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Após Tirone, Mustafá cogita não apoiar ninguém em eleição de 2013

Thiago Bastos Ferri, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Ex-presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi apoiou a candidatura do atual mandatário Arnaldo Tirone, mas já fez diversas críticas a ele, que não teria cumprido o que sua chapa planejara. Decepcionado com a atuação de seus sucessores, o dirigente - atual membro do Comitê Oficial de Fiscalização (COF) do clube -, segue com voz ativa na política alviverde, e cogita não se comprometer com qualquer campanha nas eleições que acontecem em janeiro do ano que vem.

“Não tenho compromisso com ninguém. Tenho com alguns membros do COF que foram corajosos para mostrar os erros da gestão atual e anterior e apontaram isso na reunião do conselho”, confessou Mustafá, em entrevista para a GazetaEsportiva.net, negando uma aproximação de Paulo Nobre, que desponta como possível candidato para o próximo pleito.

“Apoiar eu não sei, porque depois dos desastres dos cinco elementos que estão lá (Tirone e seus quatro vice-presidentes), nem teria autoridade para isso. Aqueles que apoiei não cumpriram o que estava estabelecido em um grupo de administração. Nem me sinto credenciado para isso”, acrescentou.

Depois de comandar o Palmeiras entre 1993 e 2004, Mustafá conseguiu eleger seu aliado e vice-presidente durante seu mandato, Affonso Della Mônica. Os dois, porém, tiveram divergências, se separaram e, mesmo dessa vez na oposição do ‘padrinho’, o substituto de Mustafá conseguiu a reeleição até 2009, quando Luiz Gonzaga Belluzzo assumiu, sob grande esperança da torcida.

Apesar de um início animador no Brasileirão daquele ano, em que chegou a liderar, a equipe que foi comandada por Luxemburgo, Jorginho e Muricy Ramalho decepcionou e nem foi para a Libertadores. Sem bons resultados dentro de campo, o economista foi muito criticado pelos altos investimentos com pouco retorno. “Talvez ele não tenha sido rebaixado porque ficou dois anos na presidência, mas ele estava no caminho”, atacou Mustafá, opositor de Belluzzo.

Gazeta Press
Depois de recentes decepções na política do Verdão, Mustafá Contursi cogita não dar apoio no pleito de 2013
Em 2011, sob a benção de Mustafá e do seu então desafeto Della Mônica, Arnaldo Tirone foi eleito com quatro vice-presidentes, também de oposição, e gerou nova decepção para Contursi. “Ele vinha de um movimento que tinha como objetivo recuperar a estrutura econômica, o crescimento patrimonial, na contramão do desastre que foram os anteriores, especialmente o Belluzzo. Mas continuaram com a mesma política”, acrescentou.

Embora alegue que deixou o Verdão com uma “saúde invejável”, a política de gastar muito no futebol, e sem sucesso, deixou o Palmeiras em situação complicada. A equipe conquistou apenas dois títulos desde que Mustafá saiu (o Paulista-2008 e a Copa do Brasil-2012), e agora tem grandes chances de disputar a Série B no próximo ano.

Diante do conturbado momento dentro de campo, os candidatos à eleição que acontece em janeiro do próximo ano ainda não estão bem definidos. Segundo Contursi, Belluzzo e Della Mônica já armam uma aliança para lançarem em conjunto um candidato. “Não darei meu apoio a ninguém, apenas votarei e que o melhor ganhe, que não será quem eles indicarem”, cutucou.

Arnaldo Tirone, atual mandatário, chegou a cogitar a possibilidade de buscar a reeleição, mas as pressões, tanto políticas, quanto de parte da torcida, que chegou a ameaçá-lo de morte, desanimaram o dirigente, que ainda não definiu sua posição. Esta deve ser a última eleição em que apenas conselheiros decidem quem assumirá o clube.

As diretas já foram aprovadas elo Conselho Deliberativo e restam passar pelo crivo dos sócios, algo que não deve ser um problema. A mudança, contudo, começaria a valer apenas em 2014, ano do centenário do clube, mas que não deve ter eleições, já que os mandatos no Verdão são válidos por dois anos.

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