Futebol/Campeonato Brasileiro - ( - Atualizado )

Demitidos, escudeiros de Felipão geram choro em despedida do elenco

William Correia Itu (SP)

Se há uma semana Luiz Felipe Scolari e seu auxiliar, Flávio Murtosa, participavam de seu último jogo no Palmeiras, nesta quarta-feira foi a vez de o preparador físico Anselmo Sbragia e o preparador de goleiros Carlos Pracidelli deixarem o clube. A despedida de ambos, que eram escudeiros de Felipão, gerou choro em alguns jogadores na concentração do time em Itu.

Logo após a confirmação da contratação de Gilson Kleina, que traz com ele os auxiliares Jair e Juninho, o preparador físico Fabiano Xhá e o preparador de goleiros Palha, Sbragia e Pracidelli se reuniram com dirigentes para definirem suas saídas, já previstas desde quando Scolari deixou o clube.

Depois da conversa, os dois, acompanhados pelo gerente de futebol César Sampaio e de Narciso, que era técnico interino, pediram aos jogadores que se sentassem no chão logo após o primeiro treino em Itu. Valdivia, que estava fora do gramado, foi o último a se juntar, perdendo parte do discurso.

O anúncio da saída dos profissionais fez com que atletas chorassem. Bruno, por exemplo, não conseguiu conter as lágrimas. O goleiro é um dos motivos para a saída de Pracidelli, que passou a ser questionado por insistir na escalação do camisa 1. Já Anselmo Sbragia era contestado pela queda no desempenho físico do time nos minutos finais da partida e a série de lesões musculares após a conquista da Copa do Brasil.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Goleiros choraram ao se despedir do preparador especial da posição, Carlos Pracidelli, que revelou Marcos
Logo após a despedida, Marcos Assunção apareceu abatido para dar entrevista coletiva. Mesmo antes de ser questionado sobre a saída dos dois, avisou que começaria falando sobre o assunto, sem esconder a tristeza. O volante só não citou o coordenador técnico Galeano, que pediu demissão na sexta-feira e de quem se ouviam rumores de mau relacionamento com o elenco.

“Saíram excelentes profissionais que trabalham até hoje aqui no Palmeiras: o Felipão, o Murtosa e agora o Anselmo e o Carlão. Eles fizeram de tudo para o Palmeiras ser vencedor. Infelizmente, estamos em uma fase ruim e quem acaba pagando são esses profissionais”, lamentou, chamado a responsabilidade em nome do elenco.

“Quando as coisas não dão certo, sofrem as pessoas que não têm nada a ver. Quem joga são os jogadores, somos nós que entramos em campo, que corremos. Quando a coisa está ruim, é porque nós estamos fazendo errado. Se fizéssemos certo, não estaríamos nessa situação. Mas quem sofre são outras pessoas”, continuou o volante.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Um dos mais emocionados, o goleiro Bruno foi consolado pelo demitido preparador físico Anselmo Sbragia
Anselmo Sbragia trabalhava no Palmeiras desde 1996. Já Carlos Pracidelli encerra sua quinta passagem pelo clube: esteve no Verdão de 1992 a 2002, de 2003 a 2004, em 2006 e 2008 e voltou com Scolari em julho de 2010 – somando, são 15 anos de serviços do preparador que revelou Marcos para o futebol.

“Nós, jogadores, gostaríamos de nos desculpar por estarmos nessa situação. São profissionais que não têm nada a ver e acabam pagando. Estamos tristes, são pessoas que, acima de tudo, nos ajudaram muito. Agradeço tudo que fizeram, todo o carinho mesmo na fase e ruim e toda mensagem e palavra de apoio”, falou Marcos Assunção, que tentará usar a tristeza como estímulo.

“O grupo está muito triste pela saída deles. Espero que tenham muita sorte em outros clubes. Vamos fazer de tudo para sair dessa situação pelo trabalho que fizeram até hoje. Vamos fazer isso por eles”, prometeu o capitão do atual penúltimo colocado do Brasileiro, a oito pontos do Flamengo, primeiro clube fora da zona de rebaixamento.

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