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Sem vocação para ser orador da 3ª série, Marcos recusa vida política

Edoardo Ghirotto* e William Correia São Paulo (SP)

O discurso embargado pela emoção de deixar os gramados foi o ponto alto da despedida do ex-goleiro Marcos. Em seu jogo comemorativo, na última terça-feira, o ídolo palmeirense silenciou quase 40 mil pessoas ao dar o seu adeus definitivo ao Verdão. O carisma em lidar com uma das maiores torcidas de São Paulo, entretanto, não será o suficiente para o ex-jogador deixar a sua timidez de lado e se aventurar na política.

Após o término das homenagens no Pacaembu, Marcos brincou com a sua dificuldade de falar em público e sorriu ao ser perguntado sobre as chances de seguir os passos de Romário. O Baixinho foi eleito deputado federal nas últimas eleições e ascendeu em Brasília ao brigar publicamente com dirigentes da CBF e da Fifa. Para o ex-goleiro, porém, a vergonha em discursar para milhares de pessoas é um empecilho nesta empreitada.

“Eu tive que ensaiar o meu discurso durante uma semana. Se eu falasse tudo de uma vez, eu ia chorar e esquecer um monte. Eu nunca fui nem o orador da terceira série. Político não tem vergonha de falar e isso é muito complicado para mim”, disse, aos risos, o ídolo alviverde.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Após discursar para quase 40 mil pessoas, Marcos disse não ter nenhuma vocação para a vida política
Apesar de a timidez ser a justificativa de Marcos para o seu afastamento da vida política, as polêmicas desencadeadas ao longo de sua carreira surgiram justamente de entrevistas concedidas sem pudor algum. O Santo agiu por diversas vezes como um legítimo torcedor palmeirense e expôs problemas internos nos momentos de maior dificuldade. Mesmo com as crises causadas por suas declarações, o ex-goleiro acredita que esta sua “falta de profissionalismo” o fez ser tão querido entre os alviverdes.

“Ninguém gosta de ter o seu nome envolvido com polêmica. Muitas vezes eu me questionei o porquê de não calar a boca e passar sem falar nada. Faz parte do meu jeito. Isso me atrapalhou muitas vezes, mas não dá para jogar 20 anos em um clube e ser apenas profissional. Talvez a minha palavra era o que o torcedor queria ouvir e essa minha falta de profissionalismo ajudou a criar esta minha imagem autêntica”, opinou Marcos.

A autenticidade comentada pelo ex-goleiro não apagou o seu arrependimento por ter cometido algumas “bobagens” no Palmeiras. Entre elas, a sua ida ao ataque com 30 minutos do segundo tempo foi eleita como a grande loucura de sua carreira. Em 2008, o Verdão perdia por 1 a 0 para o Grêmio, no Palestra Itália, e Marcos, que havia falhado no tento gaúcho, subiu ao ataque em quatro cruzamentos para tentar reverter o placar.

“As minhas frases não fizeram parte da minha maior polêmica. Mas um goleiro normal que vai ao ataque com metade do segundo tempo rolando pode ser considerado a coisa mais louca que eu já fiz na minha vida”, brincou o ex-atleta, que não escondeu o seu descontentamento com os rumos que o futebol brasileiro vem tomando nos últimos anos. “O difícil é que hoje nós não sabemos o que é de verdade nas entrevistas. É muito raro ver alguém sendo autêntico e isso deixa o futebol muito chato.”

Fernando Dantas/Gazeta Press
O ídolo palestrino admitiu que ensaiou o seu discurso para não chorar diante da torcida alviverde
Com os direitos de uso da sua imagem ligados ao Palmeiras por mais dois anos, o ex-goleiro garantiu que continuará participando de eventos e viagens com a delegação alviverde para promover o centenário do clube, comemorado em 2014. Antes de seu jogo de despedida, o ex-jogador chegou até a cogitar a possibilidade de se tornar dirigente, mas não levou a hipótese adiante depois de oficializar a sua aposentadoria.

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