O meio-campista Deco fez história jogando por clubes como Porto, Barcelona, Chelsea e atualmente Fluminense, onde virou o maestro de um time bicampeão nacional (2010 e 2012). Antes de se tornar um dos principais nomes brasileiros no esporte, o jogador deu os primeiros chutes vestindo a camisa de um clube tradicional da cidade de São Paulo, o Nacional Atlético Clube. Às vésperas da Copa São Paulo de Futebol Júnior, 25 garotos terão a oportunidade de serem inscritos na competição para honrar a “escola do Nacional”.
Na última quarta-feira, o Nacional disputou um amistoso contra o São Bernardo, foi derrotado por 2 a 0, mas mostrou que algumas promessas merecem atenção. O primeiro a resguardar o grupo é o técnico Marcel, consciente de que poderá perder jogadores para a sequência da temporada. Baseado em peneiras anuais e até mesmo no aproveitamento de jogadores rejeitados em outros clubes, o ‘Naça’ tenta retomar o caminho de glórias – é bicampeão da Copa São Paulo (1972 e 1988), além de outros dois vices (1969 e 2005).
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Quatro jogadores, em especial, despontam como promessas e encantam os olhos dos dirigentes, do treinador e dos próprios companheiros. “O Ronaldo é considerado o craque do time, mas também tem o Anderson e o Léo Coelho, que têm grandes chances de se destacar, porque são zagueiros que sabem sair para o jogo, e o Amilton também, um atacante muito rápido, habilidoso, canhoto. Tem muita gente com chances de se dar bem nessa Taça, até entre os reservas”, entrega o meio-campista Caíque, que tem só 16 anos, atuou na base do Palmeiras e ainda não sabe se estará entre os 25 nomes da Copinha.
Camisa 11 da equipe, Ronaldo já esteve na base do Figueirense e tem contrato profissional com o Nacional até julho de 2014, sendo a principal aposta para a Copa São Paulo. Além dele, Caíque citou os zagueiros Anderson e Léo Coelho. O primeiro, natural de São Bernardo do Campo, tem contrato apenas até o último dia da principal competição de futebol júnior, já Léo está valorizado. Aos 19 anos, preferiu um contrato longo com o Nacional a mais uma sequência de testes no Fluminense. “Zagueirão sério”, como definiu o técnico Marcel, o defensor tem esperança de aparecer na Copa São Paulo.

No ataque, dois jogadores chamam a atenção, mesmo um sendo reserva do outro. Amilton, o Buri, tem contrato até o fim de janeiro e uma história curiosa: ele não pôde sair de perto da família até terminar o Ensino Médio. Mesmo com o sonho e o talento para jogar futebol, ficou em casa até os 17 anos, quando conseguiu ‘liberação’ para atuar pelo Elosport, de Capão Bonito, cidade a quinze minutos de Buri, sua terra natal. Após um período de experiência no Passo Fundo-RS, e devidamente formado, sonha em se firmar no futebol paulista.

Se para Amilton disputar a Copinha é uma realidade, para outros jogadores do elenco ainda é um sonho, pois o Nacional não divulgou quais serão os cinco jogadores cortados antes da estreia, no dia 6 de janeiro. Até lá, o meio-campista Caíque, inteligente com a bola nos pés e que trabalha a bola com rara qualidade, quer fazer o melhor para agradar o ‘professor Marcel’: “Nos clubes grandes cada um quer aparecer mais que o outro, ser individualista. No clube pequeno todos buscam o mesmo objetivo. Se eu entrar entre os 25 vai ser uma alegria grande, uma emoção”.
Allez les bleus – Acionado pelo técnico Marcel no segundo tempo do jogo-treino contra o São Bernardo, o atacante franco-brasileiro Alain Pierre mostrou qualidades semelhantes às de Buri, como velocidade e facilidade no drible. Filho de pai francês e mãe brasileira, o jovem que acaba de completar 17 anos foi revelado pelo Projeto Jovens Atletas/Ibirapuera, do Governo do Estado de SP. Após rápida passagem pelo Audax, chegou ao Nacional em abril deste ano. Titular absoluto no Paulista Sub-17, Alain espera agora entrar na lista da Copa São Paulo.
“É um jogador típico europeu. Ele tem muita força, vai pra cima, tromba, um jogador sem medo de se machucar. O que eu tenho que trabalhar com ele é sair um pouco do contato físico. Ele, por ser baixo, quer muito o contato físico. Mas é um jogador que vem evoluindo com o trabalho, vem melhorando com o tempo”, aposta o técnico Marcel, confiante de que o time que revelou jogadores como Deco, Dodô e Magrão possa basear seu futuro em nomes hoje desconhecidos, como Léo Coelho, Ronaldo, Amilton Buri, Caíque e Alain Pierre.
