Atletismo/São Silvestre - ( - Atualizado )

“Cansado de murro em ponta de faca”, técnico se rende a africanos

Bruno Ceccon e Felippe Rodrigues São Paulo (SP)

O Cruzeiro será representado pelos quenianos Joseph Aperumoi, campeão e recordista da Meia Maratona de São Paulo, e Maurine Kipchumba, vencedora da Volta da Pampulha, na Corrida Internacional de São Silvestre. Alexandre Minardi, técnico do clube mineiro, contestava abertamente a presença de africanos em provas de rua no Brasil, mas se rendeu aos estrangeiros.

“Cansei de dar murro em ponta de faca e vou entrar na dos africanos. Mas continuo falando: o excesso de africanos é prejudicial. Dois na equipe ainda é algo razoável”, declarou Minardi, que procurou explicar qual é exatamente a sua visão sobre o assunto.

“Não sou contra os africanos. Tem que ter africano aqui para elevar o nível do atletismo brasileiro. Eu sou contra essa invasão, essa multidão de africanos, é muito africano. Isso tira totalmente a chance dos brasileiros, inclusive do Marílson Gomes dos Santos, que foi oitavo na São Silvestre de 2011. A verdade tem que ser dita”, declarou.

Citado por Minardi, Marílson foi o último brasileiro a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre, em 2010. No feminino, o triunfo mais recente de uma corredora da casa veio em 2006, através de Lucélia Peres, sucedida por quenianas e uma etíope desde então.

Diante da reclamação dos atletas e técnicos nacionais, a Confederação Brasileira de Atletismo (Cbat) resolveu limitar o número de estrangeiros por corrida no começo de 2009. Em provas da chamada Classe A-1, são permitidos no máximo três atletas por país, mas a entidade pode rever o limite a seu critério em eventos deste nível.

O calendário movimentado, os prêmios em dinheiro e o baixo nível técnico de algumas provas são os principais atrativos para os estrangeiros no Brasil. Em um fórum realizado pela Cbat no ano de 2009, Minardi propôs a adoção de um limite máximo de três atletas do continente africano por corrida, ideia rapidamente descartada.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O técnico Alexandre Minardi acredita que o queniano Joseph Aperumoi pode vencer a São Silvestre pelo Cruzeiro
Na 88ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, competirão na elite atletas do Quênia, Etiópia, Tanzânia e Marrocos em um total de 11 homens e sete mulheres. Para Minardi, contratar dois africanos é a única maneira de ver o Cruzeiro conquistar a vitória.

“Hoje, não tenho atletas para vencer a São Silvestre no meu clube. Eu já estou quase encerrando a carreira no atletismo e participo da São Silvestre há 29 anos. Já fui segundo, terceiro, quarto e quinto colocado. Mas o primeiro lugar, que a imprensa gosta e dá valor, nunca fui”, disse.

Paulo Roberto de Almeida Paula, oitavo colocado nas Olimpíadas de Londres, é um dos candidatos ao título, mas está rompido com Minardi e deixará o Cruzeiro na próxima temporada. Afastado do atleta, o técnico ainda citou o desempenho abaixo do esperado do clube na Volta Internacional da Pampulha, disputada no dia 9 de dezembro, para justificar a contratação dos quenianos.

“Infelizmente, não tivemos atletas no pódio na Pampulha, o que provocou uma repercussão muito negativa para o Cruzeiro. Então, conversei com a diretoria do clube e fiz eles enxergarem a importância de ter um queniano e uma queniana na equipe para tentar esse título inédito para o Cruzeiro Esporte Clube na São Silvestre”, declarou Minardi.

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