Futebol/Copa Sul-americana - ( )

"Moleque do gol", Lucas quer se despedir balançando rede do Morumbi

Tossiro Neto São Paulo (SP)

Como versa música feita para ele em 2010, ano em que se destacou na Copa São Paulo de Futebol Júnior antes de ir para o time de cima do São Paulo, Lucas "tem fome de bola, tem sede de gol". Faminto pelo primeiro título profissional, o meia-atacante espera conquistar a Copa Sul-americana nesta quarta-feira, quando, diante do Tigre-ARG, faz sua última partida pelo clube. Balançar a rede no Morumbi, é claro, seria uma maneira de engrandecer sua despedida.

"Espero que possa fazer", disse o jogador, sorrindo, em sua última entrevista no CT da Barra Funda. Até hoje, foram 32 gols em 127 jogos com a camisa tricolor. "Mas, independentemente de fazer ou não, quero ajudar a equipe a vencer. Não importa quem faça o gol, quero comemorar junto com a torcida e ter esse sentimento maravilhoso de levantar um troféu".

"Caso esse título não venha, vai ser desastroso para mim. Por isso eu sempre penso positivo. Não quero pensar nessa possibilidade. Penso que vou ganhar, que vou ser campeão. Foi assim que aprendi a pensar. Como sempre falei, quero meu nome marcado na história do São Paulo, para que as pessoas possam se lembrar de mim. Vou jogar tudo nesse jogo", acrescentou, confiante.

Compositor do rap Moleque do Gol, Jeferson, o Jel, bota fé que o garoto de 20 anos vai, sim, vazar a meta argentina no Morumbi. "Pelo menos vou torcer muito por isso. Mandei um recado a ele e disse que, se ele fizer, acho que não vou conter as lágrimas", diz o vocalista do grupo Mesclado, que é são-paulino fanático – tem até uma tatuagem do clube no pescoço –, mas não conseguiu ingresso para o jogo. "Fiquei tentando quatro horas na Internet e não deu", reclama.

Jel conhece o craque desde pequeno. Morador da Cidade Ademar, bairro no qual Lucas passou a infância, já sabia há muito tempo que ele iria vingar no futebol. "Sou bem mais velho do que ele, sempre o via jogando, e já dava para ver que ele tinha bola. Ele passou pelas mesmas dificuldades que a gente passa aqui, com pai e mãe o deixando em casa para ir trabalhar. A raiz dele é de avós nordestinos, que vieram a São Paulo tentar a vida. Eles não conseguiram, mas ele felizmente acabou conseguindo", explica o paulistano de 34 anos.

A ideia da canção surgiu há dois anos, no momento em que a então promessa foi campeã da Copa São Paulo. "Vi que era a hora de fazê-la. Por incrível que pareça, escrevi algumas coisas que estão acontecendo só hoje em dia. Tem um pedaço em que falo 'hoje é Robinho, amanhã é você'. E agora é isso mesmo, ele é quem está na Seleção Brasileira. Por incrível que pareça, está tudo na música", orgulha-se Jel, que ainda fala "de vez em quando" com o jogador.

Os encontros com Lucas devem diminuir ainda mais agora, com a ida dele para a França – negociado com o Paris Saint-Germain por 43 milhões de euros, o são-paulino viaja em 27 de dezembro. Apesar da distância, o amigo se mostra feliz pela conquista do ex-vizinho.

"Gosto muito dele, da humildade dele. Está fazendo grande sucesso por causa disso. A maneira como ele foi criado aqui no bairro, em meio à violência e outras dificuldades, serviu de ensinamento. É um moleque centrado, que não gosta muito de balada, prefere mais ficar com a família. Por ele ser bastante centrado no futebol, acho que ele vai arrebentar por lá", prevê o rapper, que, desde 2010, o que a torcida são-paulina está acostumada a ver: "Com a bola no pé, ele sabe o que faz".

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