Jogos Olímpicos de 2012/Vôlei - ( - Atualizado )

Ouro de 92 completa 20 anos com mentor às portas de nova final

Marcelo Belpiede São Paulo (SP)

O saque de Marcelo Negrão na final da Olimpíada de 1992 em Barcelona não destruiu somente a recepção da Holanda: foi uma verdadeira bomba para o vôlei brasileiro. A partir daquele momento, o esporte desfrutou de crescimento assustador e chegou ao posto de segunda modalidade na preferência de uma parcela importante da população, ofuscando o basquete e atrás apenas do futebol.

Nesta quinta-feira, dia 9 de agosto, o feito da geração que tirava suspiros das meninas e criou o ritmo “em cima, embaixo, puxa e vai” completa 20 anos. Mas um dos integrantes do inédito ouro terá de deixar as comemorações lado: o técnico José Roberto Guimarães estará concentrado em alcançar sua terceira final olímpica, na semifinal feminina no confronto entre Brasil e Japão. Restará a outros personagens celebrar a vitoriosa campanha.

“É um título que continua arrepiando”, define o ex-central Paulão, atual técnico do Apav/Canoas, integrante da Superliga Masculina 2012/2013. “Foi sensacional, a maneira como ocorreu, uma conquista entre amigos queridos, um time que se respeitava”, completa.

Acervo/Gazeta Press
Equipe campeão olímpica de 1992 proporcionou uma nova realidade ao vôlei brasileiro

Na época, José Roberto Guimarães estava com 38 anos e carregava uma bagagem até certo ponto limitada, bem diferente do posto atual de único campeão olímpico do vôlei com os homens e as mulheres. Ainda assim, ele soube manter o controle de jovens como Marcelo Negrão, Tande, Giovane, Maurício e juntá-los aos experientes Paulão e Carlão.

Na volta ao Brasil, os campeões em Barcelona foram tratados como heróis. Paulão recorda com orgulho as homenagens com direito a desfile em carro de bombeiro e até homenagens de políticos. “São lembranças fantásticas. O jeito que o Zé Roberto comandou, mesmo sem ter tanta experiência na época, foi incomparável”, define.

A conquista de 1992 proporcionou um inquestionável salto de qualidade ao vôlei, sobretudo no masculino, tricampeão mundial e dono de outra medalha olímpica em 2004 - atualmente também está na semifinal em Londres-2012, nesta sexta-feira, contra a Itália. Nos anos seguintes, muitos investimentos foram direcionados à modalidade e trouxeram uma nova realidade na estrutura do esporte. A explosão também chegou aos salários de atletas e na exportação de talentos brasileiros para times do exterior. Capitão da Seleção atual, o ponta Giba chegou a atuar na Rússia com vencimentos semelhantes de jogadores de futebol.

Gazeta Press
José Roberto Guimarães (fundo) comanda Seleção feminina de 2012 (Foto: Gaspar Nóbrega/Gazeta Press)

“Antigamente nós viajávamos sempre de classe econômica e não havia uma variedade nos tipos de bolas e de tênis direcionados ao vôlei. Os pisos das quadras também passaram por uma grande evolução. Foi maravilhoso”, exalta Paulão, que lamenta, porém, não ter aproveitado todos os frutos do título olímpico ao rejeitar propostas para atuar no exterior. “Hoje, um jogador com cabeça no lugar pode ficar com uma situação tranquila na parte financeira. Eu sou campeão olímpico e adoro o vôlei, mas devo continuar trabalhando, não posso parar. Acho que cometi um erro por querer ficar perto da família”, completa.

A lembrança do título será motivo de um jantar especial de Paulão com amigos próximos e familiares no Rio Grande do Sul. No entanto, o contato com os companheiros do time campeão será restrito, até porque muitos deles – Maurício, Carlão e Marcelo Negrão - aproveitam os frutos da conquista e atualmente são referências nos comentários da modalidade em redes de televisão durante os Jogos Olímpicos de Londres. “Eu cheguei a convidar vários deles para o meu jantar porque nunca deixo passar em branco esta data, mas a correria e os compromissos atrapalham. Eu já até desisti de chamá-los”, confessa o eterno camisa 5 da Seleção de vôlei.

Além dos titulares Marcelo Negrão, Maurício, Paulão, Carlão, Giovane e Tande, o grupo de José Roberto Guimarães era composto por Jorge Édson, Amauri, Janelson, Talmo, Pampa e Douglas. A base desta equipe ainda ganhou o primeiro título da Liga Mundial, em 1993.

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