Nos discursos sérios e compenetrados de Sérgio do Prado, diretor de futebol, Itamar Schulle, o técnico, e até mesmo de Cláudio Britto, veterano jogador, é expressa a responsabilidade de carregar nas costas o Santo André após o quarto rebaixamento em quatro anos. A realidade para 2013, porém, pode ser mais facilmente representada nos sorrisos tímidos e olhares desconfiados de nomes como os de Thiago Othon: “Sonhar nunca é demais, né?”.
Aos 19 anos, o segundo volante é um dos 13 jogadores promovidos da base ao profissional do Ramalhão após a trágica temporada de 2012. Sem ensaiar nenhum tipo de discurso antes de atender a reportagem da GazetaEsportiva.Net no estádio Bruno José Daniel, Thiago voltou ao ABC Paulista há apenas um dia, pois aproveitou duas semanas de férias na cidade cearense de Juazeiro do Norte, onde nasceu e para onde voltou logo depois de saber da promoção ao time A do Santo André.
Entre os remanescentes do rebaixamento à Série D em 2012 e que terão a missão de passar experiência a jogadores como Thiago está Cláudio Britto, volante de 36 anos e consciente das necessidades da equipe para 2013: “Futebol não tem máscara, enganação. Está dada a oportunidade, as portas estão abertas. Buscamos passar isso para eles, de se empenharem a cada dia, e vamos bater em uma só palavra, que é comprometimento. Tendo isso com eles mesmos, e consequentemente com a equipe, com a camisa, os torcedores, eles vão fazer um grande sucesso”.
Carregar a responsabilidade de um clube com a tradição do Santo André, que já foi campeão da Copa do Brasil, teve participação em Libertadores e chegou ao vice-campeonato paulista, em 2010, não está nas mãos apenas dos garotos. Com o típico discurso do atleta que começa a enfrentar suas primeiras contestações aos 36 anos, Britto dá o recado aos jovens andreenses.
Enquanto Britto busca trazer suporte e experiência de fora do ABC paulista, outros atletas como o volante Juninho, dez anos mais novo, tentam reviver 2008, uma temporada em que o Ramalhão conseguiu o acesso no Paulista e no Brasileiro: “A garotada que está subindo é igual eu era. Quando tive dois acessos aqui tinha muita vontade de vencer, como tenho até hoje. Sei que eles vão corresponder para fazermos um time unido como era antes. O Santo André tem que voltar a ser grande”.
Ainda de longe, e encantado com o que vê a cada trote dado no mal cuidado gramado do Bruno José Daniel, Thiago Othon sonha com o futuro que envolve, obviamente, o Santo André: “Uma oportunidade como essa é tudo que a gente espera. Na base você tem que estar mais que no limite e quando receber uma chance dessas tem que agarrar, ainda mais porque a visibilidade vai ser grande”.
“A gente sempre almeja o melhor e eu procuro alcançar todos os meus objetivos. Me inspiro bastante no Zidane, procuro sempre ver os vídeos dele. Mas só estou começando minha carreira hoje no profissional e sonhar nunca é demais, procuro sempre mirar alto”, opina Thiago Othon, falando na verdade em nome de todo torcedor ansioso para que o Santo André volte a ser aquele time que levou o nome da cidade para toda a América.
