Se Marcos jogasse um tempo pelo Palmeiras e outro pela Seleção Brasileira em seu amistoso de despedida, marcado para as 22 horas (de Brasília) desta terça-feira, nada o impediria de ganhar um busto nas Alamedas do Palestra Itália. Pelo menos, não há menção alguma ao assunto no estatuto do clube, tanto que Ademir da Guia já enfrentou o Verdão.
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A menos de dois anos do centenário do Palmeiras, o departamento de história da instituição, comandado por José Ezequiel Filho, já começou um amplo levantamento de todos os jogos desde a fundação do clube, no dia 26 de agosto de 1914. Em meio ao processo minucioso de apuração, o conselheiro e pesquisador encontrou a súmula do amistoso entre Bangu e Palmeiras, de 1960.
“Existe uma lenda de que o estatuto do clube impede que jogadores que já enfrentaram o Palmeiras sejam homenageados com um busto. Isso é uma tese furada, não há uma linha no estatuto do clube sobre isso, tanto que o Ademir da Guia já jogou contra o Palmeiras”, atesta Ezequiel, ao som das obras da Arena, na sala que abriga o departamento de história.
Então com 18 anos, Ademir da Guia vestiu a camisa do Bangu diante do Palmeiras no dia 27 de setembro de 1960, no Estádio do Pacaembu. A principal atração do encontro foi Humberto Tozzi, que voltava ao Verdão após passar pela Lazio-ITA, mas a presença do filho de Domingos da Guia também era esperada.
“’Cobras’ do Palmeiras desfilam contra o Bangu”, estampou o jornal A Gazeta Esportiva em sua capa. “Constituem atração especialmente as presenças de Zózimo, o extraordinário médio que ostenta o título de campeão do mundo, e de Ademir da Guia, filho do ‘Divino Mestre’ Domingos da Guia, apontado unanimemente como a maior revelação do futebol carioca nestes últimos tempos”, noticiou o periódico.
“Eu realmente joguei contra o Palmeiras, mas foi um amistoso. Não sei exatamente como é o estatuto, porque o jogo de campeonato é diferente de um amistoso”, disse Ademir, adotando a tese equivocada criada ao longo dos anos. “Na minha opinião, existem algumas coisas que o clube impõe que devem ser relevadas”, completou o antigo camisa 10.
Apesar da goleada, o meia de 18 anos foi notado pela Gazeta Esportiva. “Ademir da Guia, que apareceu quando a peleja estava quase no fim, aos 32 minutos da 2ª fase, não teve tempo para brilhar. O marcador já assinalava 3 a 0 para o Palmeiras e o jogo estava definido. Em todo caso, revelou qualidades. Os demais não passaram de regulares”, noticiou o periódico.
Segundo José Ezequiel Filho, o amistoso foi fundamental para a contratação do Divino pelo Verdão, efetuada em 1962. “O Ademir entrou no segundo tempo e na época o nosso técnico era o Oswaldo Brandão. Não tinha como o filho do Domingos da Guia jogar e passar despercebido. Ele chamou a atenção do treinador e tempos depois houve o acerto com o Palmeiras”, explicou o pesquisador.

“O Fiúme se aposentou e ganhou um busto, mas cerca de um ano depois voltou a jogar algumas partidas pelo Bragantino. Não tenho certeza absoluta que ele enfrentou o Palmeiras, mas há grandes chances. Ainda estamos pesquisando. De qualquer forma, isso não diminui em nada o jogador. O importante é honrar a camisa enquanto está no clube”, declarou.
No mesmo Pacaembu em que Ademir da Guia vestiu a camisa do Bangu contra o Palmeiras, Marcos fará sua despedida em um amistoso entre o Verdão de 1999 e a Seleção Brasileira de 2002, na noite desta terça-feira. O goleiro desejava jogar meio tempo por cada time, mas, baseada na informação equivocada sobre o estatuto do clube, a organização do evento vetou a ideia.
Veja detalhes do jogo em que Ademir da Guia enfrentou o Palmeiras:
Ficha Técnica: Palmeiras 4 x 0 Bangu
Data: 27/09/1960
Local: Estádio do Pacaembu
Arbitragem: Albino Zanferrari
Renda: Cr$ 626.525,00
Gols: Julinho, Humberto Tozzi (2) e Ênio Andrade
Palmeiras: Valdir; Djalma Santos, Valdemar Carabina, (Zequinha II), Aldemar, Clóvis, Zequinha (Perinho), Chinesinho, Julinho (Moacir), Humberto Tozzi, Abílio (Cruz) e Ênio Andrade
Técnico: Oswaldo Brandão
Bangu: Ubirajara; Joel, Mário Tito, Décio Esteves, Zózimo, Nilton dos Santos, Corrêa, Bianchini (Zé Maria), Vermelho (Ademir da Guia), Válter (Hélcio Jacaré) e Tiriça (Durval)
*Colaborou Edoardo Ghirotto
