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Capa de revista com Neymar crucificado revolta bispos católicos

São Paulo (SP)

As críticas abertas do torcedor da Seleção Brasileira ao atacante Neymar após um amistoso contra a África do Sul, no estádio do Morumbi, motivaram a Placar, tradicional revista do segmento esportivo, a publicar uma edição em que o santista aparece crucificado na capa. A edição já está à venda nas bancas e incomodou profundamente a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Por meio de comunicado oficial, a entidade manifestou repúdio às referências bíblicas da capa que traz o título ‘A Crucificação de Neymar’ – “chamado de cai-cai, o craque brasileiro vira bode expiatório de um esporte onde todos jogam sujo”. O cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, e Leonardo Ulrich Steiner, bispo auxiliar de Brasília, assinaram a nota publicada na tarde desta sexta-feira.

“Reconhecemos a liberdade de expressão como princípio fundamental do estado e da convivência democrática, entretanto, que há limites objetivos no seu exercício. A ridicularização da fé e o desdém pelo sentimento religioso do povo por meio do uso desrespeitoso da imagem da pessoa de Jesus Cristo sugerem a manipulação e instrumentalização de um recurso editorial com mera finalidade comercial”, dispara a CNBB, se posicionando a respeito da polêmica que já atinge esferas internacionais.

AFP
Agências internacionais já cobrem a polêmica capa da Placar, que deve se tornar debate a nível mundial
Os bispos atacam a publicação relembrando a crise diplomática em ocorrência no Oriente Médio, onde vídeos satirizando a figura de Maomé foram divulgados e seguem causando duros conflitos religiosos. “Isso se constitui numa clara falta de respeito que ofende o que existe de mais sagrado pelos cristãos e atualiza, de maneira perigosa, o já conhecido recurso de atrair atenção por meio da provocação”.

Em entrevista ao Portal Imprensa, o diretor de redação da Placar, Maurício Barros, defendeu a polêmica capa, citando a perseguição moral que Neymar sofre no País: “Percebemos que estava havendo uma inversão de valores. Como é que o jogador que é o mais caçado nos jogos vira um ícone do 'jogo sujo'? Pode até ser que ele exagere em algumas faltas, mas e daí? Entre exagerar em algumas faltas e virar símbolo de um jogador que quer ludibriar as regras do jogo existe uma distância muito grande”.

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