradicional torneio: Rafael Nadal.

Para a edição 2012 do segundo Grand Slam da temporada, que terá a chave principal iniciada neste domingo, Sergi Bruguera não tem dúvidas em apontar o compatriota como o favorito. Em Roland Garros, Nadal venceu seis vezes nos últimos sete anos – seu domínio foi quebrado apenas em 2009 pelo suíço Roger Federer. “O Nadal pode passar por qualquer coisa ou dificuldade em uma partida no saibro”, afirma o bicampeão do Aberto da França.

Em entrevista exclusiva à GE.Net durante a passagem pelo Grand Champions Brasil em São Paulo, Sergi Bruguera ainda analisou o cenário atual do tênis e esbanjou sinceridade ao citar que está cada vez mais difícil a modalidade apresentar surpresas, como ele mesmo sofreu em 1997 na decisão de Roland Garros diante de Gustavo Kuerten, um jogador que na ocasião não estava nem sequer entre os 50 melhores do mundo.

Por fim, Bruguera falou sobre a dificuldade de Thomaz Bellucci, o principal tenista do Brasil do ranking na atualidade, em manter a regularidade no circuito - recentemente o paulista foi eliminado nas quartas de final do ATP 250 de Nice, na França. “A receita é trabalho, trabalho e trabalho”, aconselha o espanhol ao brasileiro, que já esteve na 21ª colocação da modalidade em julho de 2010, mas hoje ocupa apenas a 70ª posição.

Divulgação
Sergi Bruguera ganhou dois títulos no Aberto da França e prevê continuação do domínio de Nadal

Veja abaixo a entrevista com Sergi Bruguera:

GE.NET - O Nadal ganhou seis dos últimos sete torneios em Roland Garros. Ele é o principal favorito para 2012?
BRUGUERA: Eu acredito que o Rafael Nadal é favorito sempre que joga no piso de terra. Se eu tivesse que apostar apenas em um tenista, seria nele. Quando joga no seu melhor nível, e acredito que pode fazer isso, o Nadal pode passar por qualquer coisa ou dificuldade em uma partida no saibro.

GE.Net – Mas, no cenário do saibro, não há ninguém no mesmo nível para derrubar o Nadal em Roland Garros?
BRUGUERA: Evidentemente o nível do Djokovic subiu bastante desde o ano passado, ele chegou a vencer o Rafa em duas finais importantes no saibro na temporada 2011 (nos Masters 1000 de Roma e Madri). Então, é o único jogador que pode vencê-lo, mas eu ainda aposto no Nadal.

GE.Net – Já o Federer vem se mantendo entre os melhores mesmo perto de completar 31 anos (venceu recentemente o Masters de Madri, no saibro), mas não ganha um Grand Slam desde o início de 2010 (Aberto da Austrália). Ele pode seguir no topo por quanto tempo? Será que pode surpreender na França?
BRUGUERA: Eu não sei quanto tempo mais ele vai jogar. O Federer é o tipo de atleta que gosta muito do que faz, gosta de estar no topo, gosta de fazer história. Acho que ele fará sempre o melhor e vai tentar prolongar a sua carreira o máximo possível. Eu entendo que ele tem nível para brigar por mais títulos de grandes competições e conquistas de Grand Slam.

GE.Net – Mas deve ser complicado para o Federer não ter aquela superioridade em relação aos adversários como antigamente.
BRUGUERA: É claro que não há uma diferença favorável a ele em relação aos outros como antes. Ele tem que utilizar mais armas, como a cabeça e até algumas coisas externas que não está tão acostumado a fazer.

GE.Net – Como um especialista em Roland Garros, qual é o conselho para um jogador que começa como azarão ou até na posição de estreante?
BRUGUERA : Deve fazer como em todos os torneios, tentar se adaptar, ir partida por partida, ponto a ponto, com calma. O tenista precisa fazer o que está acostumado, seguir aquilo que realiza nos treinos, na preparação de anos e anos. É complicado passar as fases, mas deve tentar, precisa ter confiança nisso.

GE.Net – Agora está mais complicado um iniciante pensar em ganhar Roland Garros como fez o Gustavo Kuerten em 1997? O domínio dos melhores (Djokovic, Nadal, Federer e Murray) tem sido maior do que no passado, não acha?
BRUGUERA: Se estamos falando de Grand Slam, realmente está muito difícil. São quatro jogadores de um nível incrível. Eles chegam quase sempre às semifinais dos torneios, possuem mais bagagem e nível que os demais. Seria difícil pensar, por exemplo, em alguém que possa superar os quatro no mesmo torneio. Pode haver a surpresa contra um deles em um dia, mas aí seria complicado ter que enfrentar outro na fase seguinte. Então, eu vejo como algo muito difícil.

GE.Net – Agora falando da visão de um tenista mais experiente em Roland Garros. Qual o tamanho do perigo quando você tem 30 anos ou até um pouco mais, já fez seu nome no esporte e enfrenta um desconhecido de 20 anos nas fases iniciais? Talvez seja mais complicado em algumas ocasiões?
BRUGUERA: Acho que não. Quando está com 30 anos acho que você pode ter a mesma forma física de um jogador de 20. O problema dos jogadores que estão no circuito há um pouco mais de tempo é o desgaste mental. Eu vejo um jogador como o Federer rápido como qualquer outro, por exemplo. E mais, acho que é um dos que melhor se movimenta na quadra. Não acho que é um problema a diferença de idade (Bruguera se aposentou do circuito da ATP com apenas 31 anos quando não conseguia manter o mesmo nível de resultados).

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Thomaz Bellucci tenta recuperar a boa fase
GE.Net – A esperança brasileira de um resultado mais expressivo em Roland Garros é o Thomaz Bellucci. Você o viu jogar? Qual é a sua opinião sobre o nível dele?
BRUGUERA: Sim, eu o vi jogar no ano passado em Madri. Para ser sincero, o Bellucci me surpreendeu bastante, jogou um tênis de um nível incrível naquele torneio. Eu o vejo com bastante talento, acredito que conta com armas para estar em um nível alto. Acho que pode jogar bem e fazer coisas boas no circuito.

GE.Net – A maior crítica ao Bellucci é a falta de regularidade. Em certas ocasiões, ele ganha um jogo importante e, logo na sequência, perde de forma surpreendente, inclusive até para tenistas que estão abaixo dele no ranking. Como fazer para mudar esse panorama?
BRUGUERA: Eu sei que é complicado se manter no nível alto quando as coisas não funcionam bem. Ter a regularidade de estar sempre no topo é o mais difícil. As coisas já são complicadas quando o seu jogo está bom e tudo funciona bem. Não vi o Bellucci jogar tanto assim. Na verdade, a principal receita é trabalho, trabalho e trabalho.

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