Futebol/Seleção Brasileira - ( - Atualizado )

Presidente do Timão cita até Saramago contra imediatismo no futebol

Edoardo Ghirotto, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

O fim da passagem de mais de dois anos do técnico Mano Menezes pela Seleção Brasileira arrancou protestos do presidente do Corinthians, Mário Gobbi. Descontente com a decisão da CBF de encerrar a passagem do treinador às vésperas da Copa das Confederações, o mandatário recordou o escritor José Saramago e utilizou uma de suas frases para demonstrar sua insatisfação contra o imediatismo adotado pela entidade.

“Eu estou cansado de ser a única voz pregando no deserto”, discursou o dirigente, que se viu isolado ao defender a manutenção de um planejamento a longo prazo no País. “Mas eu sigo José Saramago: ainda que seja a única voz a predicar no deserto, estou convencido de que tenho que seguir dizendo não”, ponderou.

Defensor de Mano Menezes no time canarinho, Mário Gobbi acredita que o presidente José Maria Marin errou ao ouvir o apelo popular após o encerramento da temporada. A Seleção havia acabado de conquistar o bicampeonato do Superclássico das Américas, contra a Argentina, e ficou sem o comandante para que novos métodos de trabalho sejam implantados no início de 2013.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Mário Gobbi defendeu Mano Menezes e lamentou a ausência de planejamentos a longo prazo na CBF
“O Mano começou a montar uma nova Seleção e não tinha meios de garantir entrosamento com encontros de dois dias a cada dois meses. O erro da nossa cultura é que você precisa ganhar as Olimpíadas, a Copa das Confederações, o Sul-americano, o torneio do Bairro do Sapo, o pif-paf... Não há condições de o futebol brasileiro crescer dessa maneira”, prosseguiu o mandatário.

O interesse do presidente alvinegro na Seleção Brasileira recai justamente na presença garantida por atletas corintianos nas convocações. Os volantes Ralf e Paulinho, o lateral esquerdo Fábio Santos e o goleiro Cássio já foram relacionados para jogos do time canarinho e brigam para ter condições de defender a equipe na Copa das Confederações, em 2013, e na Copa do Mundo de 2014.

Já o técnico Tite passou a ser especulado como possível substituto de Mano Menezes no comando da Seleção. O treinador prolongou o seu vínculo com o Timão até 2013 e teve a sua saída rechaçada por Mário Gobbi. A negativa do Corinthians abre caminho para o espanhol Pep Guardiola, que, embora não seja visto com bons olhos por Marin, ganhou o apoio de torcedores e dirigentes brasileiros.

“O futebol brasileiro precisa vestir a sandália da humildade. O futebol mudou e amistosos contra México e África são o suado que vemos hoje. Todo mundo cresce muito e não somos melhores do que ninguém. Temos que treinar e nos preparar muito para que a Seleção possa chegar a uma Copa do Mundo como candidata ao título”, encerrou o presidente alvinegro.

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