Futebol/Copa Sul-americana - ( )

De volta, Luis Fabiano tem chance de apagar voadora e queda de 2003

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Às 21h50 (de Brasília) desta quarta-feira, o São Paulo luta por vaga na final da Copa Sul-americana, diante da Universidad Católica. É a chance de chegar à decisão pela primeira vez e apagar a queda na semifinal de 2003, também no Morumbi. Naquela edição do torneio, o time saiu nos pênaltis para o River Plate depois de pancadaria entre os jogadores dos dois times, nos acréscimos da vitória por 2 a 0.

Quem mais ficou marcado naquela eliminação foi Luis Fabiano. Então aos 23 anos, o atacante acertou uma voadora nas costas de Almada e foi expulso, juntamente com Jean. Pelo lado argentino, o árbitro Jorge Larrionda tirou Barrado e também Pereyra. Outros dois cartões vermelhos haviam sido dados anteriormente para Rico e Ameli, por uma jogada ríspida, mas de jogo, em que deram carrinho ao mesmo tempo.

"Entre bater o pênalti e brigar, eu prefiro ajudar meu companheiro", justificou Luis Fabiano, na ocasião. Ele e Jean bateriam pênaltis, mas foram substituídos na relação do técnico Roberto Rojas por Souza e Lugano, os dois tricolores que errariam as cobranças na derrota por 4 a 2. "Não estou arrependido. Eles provocaram, deram porrada primeiro, e isso não pode acontecer dentro do Morumbi. Você ia deixar um cara entrar na sua casa para te bater?".

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
São-paulino acertou voadora nas costas de Almada
No dia seguinte, durante participação em um fórum sobre futebol, Carlos Alberto Parreira demonstrou insatisfação com a atitude do artilheiro são-paulino. "O Luis Fabiano continuará sendo prestigiado. Mas a expectativa é de que ele cresça e mude o seu comportamento, que não está se encaixando como um atleta de Seleção Brasileira", avaliou o então treinador do selecionado nacional.

Ao mesmo tempo em que se dizia não arrependido, o atacante entendeu o recado de Parreira e, a fim de realizar o sonho de disputar uma Copa do Mundo, prometeu provar na temporada seguinte que não era rebelde. Titular na conquista da Copa América, ele foi perdendo espaço aos poucos na equipe verde-amarela – não por rebeldia – e, já na Europa, não foi convocado em 2006.

O sonho se realizaria em 2010. Chamado por Dunga para o Mundial da África do Sul, participou da campanha que não foi além das quartas de final. Com a aspiração de voltar a disputar o torneio e ser campeão em 2014, ele acertou seu retorno ao São Paulo na temporada passada. Agora aos 32 anos, ele segue tão goleador quanto antes, mas não menos polêmico. Na quinta-feira passada, estranhou-se em campo com alguns jogadores da Católica no decorrer do empate por 1 a 1, em Santiago.

"Toda vez é a mesma coisa, sempre me perguntam se estou irritado. É meu jeito de ser. Jogo assim dentro e fora de casa. Apenas em um momento eu dei um 'chega pra lá' no adversário para mostrar que não sou bobo. Mas de maneira nenhuma fiquei irritado. Procurei fazer meu jogo. Só que, sem dúvida nenhuma, não vou levar desaforo para casa", defendeu-se.

O confronto de volta com os chilenos, nesta noite, é uma boa oportunidade de comprovar que não é bobo. Não com troca de empurrões ou voadora. Artilheiro isolado do time no ano e supercampeão no futebol espanhol, o camisa 9 pode fazer seu jogo, balançando a rede para levar o time à inédita decisão e, ainda, apagar a imagem de imaturo de nove anos atrás.

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