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Após melhor ano da carreira, Soares quer top-10, Slam e ATP Finals

André Sender São Paulo (SP)

O mineiro Bruno Soares encerrou em 2012 uma temporada dos sonhos no circuito profissional de tênis, mas já traça planos ambiciosos para o próximo ano. O duplista dobrou o número de títulos de sua carreira, venceu a chave de duplas mistas do Aberto dos Estados Unidos e ainda participou da volta do Brasil ao Grupo Mundial da Copa Davis. Agora, os objetivos são mais audaciosos.

Soares quer aproveitar a boa fase vivida ao lado do austríaco Alexander Peya, seu parceiro desde julho, para realizar os sonhos de praticamente todos os tenistas: entrar no top-10 do ranking mundial, conquistar um torneio de Grand Slam nas duplas masculinas e se classificar para o ATP Finals, último torneio do ano e que reúne as oito melhores parcerias da temporada.

“Para o ano que vem, começando já com um parceiro que conheço, dá para traçar metas ainda maiores”, disse o mineiro, de 30 anos de idade, analisando sua temporada em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.net.

Após quebrar a parceria com o amigo Marcelo Melo, Soares iniciou o ano jogando com o norte-americano Eric Butorac, com quem conquistou o ATP 250 de São Paulo. Mas a dupla não engrenou e o brasileiro recorreu ao austríaco Alexander Peya. Rapidamente, eles se tornaram um dos times mais consistentes do circuito.

Mas mesmo jogando sem o europeu, o tenista mineiro conseguiu demonstrar que vive a melhor fase da carreira. Com Melo, foi às quartas de final das Olimpíadas de Londres-2012, garantiu a vitória do Brasil sobre a Rússia na Copa Davis, recolocando o País no Grupo Mundial da competição, e conquistou o ATP 250 de Estocolmo.

Quando formou dupla com a russa Ekaterina Makarova para disputar a chave de duplas mistas do Aberto dos Estados Unidos, entrou para a história do tênis nacional ao vencer um dos quatro torneios mais importantes do mundo, feito alcançado apenas por Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten e Thomaz Koch.

AFP
Soares passou a ser conhecido do público brasileiro com o título do Aberto dos Estados Unidos
Gazeta Esportiva.net: Você conquistou cinco títulos em 2012, jogou as Olimpíadas, ganhou o Aberto dos Estados Unidos de duplas mistas. Dá para dizer que esta foi a melhor temporada de sua carreira?

Bruno Soares: Com certeza, sim. Essa temporada minha não foi a mais sólida. Teve uma parte do ano em que não joguei tão bem, mas com certeza no balanço final foi a minha melhor temporada.

GE.net: Essa fase em que você não atuou tão bem teve influência na troca de parceiro?

Soares: Teve com certeza. Os resultados não foram os esperados com meu outro parceiro, mas isso é uma coisa normal no esporte. Às vezes as coisas não vão do jeito que você estava imaginando. Trocar e tentar alguma coisa diferente é natural. O Alex Peya é um cara que desde o ano passado gostaria de jogar com ele. Atrasou seis meses, mas estou feliz com a parceria nova e os resultados já apareceram.

GE.net: Quando começaram os treinos para este ano, dava para imaginar que seria tão positivo? Você ganhou cinco títulos, mesma marca que tinha em toda sua carreira.

Soares: Quando a gente começa uma temporada, traçamos nossas metas e planos. O objetivo é sempre conquistar, mas cinco títulos e o Aberto dos Estados Unidos na mesma temporada era difícil de imaginar. Fazer isso é muito complicado. Mas venho treinando e trabalhando muito nos últimos anos. Essa temporada pode ter sido o resultado uma combinação de todo esse trabalho e esforço. Como o pessoal fala: se você trabalha duro, uma hora o resultado chega.

GE.net: Outra marca importante que você alcançou este ano foi superar 1 milhão de dólares em premiação. Representa um estágio importante na vida de um tenista?

Soares: Na carreira de um atleta, que na maioria das vezes não é tão longa, é importante cada um na sua época conseguir juntar o seu dinheiro e se preparar para a próxima etapa da vida. O pessoal gosta de dar importância para esse lance de “Ah, chegou a 1 milhão”. O importante é o quanto sobra na conta. Houve vários anos em que investi muito mais do que juntei. Agora, estou conseguindo juntar um pouco desse dinheiro. Mas o mais importante é que consegui continuar correndo atrás das coisas, porque o dinheiro é consequência dos resultados.

Divulgação
Ao lado do amigo Marcelo Melo, Soares recolocou o Brasil na elite da Davis e foi campeão em Estocolmo

GE.net: Você encerra a temporada como 18º colocado do ranking mundial, uma posição atrás do Marcelo Melo. Está satisfeito com essa posição?

Soares: Muito satisfeito. É mais um ano terminando entre os 20 melhores do mundo, era um dos meus objetivos. Para o ano que vem, começando com um parceiro que eu já conheço, dá para traçar metas ainda maiores.

GE.net: Apesar de um ano tão positivo, sua melhor posição no ranking ainda é de 2009, quando foi o 14º colocado. O que aconteceu naquele ano que você conseguiu uma colocação tão boa?

Soares: Aquele foi um ano em que consegui resultados muito grandes. Foi uma mistura dos resultados de 2008 com o início da minha parceria com o Kevin Ullyet. Fiz semifinal em Roland Garros, quartas de final no Aberto dos Estados Unidos, semifinal de dois Masters 1000. Foi uma série de coisas para chegar a esse ranking. Esses resultados do final do ano agora me igualam um pouco à série de torneios daquela época e dão condição de poder brigar por posição parecida ou ainda melhor.

GE.net: Tem algo que você mudou no seu jogo ou na sua preparação para este ano que possa explicar essa ascensão tão grande nos resultados?

Soares: Uma coisa que evoluiu muito foi meu jogo na rede. Desde a pré-temporada do ano passado, foi algo que priorizei muito aperfeiçoar. Sempre tive uma noção muito boa na rede, me movimento bem e tenho bons voleios, mas quis realmente levar essa área do meu jogo para um nível acima. Isso foi algo que me ajudou demais.

GE.net: Você tem 30 anos, uma idade em que alguns esportistas já começam a ser considerados veteranos, mas ainda é jovem se levarmos em conta outros duplistas de sucesso. O Mike e o Bob Bryan têm 34, o Daniel Nestor tem 40, o Leander Paes está com 39...

Soares: Por enquanto estou extremamente tranquilo em relação a isso. Meu físico está muito bom. Mentalmente, que é um fator muito importante na vida de um atleta pelo desgaste da competição e viagens, estou tranquilo e motivado a cada temporada. Encerro esta preparado para começar a próxima. Espero poder jogar por mais várias temporadas e no mais alto nível possível.

AFP
Bruno Soares e Alex Peya repetirão em 2013 a parceria de sucesso
GE.net: E para estes próximos anos de sua carreira, quais são as principais metas?

Soares: Tenho três objetivos: ganhar um Grand Slam, estar entre os dez do ranking e participar do ATP Finals. São três coisas que gostaria de ter no meu currículo. O  mais difícil é ganhar um Grand Slam. São só quatro chances por ano e com a elite do tênis. Das três, a menos difícil é jogar o Finals. Se em 2013 conseguirmos ter um ano sólido de bons resultados, com certeza vamos estar na briga. Para entrar no top-10 e ganhar um Grand Slam, já precisaria alcançar o mais alto nível possível, a elite da elite.

GE.net: Seus resultados te credenciam como um dos melhores atletas brasileiros de 2012, mas acha que o fato de jogar duplas acaba diminuindo um pouco a atenção recebida pelo público e a mídia?

Soares: Hoje em dia, nossa visibilidade na dupla vem crescendo e isso vem aumentando a cada ano. O público que acompanha o tênis de longe fica muito acostumado apenas com os jogos de simples. O cara senta para ver um campeonato na TV e está sempre passando o simples. Ele está acostumado com [Roger] Federer, [Rafael] Nadal, [Novak] Djokovic, esse tipo de gente. Agora, com o nosso sucesso, está mudando um pouco. O cara começa a ver “O Bruno ganhou lá, o Marcelo ganhou aqui”. O US Open foi uma etapa bacana disso. Muita gente que não tem relação nenhuma com o esporte veio me parabenizar. Gente que acompanhou pelo fato de a mídia ter mostrado mais. Aos poucos, isso vai melhorando e se a gente continuar esse caminho de sucesso essa visibilidade melhorará bastante.

GE.net: Essa atenção da mídia é do público é importante para você?

Soares: Considero importante não para minha carreira pessoal, mas para o tênis brasileiro em geral. Quanto mais a gente conseguir mostrar nossos jogadores e o esporte crescer é importante também para incentivar as crianças a entrarem no esporte e as empresas a apoiarem.

GE.net: Você iria jogar o Aberto dos Estados Unidos com a Jarmila Gojdosova, mas por causa do ranking dela acabou formando parceria com a Ekaterina Makarova e deu certo. Para o Aberto da Austrália de 2013, manterá a dupla com a russa?

Soares: Ainda não defini. Vou conversar com ela. Eu tinha marcado de jogar com a Jarmila, mas ela perdeu um pouco de ranking. Teve o fato do título com a Makarova. Vou bater um papo com elas agora em dezembro para ver se a gente decide.

GE.net: As duas são consideradas musas do circuito profissional. Como sua mulher reage a você treinar e jogar com elas?

Soares: É sossegado. Minha esposa conhece as duas. Ela viaja para vários torneios comigo e é extremamente tranquila quanto a isso.

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