Tênis/Copa Davis - ( )

Guga vê evolução e volta à elite como resultado do boicote de 2004

André Sender, enviado especial São José do Rio Preto (SP)

O Brasil selou seu retorno ao Grupo Mundial da Copa Davis neste sábado, após nove anos de ausência da elite do tênis. Mas segundo o ídolo Gustavo Kuerten, isto não seria possível se a organização da modalidade não tivesse sido alterada após um boicote dos principais tenistas do País à edição de 2004 da competição entre países. À época, ele e outros jogadores não aceitaram as convocações em protesto à posição do presidente Nelson Nastás de demitir o capitão Ricardo Acioly e contratar Jaime Oncins, que abdicou do cargo após as manifestações.

Sem suas estrelas e fora do Grupo Mundial pela primeira vez desde 1997, o Brasil caiu para a segunda divisão do Zonal Americano e passou a se recuperar a partir de 2005. Nos últimos seis anos, bateu na trave em sua tentativa de voltar ao Grupo Mundial, perdendo nos playoffs. Já neste fim de semana em São José do Rio Preto, Rogério Dutra Silva bateu Igor Andreev, Thomaz Bellucci superou Teymuraz Gabshvili e Marcelo Melo e Bruno Soares derrotaram a dupla de Gabshvili e Alex Bogomolov Jr., para o time nacional anotar 3 a 0 sobre a Rússia e voltar à elite do tênis.

"Se eu pudesse voltar atrás das minhas decisões, acho que minha vida seria uma maravilha. Mas no geral, essa ação pontual do boicote teve um resultado fantástico", afirmou Guga. "O nosso tênis já deixou sete anos dos melhores para trás. Depois dessa Idade Média, agora está em uma crescente. Os últimos cinco anos foram bons. Agora, o Thomaz [Bellucci] está levantando essa nova bandeira, mas a gente precisa de mais caras para dar um pulso forte e firme. Ainda é um reflexo desse projeto dos anos 90", complementou o tricampeão de Roland Garros.

Luiz Pires/Divulgação
Gustavo Kuerten acredita que boicote à Davis em 2004 foi fundamental para reorganização do tênis nacional

O discurso do ex-tenista brasileiro, que tem no currículo 52 jogos pela Copa Davis, com 38 vitórias e 14 derrotas, compactua com sua postura de alinhamento à direção da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), presidida por Jorge Lacerda. Na última temporada, o catarinense tomou a frente do projeto da entidade para formação de jovens jogadores para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016. A parte técnica da iniciativa é comandada por seu ex-treinador Larri Passos e Guga tem função menos prática, atuando como garoto-propaganda e auxiliando o trabalho dos treinadores.

Líder do ranking mundial por 43 semanas, o tenista brasileiro também já se manifestou a favor da permanência de Lacerda na presidência da CBT após os Jogos do Rio de 2016. Reeleito no início deste ano, o mandatário está garantido no cargo, no mínimo, até março de 2017.

"Hoje estou contente, os caras estão indo para a Davis juvenil com fisioterapeuta, médico acompanhante. Na minha época, o nome era outro e a gente pagava a inscrição do bolso. A realidade do nosso tênis aqui é fantástica. O geral hoje é milhões de anos-luz mais aprimorado do que em 2004. Vejo que foi de muito valor", discursou o catarinense.

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