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Nos Emirados, Fernando Baiano conhece calor da paixão e da pimenta

Marcelo Belpiede São Paulo (SP)

Fernando Baiano  é um desbravador do mundo: nunca reclamou dos obstáculos em se adaptar ao futebol do exterior. Por isso, encarou até mesmo a opção de jogar em dois clubes dos Emirados Árabes Unidos, país que lhe trouxe grandes surpresas, como a chance de conhecer a atual esposa, Bruna, com quem completou recentemente um ano de casado.

Agora, Fernando Baiano confirma em entrevista à GE.Net o desejo de uma vida em família. De volta ao Brasil, pretende cumprir os últimos anos da carreira e, ao mesmo tempo, ver o crescimento do filho Luan Gabriel, de dez meses. No entanto, ele aconselha que os jogadores devem aproveitar a vida antes de pensar em uma rotina caseira.

"Eu acho que todo jovem deve curtir a sua vida, conhecer bastante gente, sair, namorar, conhecer outras pessoas", explica. "Jogador de futebol normalmente casa cedo e, lá na frente, acaba se separando", emenda.

Ao mesmo tempo, Fernando Baiano recorda as dificuldades que o fortaleceram. A grande surpresa esteve na culinária árabe que lhe rendeu grandes dores de estômago: “Eles usam muita pimenta, eles adoram pimenta. Em tudo que você imaginar, eles usam pimenta, até no McDonald´s”, sorri o centroavante, que considera desculpa os jogadores que falam em problema de adaptação fora do País.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Atacante Fernando Baiano apresenta história curiosa: conheceu a esposa brasileira nos Emirados Árabes.

Veja mais uma parte da entrevista com Fernando Baiano:

GE.net: Você me falou das situações adversas de jogar no frio da Europa e no calor do mundo árabe. O que foi pior?
FERNANDO BAIANO: Eu peguei o oposto, 10 graus negativos e até 45 graus. Eu acho que o pior foi nos Emirados. Eu tive um jogo que achei que ia desmaiar de tanto calor, era o meu primeiro jogo lá. Realmente é uma coisa que não tinha como respirar, muito calor. A dificuldade era grande, de jogar, de correr e recuperar. No frio e na neve, você aquece e vai embora. O calor é doloroso.

GE.net: Nós teremos uma Copa do Mundo no Catar em 2022. Pelo que você viu lá, o calor será uma grande preocupação para as seleções?
FERNANDO BAIANO: Se for no auge do verão, em julho, com certeza não vai ter condições, ou serão obrigados a fazer todos os estádios com ar condicionado ou algo parecido. É muito calor, chega a fazer 50 graus. Agora, eu recomendo em janeiro, a temperatura é boa. Nós que somos estrangeiros, você reza para chegar a essa temperatura agradável, dá para jogar de dia, umas 5 ou 6 da tarde.

GE.net: Em relação aos costumes dos Emirados Árabes, o que você encontrou de dificuldade?
FERNANDO BAIANO: Quando eu cheguei, o idioma era muito difícil. Mas lá tem o segundo idioma, que é o inglês. Aí, comecei a me comunicar com o pessoal. Depois, a comida. Não que não fosse boa. Mas eles usam muita pimenta, eles adoram pimenta. Em tudo que você imaginar, eles usam pimenta, até no McDonald´s. Eu senti dificuldade enquanto fiquei morando no clube. Depois que fui morar em um apartamento próprio, aí ficou mais tranquilo. Sem contar o calor, que já te falei anteriormente.

GE.net: Essa questão da pimenta te trazia que tipos de problemas?
FERNANDO BAIANO: Era comer e tentar se adaptar. Particularmente, eu passava mal, fiquei um bom tempo assim. Era difícil para nós brasileiros. No nosso País, há diferentes tipos de comidas e temperos. Eu tinha dor de estômago nos Emirados, ia treinar com desconforto, mas depois eu me adaptei e foi mais tranquilo.

GE.net: Hoje você fala quantas línguas?
FERNANDO BAIANO: Olha, fluente eu falo o português (risos). Mas eu aprendi tudo na raça. Na Espanha, eu aprendi o espanhol. Eu sempre me virei, conseguia me comunicar, falava bem, não era aquela coisa. No caso do inglês, eu aprendi rápido porque precisava fazer as minhas coisas, ir ao banco, ao shopping e não gosto de depender dos outros. Eu estudei o básico, depois aprendi a ouvir, aí dava para me comunicar com os árabes. Então, praticamente aprendi dois idiomas além do português.

GE.net: Com tantas histórias, você deve achar frescura quando ouve que um jogador não se adapta a outro país?
FERNANDO BAIANO: Não entendo porque é desculpa de jogador que não deu certo. É fato. O cara falar que vai para Espanha, a comida... Para mim, é desculpa de jogador que não teve felicidade de jogar bem. Falar de comida, idioma, não rola. Jogador, quando quer e está com vontade de vencer e provar que tem condições, acaba conseguindo o sucesso. Você vê alguns brasileiros jogando com 30 ou 40 graus negativos na Rússia e dão show de bola.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Passagem pelos Emirados Árabes também rendeu constrangimentos com a comida apimentada.

GE.net: No mundo árabe, apesar dos obstáculos, você carrega a grande lembrança de ter conhecido a sua esposa (Bruna, uma brasileira que foi para o exterior buscar oportunidades melhores). Como aconteceu?
FERNANDO BAIANO: Por incrível que pareça, ela é de São Paulo, da periferia de São Paulo. É uma menina guerreira, foi para a Austrália, tem passaporte australiano, estudou e foi abrir o seu negócio em Dubai com uma sócia australiana. Aí, acabou ficando. A gente se conheceu, namorou pouco tempo e logo veio o Luan Gabriel, nosso filho, a coisa mais linda do mundo, que está com dez meses. Aconteceu rápido. O engraçado é que, em todos os países que morei, eu fui sozinho, aprendi as coisas sozinho, e lá nos Emirados Árabes é que ganhei esse presente de Deus. Quando você mora fora é mais complicado conhecer alguém de sua nacionalidade.

GE.net: Mas em que situação você a conheceu?
FERNANDO BAIANO: Eu estava em uma festa, rola a paquera, trocamos telefones, e aí vai se falando. Foi legal porque, quando percebi, estava totalmente envolvido. Eu sou um cara que sempre fui mais tranquilão, o pessoal sempre perguntava quando ia casar ou namorar. Quando fui ver, a gente já estava junto, ela acabou engravidando, optamos casar, ter o filho e hoje estamos morando juntos.

GE.net: Foi até melhor você conhecer sua esposa um pouco mais velho e ter todas essas experiências sozinho?
FERNANDO BAIANO: Eu acho que todo jovem deve curtir a sua vida, conhecer bastante gente, sair, namorar, conhecer outras pessoas. Hoje, eu estou bem resolvido, conheci muita gente, viajei bastante, tenho idade suficiente para ter essa responsabilidade de criar um filho. Jogador de futebol normalmente prefere se casar cedo e, lá na frente, acaba se separando. O meu caso foi o contrário, eu fui curtir a minha vida, a minha esposa também e agora temos um molequinho maravilhoso para vermos crescer. E ainda eu vejo uma situação complicada você casar, ter filho e ficar se mudando toda hora para outros países, vai aqui, vai ali. O importante é que sempre dei retorno aos clubes. Agora tenho condição de morar em São Paulo e escolher um clube bacana para ficar com a minha família e amigos.

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