Futebol/Copa Libertadores - ( )

Emerson rejeita heroísmo e revela sensação de gols na véspera

Bruno Ceccon, Helder Júnior, Marcelo Belpiede e Tossiro Neto São Paulo (SP)

Dois gols na decisão da Libertadores da América contra o Boca Juniors colocam Emerson na galeria dos grandes ídolos da história do Corinthians, como ocorreu, por exemplo, com Basílio em 1977. Ainda assim, o atacante pede a valorização do grupo. “Quero pedir a vocês que não me considerem o herói”, disse o atleta, na abertura da entrevista coletiva da madrugada desta quinta-feira, ainda no Pacaembu.

Emerson reforça as palavras usadas pelo técnico Tite de que o conjunto fez a diferença em favor do Corinthians na dura caminhada da Libertadores. Ele cita que não conseguiria brilhar sozinho.

“Está todo mundo de parabéns e muito consciente da conquista de hoje. Sozinho, eu jamais conseguiria. Tive passe do Paulinho contra o Santos, a bola não chegou voando. Teve desvio agora do Danilo no primeiro gol, a pressão do Alex no segundo. Aqui a gente não ganha nada sozinho. O grupo conquistou: os jogadores, a comissão e funcionários do clube. Todo o departamento profissional de futebol pode se considerar campeão e herói pelo título”, ponderou.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Atacante Emerson não quer ser visto como herói da conquista corintiana na Libertadores da América

Em contrapartida, o Sheik reforça a condição de jogador das decisões e cita até uma particularidade dos seus sentimentos um dia de enfrentar o Boca Juniors. “Fiz o gol do Fluminense em 2010 e gosto dos jogos decisivos, me sinto à vontade. Ontem (terça-feira) fui dormir com a sensação de que faria o gol. São coisas que você não pode falar antes, mas fui dormir com a sensação de que faria o gol”, revelou.

Destaque em anos anteriores no futebol carioca, Emerson caiu como uma luva no Corinthians. Rapidamente, entendeu a necessidade de um espírito guerreiro – junto com a habitual qualidade técnica – para ganhar a estabilidade no Parque São Jorge.

“Ouvi alguns meses atrás o Duilio e Roberto (diretores do clube) dizendo que no Corinthians não se joga com nome. A gente usa uma expressão feia que tem de ralar o bumbum no chão para poder jogar. Isso se encaixa muito para o Emerson. Em nenhum dos clubes que passei joguei por nome e sim por merecimento. Nesses 14 meses de Corinthians, fiz por merecer ser titular, ser respeitado dentro do grupo e não joguei por nome. O Tite prega muito isso: quem estiver tecnicamente melhor vai jogar”, exaltou.

Por fim, a necessidade da conquista da Libertadores por parte dos corintianos nunca incomodou Emerson. A infância difícil deixou o jogador ainda mais forte para cumprir as obrigações em campo. “Nasci e fui criado em um lugar muito simples. Vi coisas que talvez muitos de vocês não viram. Me perguntaram se tinha pressão da Bombonera. Pressão é você deitar na cama e ficar com medo de tomar uma bala perdida no rosto ou o peito. Jogar no estádio lotado, bola nova, grama maravilhosa e privilégio. Momento de desfrutar e não de sentir medo ou pressão”, disse o herói da final da Libertadores.

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