Futebol/Copa Sul-americana - ( - Atualizado )

No Pacaembu, São Paulo faz torcida e até locutor mudarem hábitos

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Tradicionalmente colorido em preto e branco, o Pacaembu ganhou tom um pouco mais avermelhado na quarta-feira, noite em que o São Paulo recebeu - e facilmente goleou por 5 a 0 - a Universidad de Chile para avançar à semifinal da Copa Sul-americana.

O time tricolor, que se mudou provisoriamente de casa por conta do show da cantora norte-americana Lady Gaga no Morumbi, não mandava um jogo lá desde fevereiro de 2006, ocasião em que também fez cinco gols, em vitória sobre o Paulista de Jundiaí, pelo Campeonato Estadual.

Apesar de essa ter sido a milésima primeira atuação do São Paulo no Pacaembu, sendo a de número 661 como mandante, muitos dos mais de 32 mil torcedores pagantes nesta quarta-feira estavam no estádio municipal pela primeira vez. Como a professora de francês Aline Andriaça, de 26 anos.

"Quando vou ao Morumbi, fico na arquibancada amarela ou azul. É a primeira vez que venho ao Pacaembu. A primeira vez também que fico em uma parte mais baixa de um estádio e perto do campo. É uma visão nova, para mim", estranhava a paulistana, que saboreava um cachorro-quente de cinco reais nas numeradas, uma hora antes do início da partida.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Torcida são-paulina pôde assistir do alambrado; no Morumbi, visão é mais distante do que no Pacembu
O tradicional sanduíche de salsicha não é vendido no Morumbi, onde, de longa data, o são-paulino está acostumado a se alimentar de salgados exclusivos de uma das patrocinadoras do clube. Essa foi só uma das diferenças. Outra novidade para alguns foi poder acompanhar a partida encostado ao alambrado, a poucos metros do gramado e dos bancos de reservas.

Já tendo assistido a diversos jogos no Pacaembu, o administrador Ricardo Augusto Cardoso levou o filho a esse por ser uma oportunidade rara de ser mandante fora de casa na capital paulista. "Achei um estádio agradável de se ver o jogo, apesar de ter apenas um anel, enquanto o Morumbi tem vários", aprovou Guilherme Cardoso, estudante de 17 anos.

Para quem vai sempre ao Pacaembu, além do estranhamento natural de ver as arquibancadas mais vermelhas do que pretas, curioso foi ouvir o locutor, o mesmo das partidas do Corinthians, anunciar o "Tricolor" em vez do "Timão". Igual mesmo só Hells Bells, canção da banda AC/DC a qual, assim como no estádio são-paulino, foi tocada pelo sistema de som no momento em que a equipe subiu a campo.

A partir daí, o São Paulo estava em casa. Com atuação envolvente, o time abriu o placar logo aos quatro minutos, com Jadson. O meia fecharia a conta no segundo tempo, mas, antes, também balançariam as redes o meia-atacante Lucas, o centroavante Luis Fabiano e o zagueiro Rafael Toloi. Apesar da partida "perfeita", na visão de Ney Franco, o treinador diz não abrir mão do Morumbi.

"Sem dúvida. Pela história do estádio, as conquistas, por ter uma capacidade maior. E até para mim, como treinador, a forma como a gente joga, as dimensões do campo, é melhor jogar no Morumbi", disse o comandante são-paulino, que abdicou do vestiário principal, utilizado geralmente pelo rival Corinthians, e orientou seus atletas no lado visitante. Afinal, tem hábito que é melhor não mudar.

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