Jogos Olímpicos 2012/Bastidores - ( - Atualizado )

COB cumpre meta em Londres, mas vê decepção com natação e atletismo

Bruno Ceccon, Enviado Especial Londres (Inglaterra)

Ainda que a evolução em relação aos Jogos de Pequim-2008 tenha sido discreta, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) se disse satisfeito ao alcançar sua meta de conquistar um mínimo de 15 medalhas nas Olimpíadas de Londres, encerradas neste domingo. Por outro lado, a entidade admitiu a decepção com o desempenho da natação e do atletismo.

Na China, o Brasil terminou com 15 medalhas – três ouros, quatro pratas e oito bronzes. A rigor, a diferença na Inglaterra foram uma prata e um bronze a mais, o que proporcionou o recorde de medalhas do País. Apesar de sediar a próxima edição dos Jogos, o que pressupõe o papel de protagonista, o COB havia traçado a meta de simplesmente repetir os pódios de Pequim.

“A gente gostaria que fosse mais, mas foi uma meta matemática. Não é questão de ser boa ou ruim, é a realidade, levando em conta o que aconteceu em cada modalidade nos últimos quatro anos. Gostaríamos de ter uma meta maior, mas estamos satisfeitos e achamos que isso está dentro da nossa expectativa”, disse Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo do COB.

Para proporcionar o que Carlos Arthur Nuzman, presidente da entidade, classificou como a “melhor preparação olímpica” do Brasil, foram gastos exatamente R$ 11,610,557,06 – R$ 3.254.159,07 direcionados para o aluguel do Crystal Palace, centro de treinamento exclusivo da delegação e menina dos olhos dos diretores. No quadriênio 2009-2012, já com os devidos descontos, o COB diz ter recebido R$ 331,3 milhões pela Lei Agnelo/Piva para destinar ao esporte de alto rendimento. O investimento público total durante o ciclo, no entanto, gira em torno de R$ 2 bilhões.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Marcus Vinícius Freire, superintendente do COB, deixou Londres satisfeito com as 15 medalhas conquistadas pelo Brasil nos Jogos
Além de repetir as 15 medalhas conquistadas em Pequim, a entidade estabeleceu a meta de superar as 41 finais disputadas na China, algo que não conseguiu cumprir, já que os atletas participaram de 35 finais. “Isso faz parte do jogo. Quando você traça objetivos com transparência, às vezes não alcança. Vamos ficar de olho até o Rio de Janeiro”, minimizou Marcus Vinícius.

O COB preferiu chamar as decepções dos Jogos de Londres de “pontos de atenção” na preparação para 2016. Neste grupo, o superintendente colocou o atletismo, sem pódios pela primeira vez desde Barcelona-1992, e a natação, que ficou abaixo do esperado ao medalhar com Thiago Pereira (prata nos 400m medley) e César Cielo (bronze nos 50m livre).

OCUPADO

O COB tradicionalmente realiza uma entrevista no último dia dos Jogos para fazer um balanço do evento. Neste domingo, Carlos Arthur Nuzman participou da abertura do encontro com a imprensa e saiu logo em seguida, segundo sua assessoria, para uma reunião urgente sobre a festa de encerramento.

Desta forma, Marcus Vinícius Freire, sentado ao lado de Bernard Rajzman, chefe da missão brasileira em Londres, e de Edson Menezes, responsável pelas finanças do COB, respondeu a todos os questionamentos dos jornalistas. No final da entrevista, Nuzman retornou, tomou um copo d’água e pediu desculpas pela ausência.

“O COB veio para Londres com uma expectativa realista, que era conquistar um número de medalhas próximo ao que foi obtido em Pequim. O resultado final foi dentro do esperado e está de acordo com o nosso planejamento para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016”, discursou o dirigente ainda na abertura do encontro.

“Atletismo e natação são as duas modalidades que mais dão medalhas. Em 2016, a meta não vai ser 0 e 2”, cobrou Marcus Vinícius. O hipismo, há duas edições sem pódios, e o taekwondo, também de mãos abanando, foram incluídos nos pontos de atenção. Assim como o basquete e o futebol feminino, que caíram antes da semifinal, além da vela, tradicional fornecedor de medalhas que teve apenas um bronze, e a ginástica feminina.

No aspecto positivo, o COB comemorou o posicionamento do Brasil no quadro de medalhas: 22º no geral e 14º pelo número de condecorações. A entidade ainda destacou os recordes de quatro pódios no vôlei (de praia e de quadra), três no boxe, quatro no judô, incluindo o primeiro ouro feminino, conquistado por Sarah Menezes, e o prêmio pioneiro da ginástica, alcançado por Arthur Zanetti nas argolas.

O COB também lembrou que Adhemar Ferreira da Silva, Maurício, Giovane, Torben Grael, Marcelo Ferreira e Robert Scheidt ganharam a companhia de novas bicampeãs olímpicas: Fabi, Fabiana, Sheilla, Paula Pequeno, Thaísa e Jaqueline. O técnico Zé Roberto, por sua vez, é o primeiro tri. “Em um país com 200 milhões de habitantes, temos que estender um tapete vermelho para eles”, reverenciou Marcus Vinícius.

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