Ainda que a evolução em relação aos Jogos de Pequim-2008 tenha sido discreta, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) se disse satisfeito ao alcançar sua meta de conquistar um mínimo de 15 medalhas nas Olimpíadas de Londres, encerradas neste domingo. Por outro lado, a entidade admitiu a decepção com o desempenho da natação e do atletismo.
Na China, o Brasil terminou com 15 medalhas – três ouros, quatro pratas e oito bronzes. A rigor, a diferença na Inglaterra foram uma prata e um bronze a mais, o que proporcionou o recorde de medalhas do País. Apesar de sediar a próxima edição dos Jogos, o que pressupõe o papel de protagonista, o COB havia traçado a meta de simplesmente repetir os pódios de Pequim.
“A gente gostaria que fosse mais, mas foi uma meta matemática. Não é questão de ser boa ou ruim, é a realidade, levando em conta o que aconteceu em cada modalidade nos últimos quatro anos. Gostaríamos de ter uma meta maior, mas estamos satisfeitos e achamos que isso está dentro da nossa expectativa”, disse Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo do COB.
Para proporcionar o que Carlos Arthur Nuzman, presidente da entidade, classificou como a “melhor preparação olímpica” do Brasil, foram gastos exatamente R$ 11,610,557,06 – R$ 3.254.159,07 direcionados para o aluguel do Crystal Palace, centro de treinamento exclusivo da delegação e menina dos olhos dos diretores. No quadriênio 2009-2012, já com os devidos descontos, o COB diz ter recebido R$ 331,3 milhões pela Lei Agnelo/Piva para destinar ao esporte de alto rendimento. O investimento público total durante o ciclo, no entanto, gira em torno de R$ 2 bilhões.
O COB preferiu chamar as decepções dos Jogos de Londres de “pontos de atenção” na preparação para 2016. Neste grupo, o superintendente colocou o atletismo, sem pódios pela primeira vez desde Barcelona-1992, e a natação, que ficou abaixo do esperado ao medalhar com Thiago Pereira (prata nos 400m medley) e César Cielo (bronze nos 50m livre).
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O COB tradicionalmente realiza uma entrevista no último dia dos Jogos para fazer um balanço do evento. Neste domingo, Carlos Arthur Nuzman participou da abertura do encontro com a imprensa e saiu logo em seguida, segundo sua assessoria, para uma reunião urgente sobre a festa de encerramento. Desta forma, Marcus Vinícius Freire, sentado ao lado de Bernard Rajzman, chefe da missão brasileira em Londres, e de Edson Menezes, responsável pelas finanças do COB, respondeu a todos os questionamentos dos jornalistas. No final da entrevista, Nuzman retornou, tomou um copo d’água e pediu desculpas pela ausência. “O COB veio para Londres com uma expectativa realista, que era conquistar um número de medalhas próximo ao que foi obtido em Pequim. O resultado final foi dentro do esperado e está de acordo com o nosso planejamento para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016”, discursou o dirigente ainda na abertura do encontro. |
“Atletismo e natação são as duas modalidades que mais dão medalhas. Em 2016, a meta não vai ser 0 e 2”, cobrou Marcus Vinícius. O hipismo, há duas edições sem pódios, e o taekwondo, também de mãos abanando, foram incluídos nos pontos de atenção. Assim como o basquete e o futebol feminino, que caíram antes da semifinal, além da vela, tradicional fornecedor de medalhas que teve apenas um bronze, e a ginástica feminina.
No aspecto positivo, o COB comemorou o posicionamento do Brasil no quadro de medalhas: 22º no geral e 14º pelo número de condecorações. A entidade ainda destacou os recordes de quatro pódios no vôlei (de praia e de quadra), três no boxe, quatro no judô, incluindo o primeiro ouro feminino, conquistado por Sarah Menezes, e o prêmio pioneiro da ginástica, alcançado por Arthur Zanetti nas argolas.
O COB também lembrou que Adhemar Ferreira da Silva, Maurício, Giovane, Torben Grael, Marcelo Ferreira e Robert Scheidt ganharam a companhia de novas bicampeãs olímpicas: Fabi, Fabiana, Sheilla, Paula Pequeno, Thaísa e Jaqueline. O técnico Zé Roberto, por sua vez, é o primeiro tri. “Em um país com 200 milhões de habitantes, temos que estender um tapete vermelho para eles”, reverenciou Marcus Vinícius.
