Futebol/Campeonato Brasileiro - ( - Atualizado )

Craque almeja ser médico e elogia estrutura do 'Hospital São Paulo'

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Quando sofreu a primeira lesão ligamentar no joelho direito e ficou mais de seis meses em recuperação, em 2007, Paulo Henrique Ganso traçou um plano de carreira: ser médico. Mais tarde, desacreditado pelas idas e vindas entre a base e o profissional, quase antecipou o projeto, cogitando a possibilidade de largar o futebol aos 17 anos e começar a estudar. Aconselhado, desistiu da ideia e continuou no Santos para pouco depois despontar para valer no time de cima.

Contudo o sonho de virar médico segue vivo e até cresceu após ter passado por mais três cirurgias (outras duas no joelho direito e uma no esquerdo) antes de chegar há pouco tempo ao São Paulo, clube cujo departamento médico, respaldado pelo bem equipado Reffis (Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica), é famoso pela recuperação de atletas. Capacidade esta que deu confiança à diretoria para tentar, sem receio, a contratação de um reforço lesionado.

"É um jogador com nível de Seleção Brasileira. Fisicamente, tenho certeza de que não haverá problema, até porque já fomos taxados de contratar atletas para recuperá-los. Falavam que o 'Hospital São Paulo' estava contratando", gabou-se o diretor de futebol, Adalberto Baptista, dias antes de finalizar a longa negociação e dar ao meia a camisa 8 e um contrato de cinco anos.

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De fato, o suporte médico do clube encantou Ganso. O talvez futuro "doutor" se impressionou com a seriedade e a cobrança dos profissionais nas cerca de oito horas diárias que fez de fisioterapia no Reffis até que a lesão na coxa esquerda cicatrizasse. Ele alega não ter recebido mesmo zelo no Santos, onde, além das quatro operações, sofreu graves complicações musculares nas duas últimas temporadas.

"A estrutura do São Paulo é muito boa, foi o primeiro clube a lançar um Reffis, tem um CT de muita qualidade. Isso ajuda muito qualquer atleta e é algo de que eu preciso", elogiou nessa semana o jogador, mais um da lista de estrelas que apostaram nesse diferencial. Outros exemplos recentes de sucesso foram os atacantes Luizão, Ricardo Oliveira e Adriano. Todos se reabilitaram, tendo os dois primeiros participado posteriormente de campanhas campeãs.

 
 

Luizão usou o Reffis em 2004 por conta de lesão na cartilagem do joelho. No ano seguinte, recuperado, foi um dos destaques do título da Copa Libertadores ao lado de Amoroso, outro veterano que merecia cuidados especiais com joelhos e tendões no departamento médico. Já Ricardo Oliveira, após se livrar de problemas físicos, ficou fora da final do torneio continental de 2006, vencida pelo Internacional, porque o Bétis não aceitou prorrogar seu empréstimo. De qualquer forma, chegou a atuar e fazer gols no Campeonato Brasileiro conquistado pela equipe.

A diferença para o caso de Ganso é que se trata de um jogador jovem, de só 23 anos, e que assinou um longo vínculo, até setembro de 2017. Na sua chegada, foi avaliado por Rene Abdalla, que classificou a condição do joelho direito especialmente como "razoável", mas deu garantias de que isso não o impediria de atuar. Ao saber da vontade do agora são-paulino de ser médico, o ortopedista deu apoio ao sonho.

"Fico muito contente, temos o exemplo do Sócrates, que se formou médico enquanto jogava. É um caminho legal que ele escolheu. Para estudar, sempre se tem tempo. Já para ser atleta de futebol, esse tempo não é o mesmo. Ele teria dois aspectos muito legais para seguir a medicina esportiva. Primeiramente, a experiência de ter vivido o meio do esporte. Em segundo lugar, já foi paciente e teria muita vantagem por conhecer esses dois lados da moeda", comentou o chefe do Instituto do Joelho no HCor.

Como jogador de futebol, Ganso recebe mensalmente em torno de R$ 300 mil reais, sem contar o ganho com os quatro patrocinadores. "Para ganhar isso como médico, ele teria que clinicar muito. Provavelmente o que ele ganha ainda jovem é muito semelhante ao que ganha um médico experiente. Mas minha área, de joelho, é boa. Não trabalhamos com doentes, mas com pacientes sadios que têm algum problema articular. Acho que ele se daria bem", arrisca Abdalla.

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