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Afastado de Marcos, Oberdan também pode ganhar estátua no Palmeiras

Bruno Ceccon* São Paulo (SP)

Um dos maiores ídolos da história do Palestra Itália-Palmeiras, Oberdan Cattani também pode receber um busto nas alamedas do clube. Afastado de Marcos, o próximo a ganhar uma estátua, o ex-goleiro de 93 anos espera pelo resultado de um requerimento protolocado na secretaria da instituição que reivindica a mesma honraria já concedida a Ademir da Guia, Junqueira e Waldemar Fiúme.

Ademir da Guia já enfrentou o Palmeiras

José Ezequiel Filho, conselheiro e pesquisador da história palmeirense, e Fernando Galuppo, integrante da assessoria de imprensa do clube, são os responsáveis pelo pedido, oficializado em janeiro. A gestão encabeçada pelo presidente Arnaldo Tirone não deu atenção ao assunto, mas a dupla está esperançosa em relação ao próximo mandatário, a ser eleito no começo de 2013.

“Vamos reiterar a solicitação do busto. O Oberdan foi o jogador mais popular da década de 1940 até o início dos anos 1950. A Segunda Guerra Mundial impediu a realização das Copas de 1942 e 1946, mas nessa época ele estava entre os melhores do mundo. Acredito que fosse tão popular quanto ou até mais que o Marcos. É o único jogador vivo que passou pelo Palestra Itália e foi multicampeão pelo clube”, enumerou Ezequiel.

O poder executivo tem a prerrogativa de aprovar a eventual homenagem, que em seguida passaria pelo Conselho de Orientação Fiscal. “Um busto ao eterno camisa 1 será um dos maiores gestos que nós, palmeirenses de hoje, prestamos à memória dos nossos antepassados palestrinos que tanto idolatravam o mítico Oberdan Cattani”, diz um trecho do documento, entregue também à família do veterano.

O ídolo vestiu a camisa do Palmeiras de 1941 a 1954, período em que foi tetracampeão paulista (1942, 1944, 1947 e 1950), ganhou o Rio-São Paulo-1951 e a Copa Rio-1951. Último remanescente da Arrancada Heroica de 1942, jogo que marcou a mudança de nome do clube, ele iniciou a tradição de os goleiros da equipe jogarem de azul, forma encontrada na época para homenagear a Itália.

Aos 93 anos, Oberdan ainda fala com raiva de sua saída do Palmeiras e culpa o então presidente Paschoal Walter Byron Giuliano. Dispensado pelo clube, ele encerrou a carreira no Juventus e chegou a enfrentar o Verdão, o que acabou usado como justificativa para descartar o busto nos últimos anos, mas não há nada a respeito no estatuto do clube, tanto que Ademir da Guia, homenageado com uma estátua, já enfrentou a agremiação.

Foto: Reprodução
INAUGURAÇÃO CONJUNTA

Em uma propaganda veiculada no ano de 2011 pela fornecedora de material esportivo do Palmeiras, o então goleiro Marcos aparece caracterizado com o fino bigode de Oberdan Cattani, o que não foi suficiente para comover o veterano.

“Em uma entrevista que dei, eu disse que na minha época os goleiros precisavam sair melhor do gol. O Marcos ouviu e me esculhambou na televisão”, justificou Oberdan. “É melhor assim: ele do lado dele e eu do meu”, completou.

José Ezequiel Filho, por sua vez, trata a mágoa de Oberdan como folclore e sugere uma inauguração conjunta dos bustos dos ex-goleiros. “Poderíamos lançar as duas estátuas ao mesmo tempo na abertura da Arena. Por que não?”, questionou.

“Eu acho que o Oberdan merece esse busto. Ele jogou contra o Palmeiras pelo Juventus, mas isso não tem problema nenhum. Há casos em que realmente é preciso relevar. Dedicou a vida ao Palmeiras, teve uma passagem gloriosa e merece um prêmio por isso enquanto está vivo”, disse Ademir, que enfrentou o Verdão em amistoso pelo Bangu, disputado em 1960.

De sua casa com portões verdes, a poucos quarteirões do Palmeiras, Oberdan espera. “Fiquei feliz com essa reivindicação e estou esperançoso. Vamos ver se sai. Já estou com 73 anos de Palmeiras, isso não é brincadeira”, disse o ex-goleiro, conselheiro vitalício do clube. “O busto poderia ter sido feito há muito tempo, mas você sabe como é a política. Fui feliz durante minha passagem pelo Juventus. Joguei bem, principalmente contra o Palmeiras, e calei a boca do diretor que me dispensou”, afirmou.

Sem o busto que tanto deseja, Oberdan foi homenageado na gestão do presidente Mustafá Contursi com uma escultura em bronze de suas mãos na antiga sala de troféus. Um dos responsáveis pela reivindicação da estátua, José Ezequiel Filho reitera que a iniciativa é motivada exclusivamente pela atuação do veterano como goleiro.

“O busto seria uma homenagem aos serviços prestados pelo Oberdan Cattani no período compreendido entre 1941 a 1954. Queremos fazer esse tributo em vida. Já tem a escultura das mãos dele, mas uma estátua seria uma comenda superior e condiz com a forma digna que esse atleta defendeu o clube e com os títulos que conquistou”, declarou.

*Colaborou Edoardo Ghirotto

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