Futebol/Copa Libertadores - ( )

Veterano de clube, Alessandro não esquece que quase virou vilão

Helder Júnior São Paulo (SP)

O lateral direito Alessandro não parava de sorrir enquanto levava o troféu de campeão da Copa Libertadores da América para o Memorial do Corinthians, na sexta-feira. Sempre que lhe pediam, o capitão voltava a erguer a taça prazerosamente. Foi “um momento inesquecível”, como ele mesmo definiu mais de uma vez, que poderia não ter ocorrido por causa de uma falha do jogador.

Alessandro ainda não se esqueceu da bola que perdeu no meio-campo, nas quartas de final contra o Vasco, e sobrou limpa para o meia Diego Souza (quase) marcar um gol no Pacaembu. O goleiro Cássio fez bela defesa e evitou a festa do adversário. Mais tarde, o volante Paulinho anotou para classificar o Corinthians.

“Aquilo foi muito difícil para mim. Não tinha mais reação quando a bola sobrou para o Diego Souza. Seria um peso muito grande em cima de um só jogador se ele tivesse feito o gol. Conheço a proporção que as coisas tomam no Corinthians. Mas, graças a Deus, deu tudo certo. Não poderia dar errado se o nosso trabalho era tão correto e dedicado”, comentou o capitão.

Apesar da classificação sobre o Vasco, as noites seguintes ao jogo foram sofridas para Alessandro. “Não conseguia nem dormir direito. Ficava pensando naquele lance, na insegurança que trouxe ao torcedor. Fiz uma análise bem crítica de tudo. Mas eu também sabia que, por não ter saído o gol naquele momento, alguma coisa muito boa estava reservada para nós. Passamos pelo Santos, campeão da Libertadores, e fomos para a final com o Boca Juniors, que tanta gente temia”, rememorou.

Djalma Vassão/Gazeta Press
De candidato a vilão a herói: Alessandro se consagrou ao erguer a taça da Libertadores
Aos 33 anos, Alessandro já está acostumado com as tristezas e as alegrias no Corinthians. Assim como Chicão, ele é remanescente dos jogadores que foram contratados para ajudar o clube a retornar à Série A do Campeonato Brasileiro, em 2008. O zagueiro, inclusive, foi capitão corintiano no ano passado, porém acabou afastado por má fase. O lateral direito, quando machucado, também havia perdido posto para Edenílson. Só recuperou a sua vaga após o volante improvisado se lesionar.

O retorno ao time titular permitiu a Alessandro entrar na história como o capitão que ergueu o primeiro troféu de Libertadores do Corinthians. “Procuro não pensar em tudo que vivi aqui para poder me concentrar no meu trabalho. Mas, especialmente para mim, Chicão, Julio Cesar e funcionários que estão no Corinthians desde a Série B, foi um título fundamental. Cheguei em meio a uma turbulência enorme. Conheço pessoas que não vieram para cá por isso, mas quebrei meu contrato com o Santos para acertar. De lá para cá, foram várias coisas boas e ruins”, disse.

Em 2011, por exemplo, Alessandro foi um dos poucos jogadores poupados pela torcida depois da vexatória eliminação diante do colombiano Tolima, na pré-Libertadores. Não se sentiu melhor com os elogios, até porque a sua saída já havia sido exigida por organizados em outros protestos. Mas os problemas ficaram no passado. “A fase atual é única. Assim como o Chicão, participei de toda a reconstrução do Corinthians”, vibrou.

Veterano de clube, Alessandro sabe que não há muito tempo para comemorar. O Corinthians precisa sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, além de se preparar para o Mundial de Clubes do final do ano, após conquistar a Libertadores. “Tivemos um grande desgaste emocional, que pode ser até pior do que o físico, mas devemos assimilar isso o mais rapidamente possível. A comemoração já acabou para os jogadores”, decretou o capitão.

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