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Retrospectiva 2012: futebol gaúcho

Do correspondente Vicente Fonseca Porto Alegre (RS)

O ano de 2012 foi marcado por fatos históricos para o futebol gaúcho, dentro e fora de campo. O Grêmio se despediu do Olímpico e inaugurou sua Arena, a mais moderna da América Latina, e fez bonito em campo, embora não tenha conquistado nenhum título. Já o Internacional começou a temporada cheio de perspectivas e, apesar de levar o bi do Gauchão, decepcionou na Libertadores e no Brasileirão. A reforma do Beira-Rio, que deve ser reaberto em setembro do ano que vem, tirou da equipe seu poder como mandante nesta temporada, mas deve inaugurar uma nova era para o Colorado a partir de setembro de 2013.

Gauchão 2012: festa do Inter (e do interior): pela primeira vez desde que a fórmula de dois turnos foi instituída no Campeonato Gaúcho (em 2009), uma das taças foi decidida apenas por equipes do interior do estado. Novo Hamburgo e Caxias fizeram a final da Taça Piratini, o primeiro turno do estadual, em Novo Hamburgo. Os visitantes levaram a melhor nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal. A equipe grená voltava à decisão do Gauchão após 12 anos de ausência, aproveitando-se da eliminação do Inter e da irregularidade do Grêmio, que eliminou seu maior rival no Beira-Rio, mas caiu, também nos pênaltis, para o próprio Caxias nas semifinais.

A Taça Farroupilha, no entanto, foi dominada pelos grandes da capital. Com melhor campanha, o Inter levou a decisão do segundo turno para o Beira-Rio, onde devolveu o 2 a 1 sofrido para o Grêmio na Taça Piratini, classificando-se para a decisão. No primeiro jogo da final, no Estádio Centenário, empate em 1 a 1. Em Porto Alegre, o Caxias saiu na frente, mas, com gols de Sandro Silva e Leandro Damião, o Inter venceu de virada por 2 a 1 e sagrou-se bicampeão gaúcho.

O decepcionante e problemático 2012 do Inter: com um elenco forte e muito caro, Internacional entrou 2012 com perspectivas de lutar por grandes títulos. No entanto, a equipe decepcionou nas duas grandes competições que disputou. Na Libertadores, fez a pior campanha entre os classificados às oitavas, mesmo que seu grupo fosse fraco (o Colorado chegou a perder para o Juan Aurich, do Peru), e pegou de cara o Fluminense no primeiro mata-mata, sendo eliminado. O título gaúcho salvou o primeiro semestre, e a equipe entrava no Brasileiro com esperanças renovadas.

No entanto, o Inter só ocupou lugar no G-4 nas primeiras quatro rodadas da competição. O desempenho mediano fez o clube demitir Dorival Júnior na 10ª rodada, após uma derrota para o Atlético-MG, para apostar em Fernandão. Ídolo como jogador entre 2004 e 2008, o agora treinador até começou bem, mas logo viu o time começar a cair. Dos nove últimos colocados na tabela, seis ganharam do Inter. A equipe não marcou gols nas últimas cinco partidas do campeonato e acabou o campeonato na 10ª colocação, com seu pior aproveitamento desde 2002 – apenas 45,6%. Para 2013, o clube anunciou a contratação do técnico Dunga.

Alguns motivos explicam a má temporada. Entre fevereiro e abril, o meia Oscar foi impedido de jogar devido a um imbróglio jurídico com o São Paulo. Foi vendido por R$ 61 milhões ao Chelsea em junho, mas o clube não encontrou substituto à altura. As obras no Beira-Rio, por sua vez, limitaram a capacidade do estádio para apenas 18 mil lugares, retirando do Colorado sua força como mandante. Outro problema foram as constantes lesões (D’Alessandro e Kleber jogaram poucas partidas) e convocações de titulares, que impediam os treinadores de repetir a escalação da equipe. O uruguaio Diego Forlán, uma das maiores contratações da história do futebol gaúcho, além de não render o esperado, barrou do time o argentino Dátolo, um dos destaques da equipe no primeiro semestre, devido ao excesso de estrangeiros.

O Grêmio se despede do Olímpico 2012: seria um ano histórico para o Grêmio independentemente dos resultados em campo. Afinal, foi a última temporada de vida do Estádio Olímpico, casa do clube desde 1954. A equipe inaugurou sua Arena no último dia 8, com uma vitória por 2 a 1 sobre o Hamburgo, da Alemanha.

O principal objetivo no ano era garantir que, no primeiro ano da Arena, a equipe estaria disputando a Libertadores. A meta foi alcançada, embora a ideia de terminar a Era Olímpico com um título tenha sido frustrada. O Grêmio fez boas campanhas em quase todas as competições que disputou na temporada, mas não ganhou nenhuma delas. A equipe se reforçou no começo do ano com contratações do nível de Kleber e Marcelo Moreno, mas demorou a engrenar. O técnico Caio Júnior foi demitido ainda em fevereiro, devido ao desempenho ruim no primeiro turno do Gauchão. Vanderlei Luxemburgo foi contratado e deu ao Tricolor uma cara de time.

Eliminado do Gauchão, o time chegou às semifinais da Copa do Brasil com pinta de favorito, mas perdeu para o Palmeiras em casa e viu o sonho do penta ser adiado. No Brasileirão, o time começou alternando boas e más atuações, mas cresceu a partir das contratações de Zé Roberto e Elano, fixando-se no G-4 da 10ª rodada até o fim do torneio. Não conquistou o título devido à campanha extraordinária do Fluminense, mas brigou até o fim pelo vice-campeonato com o Atlético-MG. Na Copa Sul-Americana, mais uma frustração: cansado pelo excesso de jogos, o time caiu nas quartas de final, para o Millonarios, já nos acréscimos do duelo na Colômbia.

Em 2013, com o multicampeão Fábio Koff de volta à presidência, o Grêmio deve manter a base forte desta temporada e buscar reforços que agreguem ainda mais qualidade à equipe. No primeiro ano de vida da Arena, o Tricolor quer sair do “quase”, um fantasma que ronda o Olímpico desde 2001, quando o clube conquistou sua última taça de nível nacional.

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