Futebol/Reportagem - ( - Atualizado )

Ainda ‘de gelo’, Dida completa 39 anos jogando 'como um garoto'

Gabriel Carneiro, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Nem adianta pedir. Totalmente avesso a entrevistas, o goleiro Dida, que completa 39 anos neste domingo - dia sem rodada do Campeonato Brasileiro - só conversa com a imprensa durante os jogos da Portuguesa, clube que escolheu para dar sequência à carreira após dois anos parado. O ‘homem de gelo’ dos tempos de Corinthians aos poucos se torna ídolo de um novo clube, mas sem deixar de lado o jeitão reservado.

Além da rejeição à mídia, Dida difere dos craques atuais pelo comportamento dentro e fora de campo. No dia em que um dos jogadores mais importantes do País faz aniversário, a GazetaEsportiva.net procurou desvendar os mistérios do arqueiro com quem o conhece, trabalha e vive dia a dia ao seu lado, auxiliando e aprendendo na nova fase de um atleta que poderia simplesmente não querer mais jogar futebol.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Uma das raras entrevistas de Dida foi justamente na apresentação à Lusa, em maio

Campeão mundial pelo Corinthians e pelo Milan, campeão brasileiro e italiano, campeão da Libertadores, bicampeão da Champions League, bicampeão da Copa América pela Seleção Brasileira e pentacampeão do mundo em 2002, além de participações em três edições diferentes da Copa do Mundo. Mesmo com o currículo recheado de conquistas, o baiano simples é o primeiro a chegar e último a sair dos treinos da Lusa.

“Na realidade, o Dida não precisaria estar aqui, porque ele é rico, pentacampeão mundial, vencedor em tudo na vida e o cacete. Mas ele treina como um garoto, sua como um desgraçado, está provando para ele mesmo que pode dar sequência a uma carreira que se perdeu por dois anos”, explica Geninho, seu atual treinador e ex-goleiro profissional.

A já citada trajetória vencedora não impediu que o Milan recusasse a renovação de seu contrato em julho de 2010, após oito temporadas de conquistas. Disposto a seguir na Europa, Dida não aceitou as boas propostas que recebeu de locais periféricos do futebol mundial, como Uzbequistão, Japão, Catar e até mesmo do Brasil. Foram necessários dois anos e uma negociação intermediada por um amigo pessoal para que o goleiro aceitasse o retorno.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Dida estreou diante do São Paulo, com menos de um mês de preparação. A expectativa era de que o retorno levasse mais tempo

“Ele vinha recuperando a forma em uma academia, chegou também a disputar um torneio de futebol de areia e, por isso, decidimos avaliar com seriedade a contratação dele. Tivemos duas ou três reuniões, no máximo, para bater o martelo em uma conversa que chegamos até a dar por encerrada. Poucos jogadores mobilizariam o tanto de mídia, de atenção mundial como ele fez”, relatou o gerente de futebol do clube rubro-verde, Candinho, responsável pela intermediação do negócio e satisfeito pela visibilidade internacional que o clube passou a ter pela contratação.

Apresentado oficialmente no dia 25 de maio, Dida passou aos cuidados do preparador de goleiros da Portuguesa, Alex Gregório, que, no início, não foi tão otimista quanto a sua preparação. “Dois anos parado era uma coisa grande, significativa, tínhamos que tratar da parte física, fisiológica e técnica para não causar nenhum tipo de lesão ou estresse muscular. Era preciso tomar cuidado”, disse, à revista da Lusa. Após 29 dias de preparação, o goleiro novamente sentia o calor de um jogo de futebol.

Divulgação/Portuguesa
Nos treinos e jogos, Dida dá sinais de que os 39 anos não atrapalham o rendimento

Capitão da Lusa, Dida foi escolhido para estrear logo em clássico contra o São Paulo, um de seus rivais preferidos. Em 1999, o então goleiro do Corinthians foi responsável por defender duas cobranças de pênalti de Raí para colocar o Timão nas semifinais do Campeonato Brasileiro. Depois de 13 anos, teve atuação segura e participou da vitória lusitana por 1 a 0 sobre o Tricolor, que até demitiu o técnico Emerson Leão após o confronto.

“Ele realmente teve uma estreia muito positiva, soube falar com os jogadores de defesa e isso é incrível. Além da qualidade técnica indiscutível, do preparo para entrar em campo, ele teve personalidade forte o suficiente para dar conta do recado. E está dando. Ele é parte importante da campanha saudável que a Portuguesa tem feito nesse Campeonato Brasileiro”, reflete novamente Geninho, feliz com a possibilidade de não brigar contra o rebaixamento.

Outro fator indiscutível na conduta de Dida é a timidez. “Não posso falar não, cara”, foram as palavras do goleiro, agora com 39 anos, sobre a possibilidade de uma entrevista. O atual treinador resume seu jeito: “Ele é um lobão solitário no dia a dia, temos que espremer para conseguir um bom dia”. Apesar disso, Gregório pensa o contrário: “O Dida não tem problemas de relacionamento. É só entender o lado dele e pronto”.

Divulgação/Portuguesa
Dida voltou à ativa após uma aposentadoria forçada de dois anos: ele estava tentando um novo clube grande na Europa

Durante os treinamentos da Portuguesa, Dida pouco olha para os lados. Concentrado nas atividades programadas pela comissão técnica, ele só brinca com Gledson, Tom e Rodrigo Calaça, companheiros de posição, além de Bruno Mineiro e Diego Viana, seu colega de quarto nas concentrações. Esforçado, cumpre à risca todo o planejamento necessário para que um jogador não sinta o peso dos 39 anos de idade e siga encantando, senão um País, uma legião de fãs.

Futuro no Canindé? Os próximos passos da carreira de Dida ainda não foram decididos. O contrato com a Portuguesa é válido até dezembro deste ano e o clube tem interesse na renovação por mais uma temporada. Apesar disso, o goleiro só quer tocar no assunto após o encerramento da Série A. A possível aproximação de outros clubes – até o Palmeiras foi citado – e a obrigação da Lusa em disputar a Série A2 do Paulistão em 2013, seriam responsáveis pelo indireto afastamento do camisa 1 do Canindé.

Reprodução/Site Oficial
Nascido em Irará, Bahia, em 1973, o reservado e multicampeão Dida completa 39 anos neste domingo

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