Futebol/Mundial de Clubes - ( - Atualizado )

Tradutor do parto de Emerson Filho espera ver novo show do Sheik

Marcos Guedes e Helder Júnior São Paulo (SP)

Márcio Masato Adematsu é xará de Emerson, mas não sabia. Quando trabalhou como tradutor do atacante no Urawa Reds e se impressionou com seu futebol, entre 2003 e 2005, ele não tinha se dado conta de que o atacante tinha um nome igual ao seu e não fazia ideia de que o amigo ficaria marcado na história de seu Corinthians.

Foi só em 2006 que o atleta foi descoberto como “gato”. Batizado como Marcio Passos de Albuquerque, ele teve a identidade adulterada no início da carreira, ficando três anos mais novo e mudando de nome. Como não sabia de nada disso, Adematsu não se surpreendeu quando traduziu o nascimento de um dos filhos de Emerson, Emerson Filho.

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“O médico falava alguma coisa, e eu traduzia. Foi uma tradução normal, só que foi em um parto. Eu acompanhei a gravidez, ia ao médico com a mulher do Emerson. Foi uma coisa legal. Eu não sou casado, não tenho filho, mas já vivi um parto”, sorri o paulistano de 30 anos, que passou a morar no Japão aos oito e só voltou ao Brasil para passear.

De seu convívio com o então camisa 10 do Urawa, nasceu uma amizade que sobrevive até hoje. Nem a proximidade com o jogador, no entanto, tornou simples um assunto complicado. “Eu nunca nem toquei nisso com ele, não falamos sobre isso. Sei lá, para mim, tanto faz. Ele é o Emerson.”

E o Emerson que o tradutor conheceu não é muito diferente do cara que se tornaria o Sheik na passagem pelo futebol do Catar e cairia nas graças da Fiel. Um homem cuja personalidade peculiar chamava ainda mais a atenção em uma cultura como a japonesa e um atleta cuja velocidade fazia dele um inferno para os beques orientais.

“Todo o mundo fala bem dele aqui ainda hoje, até disseram para ele virar japonês e ajudar a seleção. Ninguém gostava de marcar o cara porque era muito rápido. Naquela época, se ele estivesse no Brasil, jogaria na Seleção fácil. Até hoje ele joga muito, joga facinho”, elogia Adematsu.

Jogando facinho, Emerson fez o tradutor vibrar ao marcar duas vezes na final da Copa da Liga Japonesa de 2003. A goleada por 4 a 0 sobre o Kashima Antlers ajudou o atacante a ser eleito o melhor jogador do país na temporada e ficou marcada na história do clube de Saitama, comparado ao Corinthians pela torcida numerosa e fanática.

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Emerson impressionava pela velocidade no tempo em que defendia o Urawa Reds
Mas o Urawa não é o Timão. E Adematsu comemorou mesmo quando o Sheik castigou o Boca Juniors na final da Copa Libertadores. Corintiano, ele contou com a ajuda do amigo para saciar sua sede pela conquista da América e espera desempenho semelhante no Japão.

Ao menos nas semifinais, o torcedor fará a sua parte. Ele agora trabalha como tradutor do Nagoya Grampus e vive em Nagoya, cidade onde o Alvinegro ficará hospedado a partir de 6 de dezembro. Seis dias depois, na vizinha Toyota, a equipe de Tite lutará por uma vaga na decisão do Mundial. “Lógico que eu vou. Vou torcer. Com certeza. Vou para o jogo. De qualquer forma, eu vou. Tenho que ir”, diz Adematsu, dando a impressão de que vai ao jogo.

O corintiano sabe que Emerson gosta de decisões. Sabe que o amigo morderá o dedo de Oscar se isso for necessário na luta pelo título. E sabe que o vaidoso Sheik gosta tanto de balançar a rede em partidas importantes quanto de chamar a atenção com suas atitudes extravagantes – algo bem ilustrado em um dos últimos encontros que teve com ele.

“Eu fui ao Brasil e marquei de encontrar com ele no CT. Se não me engano, o treino era às cinco horas, e ele pediu para eu chegar lá às quatro e meia. Beleza. Cinco, cinco e meia, e nada de ele chegar. Aí apareceu um helicóptero, pousou do lado do campo, e eu falei: ‘Quer ver que é o Emerson?’ Não deu outra.”

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