Futebol/Campeonato Brasileiro - ( - Atualizado )

Presidente de 2002 cutuca Sampaio e vê incompetência no Palmeiras

Thiago Bastos Ferri, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

Mustafá Contursi comandou o Palmeiras entre 1993 e o início de 2005, período em que conviveu com as alegrias do sucesso da década de 90, em meio à parceria com a Parmalat, e as dores de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2002. Dez anos depois, a equipe alviverde volta a sofrer o descenso na competição, desta vez com duas rodadas de antecedência – na primeira queda, o time tinha chance de salvação até a partida final.

Apesar da até então inesperada sensação de disputar a Série B de 2003, o à época presidente do clube trata esta fase como um incidente, em meio a uma administração de sucesso. Desta vez, porém, não é o mesmo caso. Segundo ele, o Verdão foi entregue a Affonso Della Mônica, em 2005, com uma saúde invejável, mas foi se deteriorando com o passar dos anos e uma política de muitos gastos, até que chegou à situação atual.

O sucessor de Contursi gozava inicialmente do apoio da situação, mas o relacionamento entre os dois se complicou, por divergências na forma de montar o time do Palmeiras. Della Mônica, já sem Mustafá, se reelegeu e, dois anos depois, Luiz Gonzaga Belluzo, outro opositor, comandou o Verdão no biênio seguinte.

Em 2010, com o apoio do presidente na Era Parmalat, Arnaldo Tirone assumiu e gerou nova decepção, que teve como maior exemplo a degola confirmada neste domingo. “A incompetência na administração se acumula nos últimos anos. Para nada, para não sobrar pedra sobre pedra. E não é a questão do rebaixamento, isto é circunstancial. Venho questionando nos últimos anos. Uma administração medíocre, incompetente, não tem quem recupera”, reclamou, em entrevista para a GE.net.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Presidente do Palmeiras no primeiro rebaixamento, Mustafá Contursi fez críticas a atual administração do clube
Ao lembrar de 2002, Mustafá lamentou a disputa de tiro curto daquele ano – desde 2003, a Série A do Brasileiro é disputada em dois turnos e pontos corridos. De acordo com ele, é muito difícil um clube grande conseguir ser rebaixado nesta atual forma de disputa, já que a própria torcida ajuda a mantê-lo na elite do futebol nacional. Desta vez, porém, a máxima não funcionou.

O problema administrativo se apresentou em campo. Luiz Felipe Scolari, que começou a competição à frente do Palmeiras, teve que acumular funções, segundo o atual membro do Comitê de Orientação e Fiscalização (COF) no clube. “Não houve comando no departamento. O Felipão teve que assumir a função de técnico, presidente, gerente, e até de segurança”, atacou.

Mesmo campeão da Copa do Brasil, Scolari não conseguiu motivar a equipe para se recuperar dos pontos perdidos no início do Nacional, dada a preferência pela competição que venceu. Embora valorize o título, que mandou o Verdão para a fase de grupos da Libertadores-2013, Mustafá fez uma constatação: “a equipe vinha razoavelmente bem, mas acabou mostrando que faltou qualidade para continuar em uma competição mais completa”.

Gilson Kleina, que assumiu a equipe, não foi analisado por Mustafá, que disse não acompanhar o trabalho do treinador. A crítica foi feita à montagem do elenco. “Ele tem uma equipe muito cara, que custa muito dinheiro para o que produz. Temos jogado dinheiro no lixo. Chega a quase 200 contratações que não deram certo”, explicou.

Segundo ele, foram investidos nos últimos oito anos R$ 930 milhões em contratações, que renderam pouco no campo (apenas um título paulista, em 2008, além da Copa do Brasil). A possibilidade de mais uma vez abrir os cofres para o próximo ano já preocupa Mustafá, especialmente pelo discurso adotado pelo gerente de futebol, César Sampaio.

O ex-jogador disse que cogitava a possibilidade de montar dois elencos para o próximo ano, um que disputará a Libertadores, outro que jogará a Série B. Mesmo sem citar o nome de Sampaio, Contursi foi bastante crítico à possibilidade. “Se o time serve para jogar a Libertadores, não vai servir para a Série B? Mas como é profissional, gerente, tem rótulo, carimbo, mas sem formação, acha que pode falar este tipo de besteira.”

“Considerando que você faz um contrato de três a cinco anos com um jogador, terá um elenco com 40, 50 atletas. Queremos ver de onde virá este dinheiro”, alegou. Isto, porém, não o demove da ideia de que é preciso haver uma reformulação no atual grupo. “O elenco tem que responder por aquilo que representou o Palmeiras”, completou.

Em janeiro, o Verdão passará por eleições que definirão qual será o presidente do clube pelos próximos dois anos. Apesar do tom pessimista, Mustafá espera que esta queda sirva para algum tipo de aprendizado na cúpula alviverde. “Vai disputar, voltar com glória e talvez todos aqueles que administram mal o clube, vão ver que esta é a política errada”, decretou o ex-presidente.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Mesmo com Barcos, o "time caro" do Palmeiras não passou de um empate com o Flamengo e foi rebaixado

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