O Mundial de Clubes da Fifa começa nesta quinta-feira e a edição vai ser marcada pela presença de times ‘guerreiros’. Dos sete participantes, quatro disputarão o torneio graças à conquista de títulos que sonharam muito em conquistar ao longo de toda a sua história.
O Corinthians fez da Libertadores uma obsessão e a venceu pela primeira vez. O mesmo vale para o Chelsea, que ganhou a Liga dos Campeões da Europa após colecionar fracassos com grandes timaços armados pelo seu dono, o russo Roman Abramovich. Além deles, o Sanfrecce Hiroshima foi campeão japonês pela primeira vez, enquanto a Liga dos Campeões da Ásia teve também um campeão inédito: o sul-coreano Ulsan Hyundai.

“O futebol está cada vez mais competitivo e não me surpreende que boa parte dos times chegue a esta disputa pela primeira vez. Porém, são novatos de grande qualidade e brilho e que, com certeza, farão um torneio de grande nível. Trata-se de um torneio disputado apenas por campeões, portanto, os resultados deverão ser magníficos do ponto de vista técnico e de empolgação”, disse o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa.
Mais uma vez o torneio será disputado no Japão, com as cidades de Toyota e Yokohama como sedes. A expectativa é que o público lote os estádios, algo que não aconteceu em algumas das edições anteriores.
O mundo entrou em 2000
Entre 1960 e 1999, ocorreu a Copa Intercontinental de Clubes, disputado só entre representantes europeus e sul-americanos. Até 1979, era um jogo na América do Sul e outro na Europa. A partir de 1980, com o patrocínio da Toyota, fábrica japonesa de automóvel, passou a ser disputado em jogo único no Japão.
Em 2000, a Fifa decidiu organizar uma competição com a presença de todos os continentes, e a sede inicial foi o Brasil. O Corinthians, então campeão brasileiro e representante do país-sede, ficou com a taça após bater o Vasco, campeão da Libertadores de 2000, em final brasileira, mas os europeus, que já não curtiam o modelo anterior, passaram a boicotar a competição, que sofreu para conseguir uma segunda edição em 2005.
E foi em 2005 que a Fifa, colocando muito dinheiro para atrair os europeus e escolhendo o Japão como sede para não criar maiores problemas com o antigo patrocinador, conseguiu se considerar a dona do Mundial de Clubes.
Brasil teve grandes momentos

Dois anos mais tarde o Sul do Brasil comemorou mais do que o resto da nação a conquista do Grêmio, que venceu o Hamburgo, da Alemanha. “A sensação de ganhar é enorme, pois, mesmo sabendo que ganhamos pela camisa de um time, sabemos que a maior parte do Brasil torceu por nós. Em 83, acredito que apenas os torcedores do Internacional não vibraram com a conquista do Grêmio. Ainda mais pelo fato de os europeus nos olharem com o nariz em pé nesse tipo de decisão”, lembrou Renato Gaúcho, herói daquele título.
O Mestre Telê Santana montou dois esquadrões no São Paulo, em 1992 e 1993, e encantou o futebol brasileiro e mundial. No primeiro ano, derrotou o poderoso Barcelona, e na temporada seguinte ganhou do Milan.
No atual modelo de disputa, com a presença de todos os continentes, o Brasil é o grande papão de troféus. Em 2000, no Maracanã, o Corinthians superou o Vasco nos pênaltis. Em 2005, no Japão, foi a vez do São Paulo de Rogério Ceni mandar o Liverpool chorando para a Inglaterra. Um ano depois, também em Yokohama, o Inter venceu o Barcelona, na última vez em que um time do país levou a taça – em 2010, o Inter fracassou ao ser eliminado na semifinal pelo Mazembe, do Congo, e em 2011, o Santos de Neymar não resistiu ao Barcelona de Messi, sendo goleado na final por 4 a 0.
Os participantes
Representante brasileiro deste ano, o Corinthians terá alguns desafios importantes a superar caso queira o título. Sem dúvida nenhuma o Chelsea parece o mais difícil deles, mas isso não significa facilidades em duelos contra outros times.
O time inglês tem penado com maus resultados e o técnico Roberto Di Matteo foi demitido após uma derrota de 3 a 0 para a Juventus, na Itália – a equipe acabou eliminada logo na primeira fase da atual edição da Champions. A torcida foi contra a queda do treinador, que ganhou status de ídolo com a conquista continental. Assim, passou a hostilizar o substituto Rafa Benítez, espanhol que levou a Internazionale de Milão ao título mundial em 2010 e perdeu a final do torneio com o Liverpool em 2005.
Apesar do momento conturbado, o Chelsea é um time de respeito. Nomes como o goleiro Cech, o zagueiro Terry, o meia Lampard e o atacante Fernando Torres se juntam a uma legião de brasileiros de primeira linha, como o zagueiro David Luiz, o volante Ramires e o meia Oscar. “Vamos entrar nesta disputa pensando em título, como tem que ser. Para nós, uma conquista mundial tem grande importância”, disse Cech, um dos líderes do elenco.
Neste ano, seus jogadores querem fazer bonito para dedicarem a campanha aos 72 mortos da tragédia de Port Said, que culminou com a paralisação do Campeonato Egípcio. Assim, o Al Ahly passou as últimas semanas se dedicando apenas à preparação para o Mundial.
O time conta com jogadores experientes. Os destaques são o zagueiro Wael Gomaa, o meia Mohamed Barakat e o atacante Mohamed Aboutrika. O técnico é Hossam Al Badri, que conseguiu motivar os jogadores apesar dos problemas internos no futebol do país. “Vamos jogar não apenas pelo nosso time, mas para dar uma grande alegria ao futebol do Egito, que merece terminar o ano de maneira positiva”, disse Aboutrika.
Após voltar à elite japonesa, seus líderes decidiram investir em atletas revelados nas categorias de base. O time que conquistou o título neste ano foi formado em 2010. “Até o técnico é revelado nas categorias de base e tem que torcer pelo clube”, brincou Hajime Moriyasu, atual treinador, considerado um apaixonado pela equipe que defendeu como volante – fez parte da seleção japonesa e atuou ao lado de César Sampaio, atualmente gerente de futebol do Palmeiras.
Os destaques da equipe são os irmãos gêmeros Koji Morisaki e Kazuyuki Morisaki, que lideram o meio-de-campo, e o atacante Hisato Sato, artilheiro do time.
A equipe tem como principal atração a dupla de ataque, composta por Lee Keunho e pelo grandalhão Kim Shinwook. O zagueiro Kwak Taehwi, capitão, é uma espécie de xerife, enquanto que o goleiro Kim Youngkwang é o porto seguro quando a coisa não vai muito bem na frente. “Equilíbrio é a nossa palavra de ordem e por isso que as coisas estão dando tão certo”, disse Kim Hogon.
O time conta com dois brasileiros. O meia-atacante Rafinha, ex-Paulista de Jundiaí (SP) e Juventus-SP, transforma a dupla de frente em trio. Na reserva, está Maranhão, outro atacante vindo do interior paulista, onde rodou por Marília, Monte Azul, Comercial e Sertãozinho.
Mesmo assim, tem poucas chances de sucesso As constantes presenças no torneio se devem ao fato de os times australianos disputarem os torneios asiáticos e não a Liga dos Campeões da Oceania, que o Auckland ganhou neste ano batendo na final o Tefana, do Taiti.
A base que disputou a edição passada foi mantida pelo técnico espanhol Ramón Tribulietx, que aposta na segurança do zagueiro e capitão Ivan Vicelich, na habilidade do meia Albert Riera e no oportunismo do atacante Manel Exposito. “Temos entrosamento e obediência tática. Podemos surpreender se jogarmos conscientes de nossas limitações” disse Ramón Tribulietx.
O elenco conta como principal atração o artilheiro chileno Humberto Suazo. Ele forma dupla com o argentino César Delgado. O meia Aldo de Nigris comanda o meio-campo. Outros destaques são o lateral Walter Ayoví e o goleiro Jonathan Orozco.
A equipe foi campeã brasileira em 2011 e ganhou, de maneira invicta, a Libertadores deste ano. Porém, o treinador sabe que o momento vivido agora é único. “É hora de olhar para trás e construir confiança. Você tira lições das vitórias e das derrotas”, ensinou o treinador.
O time é de bom nível. O goleiro Cássio, o lateral esquerdo Fábio Santos e o volante Paulinho foram convocados recentemente para a Seleção Brasileira. A eles se juntam peças importantes como o volante Ralf, outro lembrado enquanto Mano Menezes esteve na CBF, os meias Douglas e Danilo e o atacante Emerson. “Somos uma equipe equilibrada e que sabe o que deseja”, disse Ralf.
Além de valorizar suas virtudes, os jogadores demonstram preocupação com os adversários. “Sabemos muito pouco. O professor Tite está procurando passar um pen drive e aos poucos vamos tomando ciência do que vem pela frente”, contou o volante. O time considerado base por Tite tem: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo e Douglas; Emerson e Guerrero.
Confira os campeões da Copa Intercontinental de Clubes:
1961: Peñarol (Uruguai), com 0 a 1, 5 a 0 e 2 a 1 diante do Benfica (Portugal)
1962: Santos, com 3 a 2 e 5 a 2 diante do Benfica (Portugal)
1963: Santos, com 2 a 4, 4 a 2 e 1 a 0 diante do Milan (Itália)
1964: Internazionale (Itália), com 0 a 1, 2 a 0 e 1 a 0 (na prorrogação) diante do Independiente (Argentina)
1965: Internazionale (Itália), com 3 a 0 e 0 a 0 diante do Independiente (Argentina)
1966: Peñarol (Uruguai), com 2 a 0 e 2 a 0 diante do Real Madrid (Espanha)
1967: Racing (Argentina), com 0 a 1, 2 a 1; 1 a 0 diante do Celtic Glasgow (Escócia)
1968: Estudiantes (Argentina), com 1 a 0 e 1 a 1 diante do Manchester United (Inglaterra)
1969: Milan (Itália), com 3 a 0 e 1 a 2 diante do Estudiantes (Argentina)
1970: Feyenoord (Holanda), com 2 a 2 e 1 a 0 diante do Estudiantes (Argentina)
1971: Nacional (Uruguai), com 1 a 1 e 2 a 1 diante do Panathinaikos (Grécia)
1972: Ajax (Holanda), com 1 a 1 e 3 a 0 diante do Independiente (Argentina)
1973: Independiente (Argentina), com 1 a 0 diante da Juventus (Itália)
1974: Atlético de Madri (Espanha), com 0 a 1 e 2 a 0 diante do Independiente (Argentina)
1975: Não foi disputada
1976: Bayern de Munique (Alemanha), com 2 a 0 e 0 a 0 diante do Cruzeiro
1977: Boca Juniors (Argentina), com 2 a 2 e 3 a 0 diante do Borussia Moenchengladbach (Alemanha)
1978: Não foi disputada
1979: Olímpia (Paraguai), com 1 a 0 e 2 a 0 diante do Malmöe (Suécia)
1980: Nacional (Uruguai), com 1 a 0 diante do Nottingham Forest (Inglaterra)*
1981: Flamengo, com 3 a 0 diante do Liverpool (Inglaterra)*
1982: Peñarol (Uruguai), com 2 a 0 diante do Aston Villa (Inglaterra)*
1983: Grêmio, com 2 a 1 (na prorrogação) diante do Hamburgo (Alemanha)*
1984: Independiente (Argentina), com 1 a 0 diante do Liverpool (Inglaterra)*
1985: Juventus (Itália), com 2 a 2 (4 a 2 nos pênaltis) diante do Argentinos Juniors (Argentina)*
1986: River Plate (Argentina), com 1 a 0 diante do Steaua Bucareste (Romênia)*
1987: Porto (Portugal), com 2 a 1 (na prorrogação) diante do Peñarol (Uruguai)*
1988: Nacional (Uruguai), com 2 a 2 (7 a 6 nos pênaltis) diante do PSV Eindhoven (Holanda)*
1989: Milan (Itália), com 1 a 0 diante do Atlético Nacional (Colômbia)*
1990: Milan (Itália), com 3 a 0 diante do Olímpia (Paraguai)*
1991: Estrela Vermelha (Iugoslávia), com 3 a 0 diante do Colo Colo (Chile)*
1992: São Paulo, com 2 a 1 diante do Barcelona (Espanha)*
1993: São Paulo, com 3 a 2 diante do Milan (Itália)*
1994: Vélez Sarsfield (Argentina), com 2 a 0 diante do Milan (Itália)*
1995: Ajax (Holanda), com 0 a 0 (4 a 3 nos pênaltis) diante do Grêmio*
1996: Juventus (Itália), com 1 a 0 diante do River Plate (Argentina)*
1997: Borussia Dortmund (Alemanha), com 2 a 0 diante do Cruzeiro*
1998: Real Madrid (Espanha), com 2 a 1 diante do Vasco*
1999: Manchester United (Inglaterra), com 1 a 0 diante do Palmeiras*
2000: Boca Juniors (Argentina), com 2 a 1 diante do Real Madrid (Espanha)*
2001: Bayern de Munique (Alemanha), com 1 a 0 diante do Boca Juniors (Argentina)*
2002: Real Madrid (Espanha), com 2 a 0 diante do Olímpia (Paraguai)*
2003: Boca Juniors (Argentina), com 1 a 1 (3 a 1 nos pênaltis) diante do Milan (Itália)*
2004: Porto (Portugal), com 0 a 0 (8 a 7 nos pênaltis) diante do Once Caldas (Colômbia)*
* Jogo único disputado no Japão
Confira os campeões do Mundial de Clubes da Fifa:
2005: São Paulo, com 1 a 0 diante do Liverpool (Inglaterra) na final
2006: Inter, com 1 a 0 diante do Barcelona (Espanha) na final
2007: Milan (Itália), com 4 a 2 diante do Boca Juniors (Argentina) na final
2008: Manchester United (Inglaterra), com 1 a 0 diante da LDU (Equador) na final
2009: Barcelona (Espanha), com 2 a 1 diante do Estudiantes (Argentina) na final
2010: Internazionale (Itália), com 2 a 0 diante do Mazembe (Congo) na final
2011: Barcelona (Espanha), com 4 a 0 diante do Santos na final
Títulos por continente (somando Copa Intercontinental e Mundial de Clubes):
América do Sul: 25
Títulos por país (somando Copa Intercontinental e Mundial de Clubes):
Argentina: 9
Itália: 9
Uruguai: 6
Espanha: 6
Holanda: 3
Alemanha: 3
Portugal: 2
Inglaterra: 2
Iugoslávia: 1
Paraguai: 1
Títulos por equipes (somando Copa Intercontinental e Mundial de Clubes):
São Paulo: 3
Boca Juniors: 3
Real Madrid (Espanha): 3
Peñarol (Uruguai): 3
Nacional (Uruguai): 3
Internazionale de Milão (Itália): 3
Santos: 2
Independiente (Argentina): 2
Juventus (Itália): 2
Ajax (Holanda): 2
Bayern de Munique (Alemanha): 2
Porto (Portugal): 2
Manchester United (Inglaterra): 2
Barcelona (Espanha): 2
Corinthians: 1
Grêmio: 1
Flamengo: 1
Inter: 1
River Plate (Argentina): 1
Racing (Argentina): 1
Vélez Sarsfield (Argentina): 1
Estudiantes (Argentina): 1
Atlético de Madri (Espanha): 1
Olímpia (Paraguai): 1
Feyenoord (Holanda): 1
Borussia Dortmund (Alemanha): 1
Estrela Vermelha (Iugoslávia): 1
