Eleito pelo elenco o melhor jogador do Chelsea na última temporada, Ramires voltou a ser convocado para a Seleção Brasileira, depois de um ano fora das listas do técnico Mano Menezes e do título da Liga dos Campeões da Europa. Embora já esteja estabelecido no time londrino, o meio-campista tenta ter a mesma tranquilidade no time nacional e começar a cavar seu lugar entre os atletas que disputarão a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Titular no meio-campo dos Blues, o camisa 7 viu o time passar por uma reviravolta na última temporada. Após o início claudicante com André Villas-Boas, campeão português e da Liga Europa com o Porto, a equipe inglesa realizou uma troca de comando no decorrer da temporada e, com Roberto Di Matteo, então auxiliar do treinador, conseguiu se acertar, levando, além da Liga dos Campeões, a FA Cup.
Nesta entrevista para a GazetaEsportiva.net, você conhecerá a visão do volante sobre a última campanha de sua equipe – que contou com um golaço do meio-campista diante do Barcelona, por cobertura, na semi da Liga dos Campeões, no Camp Nou – e a projeção para esta temporada com a chegada de importantes jogadores, como o meia Oscar, ex-Internacional e medalha de prata com a Seleção em Londres-2012, contratado por R$ 80 milhões.
Desfalque na decisão da Champions por cumprir suspensão, Ramires já havia ficado fora das quartas de final da Copa-2010, quando a Seleção foi derrotada pela Holanda, por este mesmo motivo. Agora, o jogador pensa apenas em uma segunda chance para conseguir um final melhor com a equipe nacional nos gramados brasileiros, daqui a dois anos.
Ramires: Foi maravilhoso. Arrisco até a dizer que foi o melhor da história do Chelsea, pelo êxito na Champions League. O final valeu por todo sofrimento inicial.
GE.net: Você foi eleito o jogador do ano pelo Chelsea. Foi uma surpresa? Já se vê adaptado a Londres e como um ídolo do clube?
Ramires: Pelo gol no Barcelona e também na final da Copa da Inglaterra, imaginava que poderia pintar alguma coisa boa na premiação, o que acabou acontecendo. Estou completamente adaptado a Londres, somente a questão da língua que ainda está atrapalhando um pouco. Mas estou fazendo aulas e daqui a pouco ficarei mais afiado no inglês. É complicado para eu mesmo falar que sou ídolo. Sei que caí nas graças do torcedor e eles são os mais indicados para dar essa resposta.

Ramires: Sou segundo volante de origem, mas, por ter facilidade de jogar em qualquer posição do meio-campo, não tenho preferência. Acho que depende mais da vontade do treinador e das carências que ele tem no momento. Jogando como volante, não vou aparecer tanto na frente. A diferença maior é essa.
GE.net: O gol contra o Barcelona, na Champions, foi o mais bonito e importante da sua vida? O que representou a você ser decisivo para tirar o time que muitos consideram o melhor do mundo atualmente?
Ramires: Foi o mais bonito e o mais importante sem dúvida nenhuma. Esse gol teve um significado enorme para a história do Chelsea e para minha carreira. Vou ficar velho e poderei contar para meus filhos e netos que marquei um gol no Camp Nou contra o Barcelona pela Champions League. Isso não tem preço. 
Ramires: Villas-Boas é um treinador excepcional. Infelizmente não deu certo. Nem nós mesmos sabemos os motivos para ter dado errado. Acho que futebol tem dessas coisas, nem sempre a lógica prevalece. Torço por ele e espero que ele tenha sucesso em sua passagem pelo Tottenham. Se tudo correr dentro da normalidade, acho que eles terão um time forte na temporada.
GE.net: Como você define o estilo de jogo na Premier League? É a melhor liga de futebol do mundo atualmente? Por quê?
Ramires: Acho que é uma das Ligas mais competitivas do mundo. Temos grandes jogadores no país e isso aumenta ainda mais o nível do futebol jogado. Aqui o jogo é mais rápido, você tem que saber o que vai fazer com a bola antes mesmo de ela chegar.
GE.net: Entre os principais clubes do país, o Chelsea foi quem mais contratou. Por que isto aconteceu? Havia uma diferença para os elencos de United e City que precisava ser corrigida?
Ramires: É natural a busca por melhorias no elenco a cada temporada. Nunca pode se contentar, tem sempre que querer evoluir. Perdemos o Drogba, mas ganhamos o Hazard, Marin e agora o Oscar. Acho que nos reforçamos bem e ganhamos força de elenco para jogar em alto nível todas as competições em disputa. GE.net: A chegada de Hazard, Oscar e Marin pode dar ao time a força que faltou para disputar o título da Premier League no último ano?
Ramires: Acredito que sim. Num campeonato longo como o Inglês, a força do elenco é fundamental.
GE.net: Com a chegada destas novas peças, há uma concorrência maior no meio-campo. Pelo que fez recentemente pelo Chelsea, considera que, ao menos, leva vantagem em relação aos rivais na briga pelo time titular?
Ramires: A preocupação maior não é essa. Terá espaço para todo mundo jogar. Além disso, ninguém tem cadeira cativa na equipe. Quem estiver melhor vai estar em campo.
GE.net: O Oscar foi bem nos Jogos Olímpicos pela Seleção Brasileira e o Chelsea desembolsou um alto valor por ele. Como analisa este jogador? Já teve contato com ele antes? É um atleta para já ser titular ou uma aposta para o futuro do clube?
Ramires: Tive contato com ele agora na Seleção Brasileira. Oscar já mostrou que tem muita qualidade e um potencial enorme. Acredito que, se ele fizer o que fez pelo São Paulo, Inter e Seleção, vai cair rapidamente nas graças do torcedor. Estou aqui para ajudá-lo no que for preciso. 
Ramires: Meu entendimento com Drogba dentro e fora de campo sempre foi muito bom. As partidas decisivas da Liga dos Campeões mostram isso. A gente vai sentir falta dele, não tem como ser diferente pela qualidade de quem estamos falando, mas vida que segue. Temos o Torres no elenco, outro grande atacante com toda condição de fazer o mesmo que Drogba fazia. Desejo sorte para ele na carreira e sei que ele também torcerá por nós.
GE.net: Pensando na defesa do título na Liga dos Campeões, quais times você aponta como principais rivais? Há algum clube que chamou a atenção pelas mudanças que realizou neste pré-temporada?
Ramires: Ainda é muito cedo para fazer esse tipo de análise. Somente depois do início das competições é que vamos saber exatamente em que nível as outras equipes e nós estaremos.
GE.net: Depois do início complicado da última temporada, o Chelsea apostou na sequência do trabalho de Roberto Di Matteo. Qual é a importância dele e o que o treinador fez para que houvesse esta mudança no time? Como é seu relacionamento com ele?
Ramires: Foi completamente merecida a permanência do Di Matteo na equipe. Ele pegou a equipe num momento complicado, quando muitos já achavam que estávamos eliminados na Liga dos Campeões, mas ousou e conseguimos eliminar o Napoli. Ali ele ganhou ainda mais a confiança do grupo, que já o conhecia muito bem. (Após perder a partida de ida para os italianos por 3 a 1 nas oitavas de final da Liga dos Campeões, o Chelsea decidiu colocar Di Matteo no lugar de Villas-Boas e, no Stamford Bridge, os Blues inverteram o placar para, na prorrogação, garantir a classificação às quartas com uma vitória por 4 a 1). GE.net: Apesar do destaque que você obteve, o técnico Mano Menezes não o chama de forma constante à Seleção – sua última ida ao time nacional havia ocorrido em agosto de 2011. Ao convocar o time para o amistoso com a Suécia, disse que seu retorno era justo. Como vê este momento?
Ramires: Estou feliz pelo retorno, lutei muito por isso. Estar na Seleção é uma honra e algo que considero fundamental na carreira. Enquanto tiver fôlego, quero vestir essa camisa. Meu objetivo agora é continuar com a Seleção Brasileira até a Copa do Mundo. Quero ter a oportunidade de “voltar no tempo” e disputar uma final pelo Brasil. Fiquei muito frustrado por ter ficado fora da semifinal contra a Holanda em 2010 (nota da redação: a partida foi, na realidade, nas quartas de final). Quero uma segunda chance.
GE.net: Você volta à Seleção logo depois da derrota para o México na decisão dos Jogos Olímpicos. Qual é sua opinião sobre a campanha do time no torneio?
Ramires: Acho que o Brasil fez uma excelente competição. Infelizmente o título não veio, mas não apaga tudo o que foi feito antes. Não acho justo crucificar ninguém pelo que houve. 
Ramires: Sempre acompanho o Cruzeiro. Se o time conseguir oscilar menos, tem chances de brigar. O Atlético está realmente muito bem. Mas ainda tem muita água para rolar.
GE.net: Aos 25 anos de idade, você já tem um planejamento para a sequência de sua carreira? Deseja atuar em algum outro país europeu, ou sonha em fazer uma história ainda mais longa no Chelsea?
Ramires: Meu pensamento é permanecer no Chelsea o máximo de tempo possível, fazer história aqui e na Seleção Brasileira.
GE.net: Pensa em fazer o retorno ao Brasil apenas no final da carreira? Se for fazê-lo, diria que dá preferência ao Cruzeiro?
Ramires: Todo mundo sabe do carinho que tenho pelo Cruzeiro e também pelo Joinville, clubes que joguei. Gostaria de voltar a atuar nesses clubes antes de encerrar a carreira.
