Futebol/Copa São Paulo de Futebol Júnior - ( - Atualizado )

Escola do Naça forma zagueirão, maestros, ligeiro e até francês

Gabriel Carneiro, especial para a GE.Net São Paulo (SP)

O meio-campista Deco fez história jogando por clubes como Porto, Barcelona, Chelsea e atualmente Fluminense, onde virou o maestro de um time bicampeão nacional (2010 e 2012). Antes de se tornar um dos principais nomes brasileiros no esporte, o jogador deu os primeiros chutes vestindo a camisa de um clube tradicional da cidade de São Paulo, o Nacional Atlético Clube. Às vésperas da Copa São Paulo de Futebol Júnior, 25 garotos terão a oportunidade de serem inscritos na competição para honrar a “escola do Nacional”.

Na última quarta-feira, o Nacional disputou um amistoso contra o São Bernardo, foi derrotado por 2 a 0, mas mostrou que algumas promessas merecem atenção. O primeiro a resguardar o grupo é o técnico Marcel, consciente de que poderá perder jogadores para a sequência da temporada. Baseado em peneiras anuais e até mesmo no aproveitamento de jogadores rejeitados em outros clubes, o ‘Naça’ tenta retomar o caminho de glórias – é bicampeão da Copa São Paulo (1972 e 1988), além de outros dois vices (1969 e 2005).

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Fernando Dantas/Gazeta Press
Marcel, ex-Corinthians, será responsável por conduzir o Nacional na Copa SP de 2013
“A diferença do Nacional é que é um clube bem localizado, na capital, e propõe um carinho diferente, acolhe as pessoas. Aquele menino que não fica no Corinthians, no Palmeiras, mas tem talento, aparece aqui. O Nacional vai crescer novamente e o projeto está caminhando bem. Temos uma camisa forte, e eu sempre digo isso para os meninos”, comenta o técnico Marcel, que esteve por cinco anos na base do Nacional antes de trabalhar como coordenador dos profissionais da Inter de Limeira, no Sub-15 e no Sub-17 do Corinthians, além de um período no Canadá.

Quatro jogadores, em especial, despontam como promessas e encantam os olhos dos dirigentes, do treinador e dos próprios companheiros. “O Ronaldo é considerado o craque do time, mas também tem o Anderson e o Léo Coelho, que têm grandes chances de se destacar, porque são zagueiros que sabem sair para o jogo, e o Amilton também, um atacante muito rápido, habilidoso, canhoto. Tem muita gente com chances de se dar bem nessa Taça, até entre os reservas”, entrega o meio-campista Caíque, que tem só 16 anos, atuou na base do Palmeiras e ainda não sabe se estará entre os 25 nomes da Copinha.

Camisa 11 da equipe, Ronaldo já esteve na base do Figueirense e tem contrato profissional com o Nacional até julho de 2014, sendo a principal aposta para a Copa São Paulo. Além dele, Caíque citou os zagueiros Anderson e Léo Coelho. O primeiro, natural de São Bernardo do Campo, tem contrato apenas até o último dia da principal competição de futebol júnior, já Léo está valorizado. Aos 19 anos, preferiu um contrato longo com o Nacional a mais uma sequência de testes no Fluminense. “Zagueirão sério”, como definiu o técnico Marcel, o defensor tem esperança de aparecer na Copa São Paulo.

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Léo Coelho é zagueiro e grande aposta do Nacional para as próximas temporadas
“Estou confiante, acho que as coisas estão muito próximas de acontecerem para mim. O time trabalha o ano inteiro pela Copa São Paulo e é uma grande oportunidade, uma grande vitrine para todos nós. Eu, por ser mais experiente e já ter jogado duas vezes essa competição, sou aconselhado a cobrar mais meus companheiros. Se conseguirmos passar da primeira fase, o que é mais difícil, acho que vamos longe. Temos que ganhar o primeiro jogo antes de tudo, porque depois sai tudo natural”, diz o capitão do Nacional, no clube desde setembro de 2010 e que chegou a fazer duas semanas de testes no Fluminense, em Xerém.

No ataque, dois jogadores chamam a atenção, mesmo um sendo reserva do outro. Amilton, o Buri, tem contrato até o fim de janeiro e uma história curiosa: ele não pôde sair de perto da família até terminar o Ensino Médio. Mesmo com o sonho e o talento para jogar futebol, ficou em casa até os 17 anos, quando conseguiu ‘liberação’ para atuar pelo Elosport, de Capão Bonito, cidade a quinze minutos de Buri, sua terra natal. Após um período de experiência no Passo Fundo-RS, e devidamente formado, sonha em se firmar no futebol paulista.

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Amilton, de Buri, precisou terminar o Ensino Médio antes de começar a jogar futebol profissionalmente
“Lá no interior dizem que futebol não dá futuro. Mas eu me sinto bem aqui, meu empresário falou que era boa a estrutura e me mandou para jogar a Taça. É minha primeira vez nessa competição, porque comecei a jogar futebol profissional só no ano passado. Em Buri não tem essas coisas de juvenil, infantil, então ano passado fui direto para o profissional, não tive experiência de base. É minha primeira Taça, estou ansioso pra que comece logo”, diz Amilton, diretamente da cidadezinha de 28 mil habitantes para o mundo.

Se para Amilton disputar a Copinha é uma realidade, para outros jogadores do elenco ainda é um sonho, pois o Nacional não divulgou quais serão os cinco jogadores cortados antes da estreia, no dia 6 de janeiro. Até lá, o meio-campista Caíque, inteligente com a bola nos pés e que trabalha a bola com rara qualidade, quer fazer o melhor para agradar o ‘professor Marcel’: “Nos clubes grandes cada um quer aparecer mais que o outro, ser individualista. No clube pequeno todos buscam o mesmo objetivo. Se eu entrar entre os 25 vai ser uma alegria grande, uma emoção”.

Allez les bleus – Acionado pelo técnico Marcel no segundo tempo do jogo-treino contra o São Bernardo, o atacante franco-brasileiro Alain Pierre mostrou qualidades semelhantes às de Buri, como velocidade e facilidade no drible. Filho de pai francês e mãe brasileira, o jovem que acaba de completar 17 anos foi revelado pelo Projeto Jovens Atletas/Ibirapuera, do Governo do Estado de SP. Após rápida passagem pelo Audax, chegou ao Nacional em abril deste ano. Titular absoluto no Paulista Sub-17, Alain espera agora entrar na lista da Copa São Paulo.

“É um jogador típico europeu. Ele tem muita força, vai pra cima, tromba, um jogador sem medo de se machucar. O que eu tenho que trabalhar com ele é sair um pouco do contato físico. Ele, por ser baixo, quer muito o contato físico. Mas é um jogador que vem evoluindo com o trabalho, vem melhorando com o tempo”, aposta o técnico Marcel, confiante de que o time que revelou jogadores como Deco, Dodô e Magrão possa basear seu futuro em nomes hoje desconhecidos, como Léo Coelho, Ronaldo, Amilton Buri, Caíque e Alain Pierre.

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Alain Pierre (à direita) é filho de pai francês e mãe brasileira e vive a expectativa de disputar sua primeira Copinha

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