Futebol/Bastidores - ( - Atualizado )

Sob desconfiança, Durval foi Pedrão e multicampeão antes da Seleção

Gabriel Carneiro, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Levado pelo olheiro Seu Tota, o meio-campista Pedrão recebeu sua primeira oportunidade no Confiança de Sapé, da Paraíba, em 1999. Sem encantar, o tímido garoto nascido em Cruz do Espírito Santo, terra do poeta Augusto dos Anjos, teve que mudar de posição e por pouco não encerrou a carreira antes do início. Treze anos depois, mesmo com trajetória vitoriosa vestindo as camisas de Sport e Santos, o agora zagueiro Durval ainda enfrenta desconfiança graças à convocação para a Seleção Brasileira.

Nesta quarta-feira, às 22 horas (de Brasília), o zagueiro santista, que deixou de ser Pedrão para virar Durval no meio do caminho, estreia pela Seleção, não se sabe se como titular ou no banco de reservas. Aos 32 anos, o jogador decacampeão estadual de forma consecutiva no futebol brasileiro terá sua primeira chance de mostrar serviço ao técnico Mano Menezes e superar o receio de torcedores que não acreditam mais em seu potencial a menos de dois anos da Copa do Mundo.

Mesmo com a possibilidade de convocar apenas jogadores que atuam no Brasil, sem contar com atletas de Grêmio e São Paulo, envolvidos na disputa da Copa Sul-americana, Mano Menezes enfrentou a rejeição de boa parte do público em relação à convocação de Durval. Em resposta, disse que sua “experiência” foi o único motivo do chamado ao lado dos atleticanos Réver e Leonardo Silva.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Aos 32 anos, Durval foi convocado pela 1ª vez e defenderá a Seleção nesta quarta-feira, contra a Argentina
Contra a desconfiança, Durval carrega uma galeria de títulos que nem os titulares da seleção principal – Thiago Silva e David Luiz - possuem. Além do decacampeonato estadual consecutivo (um pelo Botafogo-PB, um pelo Brasiliense, um pelo Atlético-PR, quatro pelo Sport Recife e três com a camisa do Santos), o experiente zagueiro foi campeão brasileiro da Série B uma vez, da Copa do Brasil duas vezes, e da Libertadores de 2011 como titular. No ano passado, Durval ainda foi improvisado na lateral esquerda do Santos na disputa do Mundial de Clubes contra o Barcelona, mas não segurou o argentino Lionel Messi.

“Ele vem mantendo uma performance excelente em todas as equipes em que passou, porque não foi reserva em nenhum lugar, sempre o xerifão, titular, com aquela personalidade forte. Nos vimos pela última vez em 2008, no Campeonato Pernambucano, e ele ainda era aquele cara bem caipira, que mantém a humildade acima de tudo. Então fico feliz por fazer parte disso, agora na Seleção e coroando a carreira brilhante que teve”, relata à GazetaEsportiva.Net Reginaldo Sousa, atualmente técnico do Sousa-PB, e primeiro comandante de Durval em sua carreira.

Divulgação/Santos FC
Junto de Neymar e Ganso em maio, Durval comemorou seu 10° título estadual consecutivo, 3° pelo Santos
Responsável por revelar o zagueiro para o futebol nacional, Reginaldo lembra com carinho dos tempos de Confiança de Sapé, quando Severino dos Ramos Durval da Silva carregava o apelido de Pedrão e tentava mostrar seu talento como meia-esquerda: “Em 1999 tiramos alguns jogadores da várzea para fazer a temporada e quando ele chegou eu estava no clube há dois meses. Era Pedrão e jogava no meio-campo, mas aí conversamos”.

“Pela altura dele e por ser canhoto, o que é uma raridade, também pela força e habilidade que ele tem, e principalmente porque o Confiança de Sapé tinha carência de zagueiros, levamos ele para a posição”, relata Reginaldo Sousa, que logo deixou o clube, assim como Durval. No Unibol-PE, o jogador voltou ao meio-campo, mas retornou à Paraíba para defender o Botafogo, onde foi deslocado para a lateral esquerda. “Ele virou Durval no Unibol, mas só foi zagueiro de novo no Botafogo-PB, porque conversei com o técnico e disse que ele já havia jogado nessa posição comigo”.

Acervo Pessoal
O 3° de pé da dir. para esq. é Pedrão, hoje Durval, meio-campista do Confiança de Sapé, hoje zagueiro da Seleção
A mudança deu certo na carreira do zagueiro, que agora recebe confiança e reconhecimento até mesmo de Neymar, companheiro de Santos e de Seleção Brasileira e principal nome do futebol nacional na atualidade: “O Durval é um grande zagueiro, eu sempre gostei muito dele. É uma grande pessoa apesar de ser meio fechadão com vocês da imprensa. Eu fiquei muito feliz pela convocação por causa da pessoa humilde que ele é, e dez anos ganhando títulos não é qualquer cara que consegue”.

Mesmo nascendo na terra de Augusto dos Anjos, Durval não aceitou a “psicologia de um vencido” e se manteve firme apesar dos gols contra marcados em duas finais de Libertadores, falhas pontuais e oposição quase generalizada à sua convocação. Para o zagueiro de 32 anos, como um dia falou seu conterrâneo das letras, “vão-se sonhos nas asas da Descrença, voltam sonhos nas asas da Esperança”.

* colaborou Edoardo Ghirotto, especial para a GE.net

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