Após anunciar a sua saída do Flamengo na última quinta-feira, Zinho voltou ao Ninho do Urubu para “dar uma satisfação ao torcedor”. Com um discurso político, mas carregado de polêmicas, o agora ex-diretor de futebol disse que não aceitou a proposta feita pela nova diretoria por não ter influência no planejamento rubro-negro. Mesmo assim, o dirigente elogiou a índole dos substitutos de Patrícia Amorim e já projetou seu retorno ao clube.
“Eu gostaria de permanecer no mesmo cargo que estava e com a mesma remuneração. O principal não é a questão financeira e sim a responsabilidade. Eu não teria caneta para assinar”, comentou Zinho.“A primeira coletiva da nova diretoria foi colocar um cara no meu lugar. É direito deles, mas não precisava das declarações dizendo que ele decidira a minha permanência. Você tem uma hierarquia no clube e se o presidente me achasse útil, ele mesmo poderia tomar esta decisão”, emendou. 
“Eu teria um ano de contrato com redução salarial de até 50%. Eu quero ser remunerado, porque estou no mercado e vendo o que se paga. Mas eu também teria menos parte nas decisões. A cobrança seria sobre o Zinho que ficou sete meses aqui. Nas primeiras crises eles iriam recorrer a quem está há mais tempo. Viria uma carga de cobrança em cima do meu nome e eu não teria poder para arcar com essa responsabilidade. Eu prefiro sair com a imagem que o torcedor tem de mim e pela porta da frente”, pontuou.
A insatisfação gerada com a oferta feita pela diretoria, porém, não apagou a confiança que Zinho mantém na gestão de Eduardo Bandeira de Mello. “O torcedor tem que ter paciência, porque os caras que estão chegando vão conhecer o tamanho da coisa. Eu estou até sendo um cabo eleitoral deles aqui, mas são boas pessoas com boas intenções. Eles vão colocar a casa em ordem no primeiro semestre para que o Flamengo volte a ser um time com possibilidade de lutar por título”, destacou.
Com relação ao seu futuro no futebol, o dirigente disse que aproveitará o mês de janeiro para realizar um sonho de seu pai: ir de carro até João Pessoa, na Paraíba. Além de tomar os devidos cuidados com a saúde do seu patriarca, Zinho espera fazer cursos e aprender com os clubes europeus para adquirir ainda mais experiência antes de seu retorno ao Flamengo.
“Não estou saindo brigado. As portas do Flamengo estão abertas para mim e nada vai me impedir de voltar para cá. Eu terei livre acesso para vir até aqui e conversar com todos. Estou me colocando à disposição do Pelaipe para qualquer coisa que ele precisar e vou esperar a reapresentação do elenco para vir até aqui dar um abraço em todos. Eu tenho esse vínculo com o Flamengo e não é demagogia. É verdade”, concluiu.
